Tempo, tempo, tempo…

Amanhã faz um ano que escrevi o último post desse blog, não porque não quis mais falar sobre política, mas porque as voltas que a vida dá me deixaram meio que sem saber o que escrever diante de tudo o que vinha ocorrendo. Mas já faz algumas semanas que ando namorando o blog e pensando se deveria voltar a escrever e, mais importante de tudo, o que deveria escrever.

Pode parecer muito fácil para quem lê, mas para quem escreve nem sempre o processo de criação de uma postagem é simples, principalmente quando você colhe informações de fontes secundárias. Em tempos de impeachment isso fica cada vez mais claro, sempre soube que a imprensa nunca foi parcial, mas é muito diferente quando você enxerga manipulações grotescas com os próprios olhos.

Já disse várias vezes que não acho que a minha opinião seja melhor ou pior que a de ninguém, ela só é minha e depois de um ano recolhida senti vontade novamente de escrever. Não para contaminar as pessoas com as minhas ideias, mas para que no futuro eu possa ler o que escrevi hoje e perceber se houve evolução no meu pensamento.

Auto avaliação é uma coisa muito difícil, mas aproveitei o momento de nostalgia e olhei outro blog que escrevia na época da faculdade em conjunto com algumas amigas e foi interessante ver quem eu era naquela época. Cinco anos depois vi que algumas coisas mudaram, alguns argumentos eram rasos demais até para um blog, mas ainda assim eu achava que estava arrasando e me sentia super bem por escrever.

Aproveitando a dica do meu marido, acho que vou continuar a falar de política aqui, só que de uma forma diferente. De um jeito que eu consiga entender melhor os conceitos da Teoria Política e guiada pelos precursores do pensamento político, quem sabe assim essa loucura que está acontecendo não passa a fazer mais sentido…

Sem querer provar que o meu argumento é melhor do que o do outro eu vou seguindo e escrevendo para que a Ana do futuro possa entender como suas opiniões a guiaram até o ponto que ela estará.

Por Ana Paula Ramos

Vem pitaquear!

É carnavaaal! O país está em festa e o OP também! Como já contei em outro post, nosso blog faz um ano no próximo dia 24 e como comemoração farei um post com tema escolhido pelos leitores do blog. Os temas estão na enquete abaixo e você pode votar em qualquer um deles e também pode sugerir um tema diferente através de um comentário.

Se você estiver pensando: “Ah, não vou sugerir um tema novo porque a chance de ganhar é menor”, não se engane! Vou olhar sua sugestão e utilizar como inspiração para outros posts também! Então toda contribuição é bem vinda e espero que vocês voltem mais vezes e com mais sugestões também!

Esse espaço é nosso, a política interfere em nossa rotina e por mais que a gente esperneie e diga que não goste não tem como correr disso. Quanto mais nos informarmos e fizermos questão de participar de cada detalhe mais poder de interferência teremos, porque assim saberemos o que queremos.

Vota, compartilha e comenta!

Por Ana Paula Ramos

Novidades de aniversário!

Bem amigos do OP!

Oficialmente começam hoje as festividades de aniversário do nosso blog. No dia 24 de fevereiro faremos um ano de postagens, sei que deixei vocês na mão em vários momentos, mas as coisas estão ficando mais tranquilas e estou conseguindo manter um ritmo legal de postagens.

Comecei as alterações acrescentando uma categoria nova: Textos para pensar. Agora é hora de fazer uma enquete, que para dar certo precisa da participação de cada um de vocês. Basta escolher o tema que mais te interessa entre os que estão listados na enquete, caso você prefira que eu falei sobre outro tema basta sugeri-lo nos comentários do post.

Compartilhe com os seus amigos e vote até o dia 19 desse mês. O resultado sai no dia 20 e o texto será publicado no dia 24, quando o blog completa um ano. Conto com a participação de vocês!

Por Ana Paula Ramos

Afinal, o que é o PIB?

Quando o assunto é economia todo mundo insiste em falar em um tal de PIB. Todo mundo sabe que ele é importante para o crescimento e estabilização da economia do país, mas o que significa essas três letrinhas? Acho que a maioria tem uma ideia geral, mas não sabe explicar com exatidão a importância dele para a nossa vida.

Felizmente, o G1 fez uma explicação bem simples para que possamos entender porque o Produto Interno Bruto influencia tanto a nossa vida. Logo de cara eles explicam o que é o PIB e o objetivo de mensurá-lo, em seguida colocam as variáveis que entram e não entram nessa conta. Depois jogam uma luz sobre como é feito o cálculo e para finalizar de onde vem os dados que entram nessa conta.

É o melhor resumo que eu já vi e como eu adoro infográfico e eles usam e abusam desse recurso não podia deixar de compartilha-lo. Espero que depois de ler vocês consigam entender e dividir com os amigos o que é o PIB e porque ele é tão importante para a economia. Clica AQUI e entenda a essência dessas letrinhas.

Por Ana Paula Ramos

Conhece o Data4Good?

Eu sei que tenho apresentado poucas postagens sobre acompanhamento político nos últimos tempos, mas eu tenho encontrado tantos projetos legais na área política que vale a pena dar uma parada na programação normal para apresentar para vocês. E no fim das contas o objetivo do blog é democratizar a política, então nada mais justo que compartilhar iniciativas legais que tem o mesmo objetivo que eu.

Depois de me explicar (porque é provável que eu apresente mais projetos legais) vamos ao que interessa! Hoje é o dia do Data4Good, antes de qualquer coisa acesse o site AQUI e conheça a ideia da Tatiana Capitanio, idealizadora do projeto.

Na descrição do site encontramos uma explicação simples e direta do que é a proposta:

Data4good é um movimento que acredita que o acesso à informação, sua compreensão e disseminação são fundamentais para resolver problemas de interesse público, apoiando e encorajando consciência social e mudanças para o bem.

