Je suis Charlie?

Eu escrevi um texto bem bonitinho dizendo porque eu não concordava com esse endeusamento da revista Charlie Hebdo, era para ter postado ontem, mas acabei deixando para hoje. Aí resolvi entrar no Facebook e me deparo com este texto AQUI escrito por um professor de Juiz de Fora, de todas as críticas que eu li, confesso que essa foi a mais completa e que melhor traduz aquilo que vinha martelando na minha cabeça desde o último dia 7.

Engraçado que até o início do nosso texto era igual. Eu comecei o texto falando justamente que NADA, absolutamente NADA justifica o ataque. Ninguém tem o direito de sair por aí matando quem quer que seja por mais ofendido que se sinta com algo que a pessoa pode ter feito. Condeno os ataques da mesma forma que a Comunidade Islâmica, mas discordo do endeusamento da revista. Discordo da forma heróica que estão tratando os editores.

Ocidental tem essa mania ridícula de transformar os mortos em herois como se tudo o que ele fez em vida pudesse ser perdoado imediatamente. Aposto que muita gente que está bradando Je suis Charlie nem conhecia a revista, se for mais atento pode lembrar da polêmica com a charge do profeta Maomé, que deu repercussão internacional a revista. Tirando isso, a revista não fazia diferença para ninguém além dos 200 mil franceses que liam a revista semanalmente.

Aparentemente o Je Suis Charlie representa a defesa da liberdade de expressão e o repúdio a qualquer tipo de violência. Eu sou a favor disso também, não acho que a violência é o caminho e nem que haja como justificar o seu uso. Defendo todos os tipos de liberdade, mas as vezes as pessoas esquecem que a sua liberdade não te dá o direito de me desrespeitar e a essência da Charlie Hebdo, para mim, era o desrespeito. Desrespeito aos católicos romanos, aos católicos ortodoxos, aos judeus e aos islâmicos. Esses eram os alvos preferidos da revista, mas ninguém foi dar uma olhada nos princípios das religiões para saber que no judaísmo o nome de Deus não pode ser escrito e nem dito de forma nenhuma. É um princípio bem mais forte que o católico e o protestante, que também prega isso, mas todo mundo chama a santíssima trindade o tempo inteiro. Para os judeus isso é levado a sério de verdade e para os islâmicos também, no caso deles não se deve representar Maomé de maneira nenhuma.

Você já viu alguma imagem de Maomé? Algum santinho, alguma coisa que fizesse alusão a imagem do profeta? Eu não, então porque não respeitar esse princípio? Porque para nós é uma coisa normal, eu sei. Só que para eles não, a religião é tratada de forma diferente da nossa e ninguém tem o direito de impor nada a eles porque eles também são livres. Todo mundo tem direito a liberdade, mas o seu direito começa onde o do próximo termina e assim por diante. Para mim a simbologia de desrespeito da revista é bem maior do que esse símbolo de liberdade. Não consigo dizer Je suis Charlie por achar que o respeito é a principal arma para evitar uma série de conflitos.

Achei que as homenagens foram lindas, vi o vídeo da torre Eiffel se apagando e achei que foi de uma força que nem mil palavras (ou desenhos) teriam. A capacidade dos franceses de se organizar é sensacional, em menos de 24 horas quinze mil pessoas estavam nas ruas clamando por justiça (Não sei se a justiça que eles pediram foi essa que a polícia está fazendo, porque justiça para mim é outra coisa), queria eu que nós brasileiros fossemos tão rápidos quanto eles e que Brasília já estivesse tomada por pessoas que exigem o pagamento dos salários dos funcionários do GDF…

Achei tudo muito válido e tudo muito sensível. O mundo inteiro levantou uma bandeira em prol da liberdade (alguém viu alguma declaração da China ou da Coreia do Norte?), mas só espero que haja aprendizado com essas perdas. O humor não tem licença para cometer atos de desrespeito, sei que a linha é muito tênue, mas essa coisa de que todo mundo tem que levar tudo na brincadeira não existe. Tem coisas que não devem ser alvo de brincadeira, até que a própria pessoa decida o contrário. Foi assim com a Igreja Católica e ninguém tem que impor a humorização de nenhuma outra religião se essa permissão não vier de dentro.