Nós acreditamos que informação gera mudança, pois permite a melhor compreensão de determinado cenário, e ação no sentido certo. Porém, as diferenças do acesso à informação e da capacidade de interpretação são alarmantes em nosso país. Os dados de interesse público são muitas vezes de difícil acesso, com organização precária, e comunicados de forma parcial.

Por meio do Data4Good, nos propomos a trazer estes dados para os cidadãos, de forma simples, bonita e interessante; e junto com as informações, oferecer dicas de como cada um de nós pode agir para mudar estes cenários.
Publicaremos infográficos semanais sobre as mais diversas áreas de interesse público, junto com dicas do que cada pessoa pode fazer para mudar esta realidade.

Tive a oportunidade de conversar com a Tatiana por e-mail e o mais legal é perceber como ela acredita que os dados podem ser utilizados para promover bem estar social. Organizações não governamentais podem entender melhor como ajudar o público da região que atuam, pessoas podem criar novas iniciativas depois de saber das necessidades de determinado grupo/tema.

O mais interessante é que o site quer promover um debate e incitar as pessoas a ação. Se 20% da população de determinada cidade está com problemas de saneamento básico qualquer um pode propor alguma ideia e procurar meios de executá-la para que tudo possa ser resolvida com ajuda ou não do governo.

Passear pelo site e ver os infográficos de cada tema é uma boa pedida!

Por Ana Paula Ramos

Projeto Brasil

Essa semana está sendo muito produtivo no quesito descobertas e agora acabei de conhecer mais um projeto que também envolve a popularização da política, mas já está rodando (Ao contrário do Politize! que ainda precisa da sua doação para sair do papel definitivamente. Conheça e doe AQUI).

A startup é composta por sete jovens que tiveram a ideia de tornar a política brasileira mais transparente, competente e democrática:

 Queremos informar, engajar e aproximar políticos e cidadãos

Sabe como eles fizeram isso? Trazendo todas as propostas dos candidatos a presidência para a plataforma de forma mais simples e instigando o público a compará-las seja lendo, fazendo testes cegos ou através do game Urna FighterCombat.

Nessa primeira etapa, o Projeto Brasil oferecerá ao cidadão a oportunidade de conhecer, avaliar e comparar os candidatos com base em suas propostas, histórico eleitoral, profissional e pessoal, entre outros parâmetros. você poderá ainda compartilhar, avaliar e comentar todas as políticas públicas propostas pelos candidatos.

O visitante está em contato com as propostas dos candidatos o tempo todo e pode passar pelo site várias vezes até conseguir entender o mundo de propostas dos concorrentes. Sabe qual é a parte mais legal?

A proposta não acaba no fim da eleição! Depois de possibilitar essa interação gigantesca entre os candidatos, suas propostas e a população, o Projeto Brasil vai entrar em sua segunda fase:

Durante o governo

O Projeto Brasil guarda todas as propostas e promessas feitas durante a campanha (memória do eleitor);

O Projeto Brasil acompanha o político eleito e informa a população sobre o cumprimento ou não das propostas feitas durante a eleição;

A população poderá ainda sugerir propostas, opinar sobre o que está sendo feito e cobrar a execução das promessas de campanha;

Ao final do mandato, a população saberá quais as propostas foram executadas pelo político e estará mais preparada para decidir seu voto;

Ou seja: Depois de mastigar os planos de governo para facilitar a leitura eles ainda vão nos ajudar a fiscalizar aqueles que elegemos. Tudo isso sem cobrar um centavo sequer de quem usa o site.

Juntando o Politize! que vai destrinchar os sistemas partidário e eleitoral e o Projeto Brasil unimos informação a fiscalização em apenas dois sites. Depois disso não dá para ficar dando desculpas de que política é difícil ou chata, né?!

O objetivo é um só: Fazer com que a política deixe de ser esse bicho de sete cabeças e tudo fique mais simples para mim, para você, seus amigos e o vizinho.

Tá esperando o que para espalhar para todos que você conhece? Visite o site AQUI e divirta-se!

Por Ana Paula Ramos

O que você tem a ver com a Política?

Tem certas iniciativas que devemos tirar o chapeu para quem as inventa e essa foi a sensação que tive quando uma amigo me contou sobre o Politize. Para quem ainda não conhece assiste esse vídeo aqui embaixo e depois a gente continua a conversar:

Basicamente o Politize será um portal de educação política onde você encontrará conhecimento de alta qualidade sobre o que há de mais importante para ser um cidadão consciente. Algumas questões serão tratados no site:

1. Funcionamento do Sistema Eleitoral e dos Partidos;

2. A organização do Estado e os diferentes papeis dos agentes públicos;

3. A elaboração das leis e das políticas públicas;

4. Arrecadação e uso do dinheiro público;

5. Os mecanismos e formas de participação popular.

Vários outros temas também serão abordados, mas o que importa é que para o Diego Calegari e a galera que está por trás da ideia conseguirem tirar tudo isso do papel eles precisam da sua contribuição. Acessando o Catarse, plataforma de financiamento de projetos públicos, você pode conhecer um pouco mais sobre o projeto e as formas de ajudar. Eles tem mais cinco dias para atingir a meta deles e precisam mais do que nunca da sua ideia.

Se só o vídeo não foi suficiente para te convencer a ajudar e divulgar, dá uma olhada na postagem piloto que eles disponibilizaram AQUI. É muito didático e vai ajudar muita gente a entender melhor o mundo da política. Dá para conhecer um pouco mais pelo site deles também AQUI.

Se queremos que a próxima eleição seja melhor que essa é melhor começar a fazer alguma coisa desde já!

Por Ana Paula Ramos

Sobre sumiços

Sou péssima escritora por não manter a regularidade, eu sei, mas estou dando um jeito nessa minha falta de força de vontade e agora hei de me dedicar a esse espaço que tanto gosto. Para você que ainda não conhece o Observatório dê uma olhada nas sessões O Observatório e na Quem Escreve. Talvez tudo passe a fazer mais sentido.

Não tenho partido, porém tenho preferências então é bem provável que o texto não seja completamente imparcial, mas prometo que vou me esforçar para mostrar mais do que apenas um ponto de vista. Optei por não falar de eleições por medo de ser crucificada, mas vi que era uma grande bobagem só agora e já está meio tarde para começar então vou escrever sobre o que me inspirar, sem cobranças para manter a periodicidade.

Espero que vocês gostem das postagens que vão entrar no ar a partir de amanhã e lembrem-se de divulgar para o maior número de pessoas que você conseguir!

Por Ana Paula Ramos

Cuidado!

A campanha eleitoral começou oficialmente no dia 06/07. Alguns candidatos deixaram para peregrinar pelo país apenas no decorrer da semana. Aqui no DF quase todos começaram a se mostrar em cidades como Ceilândia, Varjão e em Sol Nascente, por motivos óbvios. Ainda não estou a par das propostas, mas achei uma tirinha excelente:

Campanha

Se você também tem esse receio, é bom escolher algum candidato que não te cause esse sentimento ;]

Por Ana Paula Ramos

O Brasil quer voltar a sorrir

Aquela propaganda apelativa lançada pelo PT foi alvo de uma releitura e com ela eu tive certeza de que a criatividade do ser humano não tem limites. Ainda não conseguiu ver? Então dá play aí embaixo e foca na fala do narrador:

Conseguiu acompanhar?

“O brasileiro que tanto batalhou por uma vida melhor, hoje olha pessimista para o futuro. Vê conquistas que levaram décadas para serem alcançadas destruídas num piscar de olhos pela incompetência e corrupção. O insignificante crescimento da economia, a volta da inflação e o desemprego assustam. Não podemos continuar do jeito que está. Já deu! O Brasil quer voltar a sorrir.”

A fala foi bem diferente da propaganda veiculada na TV, mas o qual você acha que traduz com mais fidelidade a nossa realidade?

Por Ana Paula Ramos

Setorização de Preferências

O IBOPE divulgou uma pesquisa em que as preferências partidárias do eleitorado brasileiro foram captadas. A mesma pesquisa foi realizada em 1995 e em 2002, o que possibilita uma base de comparação interessante do perfil do eleitorado brasileiro.

Atualmente os eleitores estão divididos da seguinte forma: 43% estão no Sudeste, 26% no Nordeste, 15% no Sul e 15% no Norte/Centro-Oeste. No país inteiro, 39% dos votantes têm até 44 anos e 61% estão acima dos 45 anos.

Com relação aos partidos, o PT é o preferido englobando 21% do total já o PSDB conta apenas com 5% da preferência nacional. Um fato curioso da pesquisa é a modificação do eleitorado petista, em 1995 e em 2002, 27% das pessoas que preferiam o partido possuíam até 24 anos. Hoje essa parcela diminuiu para 17%.

Entretanto quando se olha para o eleitor mais velho observa-se que na pesquisa anterior 25% dos que simpatizavam com o PT tinham mais de 40 anos. Na pesquisa mais recente o IBOPE modificou as faixas etárias dividindo o eleitorado entre votantes que tem até 44 anos e os que tem mais de 45 anos.

Essa nova distribuição etária mostra que 39% dos eleitores têm até 44 anos enquanto 61% tem mais do que isso. Dentre esses, 38% do primeiro grupo e 62% do segundo preferem o PT.

É interessante ver como a população muda suas preferências ao longo dos anos, mas esse tipo de ocorrência não é radical. Apesar de ainda ser o preferido por grande parte do eleitorado, o PT tem perdido adeptos. O PSDB, talvez pela polarização, não consegue ganhar os dissidentes e o cenário eleitoral acaba por favorecer o partido de Lula e Dilma.

O fato de os simpatizantes mais jovens estarem diminuindo também demonstra que a base de renovação do PT pode estar diminuindo, o que pode continuar prejudicando o partido que já sofre com a ausência de sangue novo e potente. Lula não viverá para sempre, como será que o partido se sustentará sem o seu maior cacique?

Por falar em jovens, eu acho que seria interessante fazer uma pesquisa sobre a evolução do ingresso de pessoas até 24 anos em partidos políticos nos últimos vinte anos. Eu tenho a impressão de que a nossa juventude (inclusive eu que me enquadro nessa parcela e não sou filiada a nenhum partido) está cada vez menos participativa nesse quesito, mas nada impede que surpresas aconteçam… Se eu conseguir fazer e compilar a pesquisa um dia me comprometo a publicar aqui no blog, façam o favor de ler!

Por Ana Paula Ramos

Um acordo inegociável

O Mercosul e a União Europeia tentam negociar um acordo de livre comércio desde o ano 2000 e parece que, mais uma vez as negociações vão chegar a um ponto de inflexão. De 2000 a 2006, os dois blocos tentaram negociar um acordo, mas as negociações foram interrompidas quando o bloco sul americano apresentou uma proposta insatisfatória para os europeus. Desde 2011, os esforços para a finalização do processo de negociação foram retomadas, o Mercosul chegou a apresentar uma proposta no último mês, mas a situação não parece estar muito favorável.

O primeiro empecilho são os próprios agricultores europeus. Eles estão fazendo pressão para que a comissão europeia desista do acordo, pois a área que será mais prejudicada com o acordo é a agrícola. Segundo eles, os produtos sul americanos e, principalmente, brasileiros podem desestabilizar a competitividade local.

Como se não bastasse a pressão interna, a comissão europeia está trocando de presidência e, naturalmente, está havendo uma dança das cadeiras dentro da área administrativa do bloco. Isso retarda ainda mais o processo e o tempo estimado para a apresentação da proposta europeia é junho, mas pode ser que demore mais que o esperado.