A premissa principal é sempre o respeito, a liberdade é um direito como qualquer outro e além de todo mundo saber que ela é um direito relativo, não dá para sair por aí fazendo o que dá na telha em nome dela. Há limites, sempre há. E infelizmente,  a Charlie Hebdo ultrapassou vários. Não acho que o ataque foi bem feito e nem nada próximo a isso, mas o mundo é feito de causas e consequências. Nós não esperávamos uma reação como essa, mas o Charb já andava com seguranças desde que seu nome foi parar na lista da Al Qaeda. Será que isso não poderia ter sido evitado?

Fiz essa pergunta a mim mesma várias vezes e não sei a resposta, mas acho que eu e o mundo inteiro gostaria que sim.

Por Ana Paula Ramos.

Eleições Indianas

As eleições da Índia terminaram na última terça feira e hoje já temos alguns resultados. O grande vitorioso foi o partido nacionalista Bharatiya Janata Party (BJP), que obteve maioria no Parlamento. De um total de 542 cadeiras o BJP já ganhou mais de 270, essa é a maior vitória do partido que figurava como oposicionista desde 1984.

Narendra Modi

Por conta dessa vitória, o líder do partido, Narendra Modi, assumirá o cargo de primeiro ministro. O partido que ocupava o governo até então era o Partido do Congresso Nacional Indiano, liderado pela família Nehru-Ghandi.

A insatisfação popular com a dinastia que governou a Índia desde sua independência foi tão grande que nessas eleições eles tiveram o maior prejuízo eleitoral de sua história conquistando apenas 44 cadeiras do Parlamento. Grande parte da culpa pela derrota está associada aos escândalos de corrupção e dos maus resultados da economia indiana, que já foi vinte vezes maior que a chinesa e hoje é sete vezes menor.

Uma das promessas de Narendra é aquecer a economia e torna-la próspera novamente. O líder também afasta o risco de nepotismo ao afirmar que não tem família, por isso não tem a quem beneficiar ao ser eleito. Com a vitória, Modi já foi convidado a visitar a casa branca por Barack Obama.

O mercado financeiro recebeu bem a vitória do líder nacionalista, de acordo com seu discurso eleitoral, ele pretende projetar a Índia internacionalmente e fazê-la crescer economicamente. Ele acredita que conseguirá fazer com que o país cresça perto dos 10%, que era o crescimento anual da província de Gujarat governada por ele.

O espírito dos indianos agora é de renovação. A população espera que o BP consiga reformar o país como nunca foi feito antes. As expectativas são extremamente positivas e me lembra muito a vitória de Lula em 2002, espero que a história deles se desenrole melhor que a nossa.

Por Ana Paula Ramos

Radicalismo

Na madrugada de segunda a Embaixada do Brasil em Berlim foi atacada. Cerca de 80 pedras foram jogadas contra a fachada do prédio quebrando parte do vidro da frente. A autoria foi assumida por um grupo de pessoas que divulgou um manifesto em alemão na internet posteriormente. No fim do texto eles colocaram uma frase em português: Não vai ter Copa.

Não sei dizer com que propriedade eles afirmam isso, mas a polícia está investigando o incidente e ainda não foi estimado o valor do prejuízo. Câmeras de vigilância captaram quatro encapuzados próximos ao local por volta de 1h da manhã.

Na minha opinião quando uma pessoa se exalta para defender o seu ponto de vista ela perde a razão. Quanto mais sensata a pessoa é ao argumentar, mais chances ela tem de me convencer ou, pelo menos, de me fazer ouvir. Quebra quebra e radicalismo para mim não valem de nada. Já escrevi aqui em outras vezes que fomos derrotados na batalha contra a Copa antes mesmo dela começar no ano passado, simplesmente pelo fato de termos perdido o timing da reivindicação.

Justamente por isso eu me pergunto: Para que fazer esse tipo de ameaça? Se a Copa não acontecer vamos perder ainda mais dinheiro e essas propagandas negativas que o pessoal anda espalhando pelo Facebook também não ajudam em nada.

Não é de reivindicações vazias que precisamos. Sensatez deveria ser a palavra de ordem.

Por Ana Paula Ramos

O que mudou na Crimeia?