Ao longo dos últimos anos o negociador chefe do acordo era o português João Machado, mas ele agora está responsável pela área de transportes e a nova equipe parece estar mais preocupada com a negociação de um acordo de comércio e investimentos com os Estados Unidos. O que poderá tornar ainda mais morosa a finalização do acordo.

Depois de catorze anos estamos ainda na rodada inicial de negociações. Nenhum dos dois blocos conseguiu apresentar uma proposta que brilhe os olhos do outro lado da mesa e tenho dúvidas de que isso virá a ocorrer ainda esse ano. O lobby interno dos produtores é forte e a área agrícola é a que mais interessa ao Mercosul. O desentendimento dentro do bloco aparentemente foi superado, mas ainda podemos ser pegos de surpresa em alguma fase da negociação.

A proposta sul americana propõe a abertura de 87% do mercado, mas os negociadores europeus gostariam que fosse mais próxima de 90%. A proposta europeia ainda nem foi apresentada, mas é provável que não corresponda as expectativas. Para que o acordo seja concluído o governo brasileiro terá que se dispor a ceder em alguns setores sensíveis como o de vestuário e medicamentos. O setor privado está cético com relação ao poder de manobra que Dilma terá para liberalizar mais setores industriais, mas o interesse do governo em agradar os europeus (e seus investidores) as vésperas das eleições é grande. Entretanto, o cenário mais otimista para a conclusão do acordo é 2015, mas só se a Argentina não apresentar nenhuma resistência e o lado europeu cooperar.

O sucesso desse acordo depende de tantos fatores desfavoráveis que depois de tantos anos nem consigo mais prever se ele se realizará. Agora nos resta apenas acompanhar e tentar projetar alguns cenários.

Por Ana Paula Ramos

Ainda sobre o Marco Civil

Conhecem o Canal do Otário? Se ainda não viu clica AQUI e dá uma olhada no site e nos vídeos que o pessoal de lá publica. É uma forma diferente de ver fatos que conhecemos apenas por um ponto de vista.

Para você ter ideia, vou colocar aqui embaixo um vídeo sobre o Marco Civil da Internet. O texto foi publicado antes da aprovação pelo Senado e ele dá inclusive uma dica de como fazer pressão. Que, como sabemos, não foi feita e ainda tentaram pintar o PSDB como um grande vilão que quer impedir que as coisas no país progridam. Lembram da briga entre o Lindbergh Farias (PT-RJ) e o Aécio Neves (PSDB-MG)? Não ficou nem sabendo? Então clica AQUI e depois vê esse vídeo:

A base governista impossibilitou a chance de qualquer mudança no texto citado, pois se isso acontecesse o texto teria que voltar para a Câmara para nova apreciação. Então tudo o que foi falado no vídeo é o que está valendo. Mas o governo disse que as Medidas Provisórias poderão ser utilizadas para esse fim, então é hora de começar a fazer pressão para que os legisladores comecem a reescrever o Marco.

Por Ana Paula Ramos

Sobre o feriado

Caros leitores,

Desculpem a ausência! É feriado e o ritmo das postagens caíram a zero, mas estou preparando alguns textos bem legais para essa semana.
A partir de terça eles entram no ar e vocês poderão se manter atualizados sobre o mundo da política.
Aproveita que o nosso arquivo está bem recheado e dá uma olhada no que já rolou por aqui.
Leitura boa e que ajuda a formar opinião é o que não falta.

Até terça!
Por Ana Paula Ramos

Algo não está indo bem

Quando fazemos algumas escolhas na vida conseguimos perceber, ao longo do caminho, alguns indícios de que nossa escolha foi acertada ou não. Ao longo do tempo elegemos pessoas acreditando nas propostas que elas faziam pela melhoria da nossa sociedade. Conforme o tempo foi passando vimos que algumas promessas sairam do papel, muitas foram concluídas (mesmo que superfaturadas), outras viraram grandes elefantes brancos como muitas pontes que ligam nada a lugar algum. E aquelas que não saíam do papel tinham basicamente a finalidade eleitoreira, aquela de puxar votos e depois cair no esquecimento.

Essa dinâmica se repetiu por muitos anos porque nós permitimos que isso acontecesse ao eleger políticos que cumprem suas promessas, mas embolsam parte do orçamento superfaturado. Depois de vermos o que estava acontecendo passamos a reclamar, bradamos aos quatro ventos que fulano é corrupto, cicrano lava dinheiro, beltrano é estelionatário e os políticos incorporaram nossa reclamação e passaram a apontar nomes de pessoas com condutas duvidosas. Entretanto, se você reparar esse tipo de coisa só acontece em dois momentos: quando estamos em eleição e o candidato quer manchar a reputação do seu oponente ou quando os interesses de determinado político são afetados e ele precisa colocar mais gente na roda para tirar o dele da reta.

Mesmo assim, continuamos colocando pessoas de reputação duvidosa no poder e que, reconhecidamente, agem apenas em benefício próprio. Até que ano passado, mais precisamente em junho, parece que a população chegou ao limite e tivemos aquelas manifestações gigantescas pelo Brasil inteiro. Depois os ânimos se acalmaram, mas voltaram a esquentar durante a Copa das Confederações para se tranquilizar novamente até o início desse ano.

Um povo ir as ruas para reclamar seus direitos é normal, passou da hora disso acontecer no Brasil. Mas quando você percebe que o povo que está nas ruas não sabe ao certo como cobrar e que os políticos que podem atender aos pedidos aparentemente não sabem como lidar com os movimentos sociais, uma luz amarela se acende e você passa a pensar que algo anda indo, de fato, muito mal.

Hoje, aqui no DF, tivemos uma manifestação em frente a uma estação de metrô que fica em uma avenida de grande circulação de carros no centro da Ceilândia. Para quem não sabe, nosso metrô está em greve (na verdade a greve acabou agora a tarde e os trens voltam a funcionar normalmente as 5h30 de amanhã) há seis dias e os manifestantes após um princípio de incêndio e uma série de confusões queriam o dinheiro da passagem de volta já que não conseguiriam chegar ao destino pretendido por aquele meio de transporte. O problema é que algumas pessoas começaram a jogar objetos nos trilhos e quebraram coisas dentro da estação. A polícia foi chamada e teve que intervir para conseguir acabar com o quebra quebra. Depois de serem retirados da estação, eles resolveram fechar a avenida em frente ao metrô e a situação ficou ainda mais tensa. No fim de tudo, ninguém recuperou o dinheiro, a polícia usou spray de pimenta para dispersar as pessoas e ainda prendeu alguns manifestantes. Ontem, no entorno, tivemos outra manifestação por causa dos transportes públicos e os manifestantes fecharam a BR 040 que liga várias cidades a Brasília. Depois de muitas horas, a Força Nacional foi chamada e o trânsito foi liberado.

Se vocês repararem os dois episódios tem o transporte público em comum, mas o que leva as pessoas a esse tipo de comportamento é (e isso é uma impressão minha, se você discorda me diz o que pensa aí nos comentários, pode ser que eu reveja minhas opiniões) o descontentamento gerado por anos e anos de comodismo. Passamos tantos anos vendo tanto descaso com a população que eventos aparentemente pequenos se tornam estopim para demonstrações de insatisfação. Mas o importante é termos em mente que esses episódios, como o da falta de ônibus em várias cidades mesmo com a troca recente da frota (no caso aqui do DF) e vários outros, são consequência da escolha que fazemos a cada quatro anos.

Se a nossa situação chegou a esse ponto foi porque nós deixamos e não nos posicionamos na hora adequada. O nosso descontentamento é com o descaso, é com a falta de ações em prol da sociedade e com a vontade de ganhar dinheiro, mesmo que por meios ilícitos, que muitos políticos tem. Então não adianta querer resultados diferentes tomando as mesmas atitudes e fazendo as mesmas escolhas que te levaram ao problema em questão. A mudança que desejamos não vai acontecer plenamente em quatro anos, mas se não começar de algum jeito nunca chegaremos a ela.

Eu não tenho opção partidária, então procuro nomes, plataformas e históricos que se afinem com aquilo que eu acredito, mas se você tem um partido do coração começa a procurar nomes que ainda não surgiram na mídia e vai divulgando o que eles fizeram. Esqueça os grandes caciques e comece a procurar por comportamentos e pessoas que você se identifique e que tragam a ideia de construir o Brasil que é bom para todos. Mesmo fazendo isso pode ser que ainda haja desapontamentos, mas pelo menos você vai cometer erros novos e não os mesmos erros de 20 anos atrás.

Chega de repetição. Chega de insistir em erros já conhecidos. Chega.

Por Ana Paula Ramos

Dados que revelam o caráter de um país

O que tem causado o maior bafáfá no Brasil essa semana tirando nosso foco de fatos políticos importantes (aprendam a não ser monotemáticos, a distração é uma tática comumente utilizada por aqueles que desejam conseguir algo como, por exemplo, diminuir a atenção do público sobre o leilão da usina dois irmãos, o escândalo da Petrobrás e o cartel do metrô de São Paulo. Fiquem espertos. Políticos e mídia são mestres em utilizar esse tipo de tática) é a pesquisa divulgada pelo IPEA (uma agência do governo, lembrem-se) sobre a tolerância social a violência contra as mulheres e um estudo sobre o estupro. Para ver as pesquisa completa é só clicar AQUI e se você clicar AQUI poderá ver o estudo que analisa a ocorrência do estupro no Brasil.

Para medir a tolerância social a violência contra a mulher o IPEA pegou 25 frases que todo mundo já ouviu pelo menos uma vez na vida e pediu para algumas pessoas dizerem se concordavam ou não com as assertivas. Na amostra responderam ao questionário 3.810 pessoas (homens e mulheres) residentes em municípios metropolitanos e não metropolitanos de todas as regiões do país. Do total, 56,7% moram nas regiões sul e sudeste e 29,1% em áreas metropolitanas.

Peguei nove das vinte cinco frases e transformei em gráficos para que vocês entendam um pouco do que essa pesquisa mostra, e sei que boa parte dos leitores não concordarão comigo, mas não é surpresa para ninguém. O nosso Brasil miscigenado é extremamente machista e preconceituoso. Como o próprio IPEA diz em um dos estudos, nossa sociedade foi criada com uma mente patriarcal e isso tem evoluído ao longo dos anos, mas mesmo com o ganho de espaço que as mulheres tiveram e com alguns exemplos de tolerância aos homossexuais que tivemos a maioria de nós ainda é machista e intolerante.

Roupas curtas - Gráfico

Comportamento mulheres - Gráfico

O que mais repercutiu na mídia foi a questão do estupro porque, sem dúvidas, é um absurdo. De acordo com os resultados parece que se um estuprador chegar ao tribunal e falar: “Poxa, meretíssimo, ela tava de roupa curta e se esfregando em mim aí eu queria ir para os finalmentes com ela, mas ela disse não, aí eu fui lá e estuprei ela, afinal ela tava pedindo”. Oi? Uma vez aprendi que a linha que separa uma relação sexual do estupro é o não da mulher ou do homem, afinal eles também são vítimas de estupro. Se a pessoa não está a fim não há conversa, a relação sexual tem que ser consensual independente da forma como a pessoa está agindo ou das roupas que está vestindo. O que determina se a relação tem que acontecer é a vontade das pessoas.

Homens mandando - Gráfico

Toda mulher quer casar - Gráfico

Realização feminina -Gráfico

Mas o machismo não está presente apenas na questão do estupro, está também no fato de que 63,8% dos entrevistados concordam que “Os homens devem ser a cabeça do lar“. Gente, no mundo em que vivemos esse pensamento é tão retrógrado que me dá náuseas. Se homens e mulheres trabalham e resolvem se casar a cabeça dos dois tem que trabalhar cooperativamente para que soluções sejam encontradas. Homens não são melhores que mulheres para serem os donos do lar. Um casamento tem o companheirismo como base então as decisões precisam ser conversadas. Nem homem, nem mulher. Um lar que tem um casal deve ser governado pelos dois, ok? Sem feminismo e com senso. Se o lar só tem o homem, nada mais justo que ele dê as ordens, se o lar só tem a mulher, ela também é a senhora do destino. Agora afirmar que os homens são os responsáveis pelas decisões da casa sempre não é muito sustentável. Casal que toma decisão junto permanece unido. Não tem porque culpar o outro depois já que você também contribuiu na tomada de decisão. É simples, é só usar a cabeça e não tem nada a ver com quem ganha mais ou com quem trabalha ou não. É uma questão de senso comum. Se a decisão afeta o casal, o casal decide.

Ainda sobre machismo, é incrível a generalização existente na seguinte frase “Toda mulher sonha em se casar“. E o mais engraçado é que 78,7% dos respondentes concordaram. Gente, compor família é legal e tal, mas eu conheço algumas mulheres que não querem se casar e são muito bem resolvidas com isso. Então muito cuidado com generalizações, existem outras formas de se constituir famílias além do casamento. E hoje os exemplos de mulheres (e homens) que não querem se casar e/ou ter filhos é crescente então abram a mente de vocês para o novo e aceitem as pessoas como elas são.

Direitos iguais - Gráfico

Casamento homo - GráficoAmor entre homens - GráficoHomens se beijando - Gráfico

Com relação ao homossexualismo (sei que agora estou entrando em um assunto ainda mais delicado) a população se mostra ainda mais intolerante. Na verdade, além da intolerância a gente vê uma certa confusão na cabeça das pessoas, olha só: 50,1% concordou que “Casais de pessoas do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos dos outros casais“, ao mesmo tempo, 51,7% acha que “Casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido“. Gente, como é isso? O percentual é praticamente o mesmo, mas como eles vão ter os mesmo direitos dos outros casais se o casamento deve ser proibido? Não consegui entender… Outra questão intrigante é que apesar de casais heterossexuais se beijarem em público, 59,2% afirma que  “Incomoda ver dois homens, ou duas mulheres, se beijando na boca em público“. Mas na outra questão eles não disseram que os casais homo e heterossexuais deveriam ter os mesmos direitos? De que direitos estamos falando então?

Esse resultado confuso mostra como muitas pessoas tem um discurso de que não são preconceituosas com homossexuais, que aceitam bem a opção das pessoas, mas não acham que o relacionamento seja normal ou que seria uma alegria ter homossexuais na família, principalmente se for filho ou filha. Vamos conversar uma coisa de uma vez por todas, se você não acha legal ter um filho homossexual você tem alguma coisa contra e não, você não acha normal. Para de tentar se enganar que vai ser bem mais simples e ninguém vai te crucificar por isso. Só não seja incoerente ao dizer que os homossexuais devem ter o mesmo direito dos outros casais, mas não podem se beijar em público, nem se casar e muito menos ser sangue do seu sangue.

Quando você se aceita como é e se conhece fica mais fácil defender os seus pontos de vista, não tenha medo de defender suas ideias, mas lembre-se que o outro lado também pode fazer a mesma coisa. Eu sou a favor da igualdade de direitos entre casais homo e hétero, acho normal demonstrações de carinho em público (um alerta para os agarramentos exagerados, eles são vulgares para heterossexuais, pq não seriam para os homos?) e se tiver um filho ou filha homossexual vou achar super normal. Isso é o que eu penso, nada contra quem não pensa assim, mas tenha coragem de assumir suas próprias bandeiras e entenda a natureza delas. Fazer discurso de que apoia o homossexualismo desde que fora das suas vistas e da sua casa é que não faz o menor sentido.

Por Ana Paula Ramos.

Algumas impressões e um desabafo

Gosto muito de ler, mas quando estava na escola era bem mais dedicada. Houve um ano que consegui ler um livro por semana e lembro que isso me fez muito bem. Hoje mantive o gosto pela leitura, mas as horas disponíveis para ela são bem menores. Agora estou lendo 1808 de Laurentino Gomes e começo a entender porque a corrupção é uma característica tão arraigada em nosso país. Essa cultura vem de longe, herdamos de nossos colonizadores, os portugueses, e a estada da família real e da corte portuguesa no Brasil entre 1808 e 1821 só intensificaram determinados comportamentos que se tornaram a essência de nosso país, infelizmente.

Hoje me pergunto se conseguiremos mudar essa essência corrupta um dia. Começo a me conformar com o fato de que caso a mudança aconteça não será para a minha geração, mas mesmo assim não me entrego e me apego ainda mais a valores que me foram ensinados em casa. A impressão que tenho as vezes é de que nossos valores estão invertidos, nossas prioridades estão trocadas e precisamos de um pouco menos de egoísmo para prosperarmos como nação.

Quando digo egoísmo me refiro a característica de pensar apenas em si mesmo e tomar decisões pensando apenas no benefício próprio. Se olharmos para os lados (e descobri esses dias pelo Facebook que muitas pessoas tem resistência a isso) veremos que aqueles que usamos como exemplo a ser seguido (EUA e Europa basicamente)  tem história e comportamentos bem diferentes dos nossos. A Europa está lá desde que o mundo é mundo, já os EUA foram colonizados pela Inglaterra e a cultura disseminada ali foi bem diferente da ideia portuguesa. Mas acima de tudo o povo desses lugares sempre lutou pelo bem comum, eu sei que existem interesses de determinados grupos, mas ainda assim o sentimento geral é majoritariamente voltado para o bem comum.

O que vemos no Brasil hoje é uma grande tentativa de crescer em cima dos outros, acho que essa talvez seja uma das traduções do tão conhecido jeitinho brasileiro. Pare para pensar nessa cena: você está em uma fila de carros para entrar em um retorno. A fila é enorme, mas todos estão respeitando a ordem, de repente vem um apressadinho e corta a fila logo depois muitos outros resolvem seguir o (mau) exemplo dele e o trânsito que já não estava bom fica ainda pior. Essa é uma representação simples de que somos tão corruptos quanto os políticos que elegemos, mas lidamos com isso de maneira tão natural que não nos afetamos com esse egoísmo mórbido e tanta falta de senso comum.

Dar um jeitinho de burlar as regras ou de se dar bem em cima de outras pessoas não é uma coisa normal é egoísta e atrapalha o desenvolvimento da nação. Sonegar impostos porque a carga é alta ou mudar seu contra cheque para ganhar casa do governo é perpetuar a corrupção. Não se enganem, a corrupção que assola nosso país não está só nos políticos que nós mesmos elegemos, está em nós. Ela se apresenta a cada esquina em cada golpe ou tentativa de se dar bem. Alguém tem que dar um basta nisso. Eu sei que não vai ser suficiente para mudar a cabeça de todos e sei que também tenho que me policiar para evitar alguns comportamentos egoístas, mas dizendo chega e começando uma mudança pessoal pode ser que as pessoas olhem para quem está tentando se corrigir e se envergonhe da próxima vez que tentar tirar vantagem do outro. A vergonha do próprio ato é o início do reconhecimento de que é necessário mudar. Quanto mais pessoas sentirem essa necessidade mais “bastas” teremos e mais depressa cortaremos o mal da corrupção de nosso sistema.

Menos jeitinho brasileiro e mais ações em prol da nação. Se a mudança não começar por você, vai começar por quem?

Por Ana Paula Ramos

Aula com o Peixe

Eu não quero ser monotemática, mas a declaração do Romário hoje merece atenção. Preciso dizer que quando ele assumiu o mandato de deputado achei que ia ser um grande fiasco e que ele seria mais um para mamar nas tetas do governo sem fazer algo que preste, mas ele me surpreendeu. Propôs projetos super interessantes para a área da educação e foi um dos maiores críticos ao excesso de gastos nas obras da Copa do Mundo no Brasil. E é justamente sobre isso que vou falar hoje.

Romário

Romário deu uma entrevista em que chegou a chamar Blatter e Valcke de ladrões corruptos e juntou a CBF ao pote da roubalheira. Além disso pontuou que os gastos com a Arena da Baixada, que foi liberada para a Copa no último dia 18, serão estratosféricos por conta do prazo para conclusão da obra. Mas o melhor de tudo foi a seguinte fala:

“A gente têm de torcer para o Brasil ganhar a Copa dentro de campo, até porque para o futebol brasileiro é uma coisa perfeita. A Copa do Mundo fora de campo a gente já perdeu, não tem mais como reverter isso”

Gente, as pessoas tem o direito de se manifestar livremente? Óbvio. Mas nós brasileiros ainda estamos com um problema de timing. A geração Facebook demorou para levantar a bunda da cadeira, mas despirocou e saiu por aí levantando bandeiras e bradando sem pensar se aquele era o momento para aquele tipo de manifestação.

O que aconteceu na Copa das Confederações foi ridículo. Você vai se manifestar contra a Copa quando tudo está construído? Seis anos depois da escolha do país? Quando não tem mais como tirar a competição daqui? Não faz nenhum sentido! Sabe quando pai olha para o filho fazendo birra no chão do shopping, mas não dá o que ele quer? Com o governo hoje é a mesma coisa. Não há o que fazer para tirar a Copa daqui quando ela já está acontecendo. Ir para a frente do estádio impedir a entrada da galera que PAGOU pelo ingresso não faz o menor sentido. Parem de transformar as portas dos estádios em campo de guerra, isso não vai mudar nada e ainda vai fazer com que muita gente pare no hospital. Assistir ao jogo não vai fazer com que você concorde com a forma como as coisas foram feitas, só vai mostrar que apesar de tudo você continua sendo brasileiro. Tem hora para tudo, minha gente. E a hora de manifestar contra a Copa passou, assumam. Nenhuma licitação vai ser desfeita, nenhum jogo vai ser anulado e tem muito mais sujeira por trás de tudo isso, então da próxima vez manifestem no momento da escolha. Antes do início das obras, combinado?

Então sejam razoáveis e aprendam com o Tio Romário (que não deixa de pontuar seu descontentamento com os gastos excessivos das obras sempre que tem oportunidade), vistam a canarinho e torçam para a nossa Seleção. Não vai tirar pedaço e você ainda pode se surpreender no final. Aproveita o nacionalismo do momento e não tira ela nunca mais. Seja consciente ao votar, ao entender o que está acontecendo dentro do seu país e, principalmente, comece a pensar no bem dele inteiro e não no seu próprio. É isso que vai fazer com que a gente saia desse ciclo vicioso.

Por Ana Paula Ramos

Política[gem] no Futebol

Aqui no blog tem uma página que eu falo o que é o Observatório (Ainda não viu? Clica AQUI) e que a política está presente no nosso dia a dia mais até do que gostaríamos. Essa semana achei um exemplo excelente para ilustrar isso no mundo do futebol. Como os apaixonados devem saber, estamos em ano eleitoral também na Confederação Brasileira de Futebol [CBF] e o nome mais cotado para substituir José Maria Marin é o do atual vice presidente Marco Polo Del Nero. Entretanto o presidente da Federação Gaúha de Futebol, Francisco Novelletto, pretende ser o candidato da oposição.

Marco Polo Del Nero

Marco Polo Del Nero

Como candidato da situação Del Nero não tem propostas que imprimam mudanças na atual forma de condução da CBF. Já Novelletto quer radicalizar no quesito apoio a clubes menores e tem a intenção de destinar 25% da receita da CBF para investimento em estrutura dos pequenos clubes do país. Nessa entrevista AQUI ele deu a seguinte declaração:

“Tenho mais de 20 projetos para o futebol, mas o principal e que não abro mão é em relação à ajuda aos times pequenos do futebol brasileiro. Vou distribuir 25% do que a CBF arrecada entre os times pequenos do Brasil. Eu andei por todo o Brasil e pude constatar as dificuldades que estes clubes enfrentam. Não tem bola, não tem fardamento, sem departamento médico, sala de musculação, sem as mínimas condições. Ajudando o clube pequeno automaticamente você vai estar ajudado os clubes grandes”

O discurso me parece bem acertado, mas há duas semanas Novelletto levou uma proposta de retirada de candidatura a CBF. A condição para que ele desista é o repasse de $81 milhões para as 27 federações de futebol investirem nas categorias de base. Hoje elas recebem cerca de $20 milhões.

Novelletto

Francisco Novelletto

Aparentemente Novelletto tinha o apoio de Dilma e do presidente do senado para concorrer. Que importância tem isso na votação? Nenhuma, só quem vota nas eleições são as 27 federações e os times da Série A… Mas ainda assim ele apresentou essa proposta de barganha. Se isso não for parecido com o que nossos presidentes tem feito com a oferta de ministérios eu não sei o que é. Mas de uma coisa eu tenho certeza, esse tipo de comportamento fortalece esse sistema corrupto, afinal todo mundo sabe que há algo muito errado na CBF.

Pode ser que um candidato de oposição seja a mudança que o futebol brasileiro precisa, mas como ter certeza depois dessa troca de favores?

Por Ana Paula Ramos

Sobre Recomeços

Devemos aproveitar cada dia como se fosse um recomeço. Se algo não nos agradou podemos falar sobre o assunto e tentar aparar arestas. Na política não é diferente. Todos os dias temos a oportunidade de acompanhar o que os políticos que elegemos fazem no Congresso, na Câmara Legislativa de cada estado ou até mesmo na Câmara de Vereadores. Não precisamos ir muito longe para saber o que está sendo feito pelos nossos legisladores basta um pouco de boa vontade. Entretanto muito tempo se passou após a campanha das Diretas Já e nós (sim, me incluo nesse grupo também) ainda não aprendemos a exercer nosso direito mais sagrado que é o de votar. Clamamos tanto por ela, mas ainda não aprendemos a usar a democracia a nosso favor. Espero que esse blog possa ajudar, você leitor, a entender um pouco mais sobre os acontecimentos da política do nosso país e do mundo.

É hora de recomeçar, mas não temos como apagar o passado nem mudar o presente. Para que o nosso futuro político seja diferente precisamos nos informar e pensar. A capacidade pensar e analisar é a nossa arma contra qualquer ditadura velada que tentarem nos impor. Se você lê sobre um fato e pensa sobre ele as chances de se deixar levar pelo viés dado por quem escreveu é bem menor. Caros leitores, é hora de usar o cérebro. Podemos dizer que ano passado boa parte da população tentou recomeçar ao ir para a rua e bradar pelo fim da PEC 37, pelos $0,20, pela educação, pelo fim da corrupção… Mas conhecendo a nossa realidade, quantos daqueles milhões acompanhavam e sabiam o que estava acontecendo antes da manifestação estourar? Tanto eu quanto você sabemos que muita gente estava ali só pelo oba oba e não pela causa de fato. Pensando no pós-manifestação, quantos dos que lá estiveram procuraram se informar sobre o que os nossos deputados, senadores, prefeitos e vereadores continuaram fazendo pelo povo que o colocou no poder? Em tempos de Facebook [Vamos chamá-lo de FB a partir daqui ;D] e Instagram a parcela que se manteve engajada deve ter sido ainda menor. Mas o bonde dos desinformados deve estar atento aos eventos do FB afinal, ser antenado é saber quando vai ter a próxima manifestação, não é mesmo?

Na verdade não. Por isso estou criando esse blog. Para que você que saiu da inércia e está lendo esse post repasse as notícias e as tentativas de esclarecimento aos seus amigos, para que todos se informem e lutem com consciência. Em tempos de “guerra” precisamos saber em que frente lutar e a hora certa de entrar em cada batalha. Quando o inimigo é a corrupção e a ineficiência do Estado precisamos usar a cabeça. Nem só de gritos se faz um recomeço.

Pensando nisso já vou dar uma dica útil. Para os que não conhecem clique AQUI e acesse o site da Câmara dos Deputados. Nele você pode acompanhar todas as sessões e votações que acontecem diariamente, você toma conhecimento das audiências públicas que estão sendo realizadas e, principalmente, dos projetos de lei que os deputados que colocamos lá estão tentando criar. As eleições estão chegando novamente e o site possui uma outra funcionalidade mara (clique AQUI) que permite que você acompanhe todos os projetos e posicionamentos dos deputados dentro da Câmara. Para iniciar, você podia criar um boletim para acompanhar o deputado federal que você elegeu há quatro anos e saber se vale a pena votar nele novamente ou se é hora de procurar um novo candidato. Se você conhece todos os deputados do seu estado, acompanhe todos e veja se eles fizeram algo que preste.

Nunca é tarde para adquirir novos hábitos. Seja ativo e fique atento as ações dos seus deputados. Em outubro você tem a chance de mudar a forma como essas páginas estão sendo escritas. Crie os alertas de acompanhamento e entenda o que está acontecendo no grande H [Congresso #fikdik].

Bom recomeço!

Por Ana Paula Ramos