E não é que a Crimeia conseguiu ser anexada pela Rússia? (Lembra do post sobre a crise na Ucrânia? Clica AQUI)

No dia 17 o governo da Crimeia fez um referendo e obteve 81% de participação popular. Mais de 95% dos votantes foram a favor da anexação a Rússia, de acordo com dados oficiais. No dia 21, Vladimir Putin, presidente da Rúsia, assinou o tratado que ratificou a anexação do território já com aprovação unânime do parlamento russo.

Algumas coisas mudam para os cidadãos da região a partir de agora:

  1. A partir de 30 de março o fuso horário da península será igual ao de Moscou (GMT +4).
  2. O rublo passa a ser a moeda oficial da Crimeia e a grivna, moeda ucraniana, deixará de circular já em abril.
  3. Os funcionários públicos que estiverem desempenhando um bom trabalho serão mantidos nos cargos e possivelmente terão aumentos de salário.
  4. Novos livros escolares serão distribuídos com mais conteúdo sobre a Rússia e a versão dela sobre os eventos da Segunda Guerra Mundial.
  5. Pessoas nascidas na Crimeia poderão entrar em universidades russas sem fazer exame admissional por, pelo menos, um ano. Depois o exame pode voltar a ser obrigatório.
  6. Os bens e certidões da população deverão ser registrados pelo governo russo a partir de agora.
  7. A Rússia anunciou a construção de uma ponte para ligar os dois territórios. Hoje o acesso é feito apenas por barco ou avião.

A questão dos voos e dos trens que seguem da Crimeia para Kiev ainda está indefinida, não se sabe se eles serão mantidos. Ainda não foi falado nada sobre os passaportes e nem como será o direito de voto da população. Com relação as leis, a mudança não deve ser muito grande, pois as leis da Ucrânia e da Rússia são bem parecidas.

A comunidade internacional é que não está muito feliz com a anexação. O governo da Ucrânia, dos EUA e da União Europeia não reconheceram o resultado do referendo e afirmam que houve fraudes. Segundos eles, algumas cédulas de votação não tinham a opção de manter a Crimeia como parte da Ucrânia e outras já estavam pré preenchidas. A Ucrânia ainda acusa os russos de fazer pressão contra os cidadãos.

A situação está resolvida aparentemente, pois Moscou não dá ouvidos a opinião internacional e também não está preocupado com as sanções que já foram impostas até agora. Para apimentar ainda mais a situação o presidente do parlamento da Transnístria, na Moldávia, insinuou que a região poderia ser incorporada a Rússia também. O presidente da Moldávia alertou a Rússia para que não tente anexar a região que, apesar de ter declarado independência da Moldávia em 1990, não teve reconhecimento de nenhuma nação da ONU.

Ao que tudo indica essa novela está longe de acabar.

Por Ana Paula Ramos

Eleições – Colômbia

Na última semana a população Colombiana foi as urnas eleger seus representantes legislativos. Essa escolha é importante porque refletirá diretamente na finalização das negociações do Acordo de Paz com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Entretanto a divisão que está presente dentro dos partidos políticos do país se refletiu nas urnas e o Congresso agora está dividido. O próximo presidente não terá folgas grandes nas votações e os partidos menores farão bastante diferença.

Álvaro Uribe é ex-presidente da Colômbia e nas eleições de 2010 apoiou a candidatura de Santos, que era seu ministro da Defesa. Quando Juan Manuel Santos resolveu negociar com as FARC os dois romperam e Uribe mudou de partido e nessas eleições foi o senador mais votado do país. Seu partido conseguiu 19 cadeiras no senado e o de Santos 47, ao todo são 102 cadeiras. Por não ter mais a maioria absoluta, Santos vai precisar dialogar com a oposição e os outros partidos. Considerando que vários representantes dos partidos menores são a favor do acordo de paz, é provável que em poucas negociações ele seja aprovada. A menos que Uribe consiga a façanha de conquistar o voto da maioria.

Santos

Eleições Presidenciais

O embate entre Uribe e Santos, ainda não está nem perto de acabar, pois em maio haverá eleição presidencial e Santos é candidato a reeleição. Ao que tudo indica, a população está contente com o governo dele e, de acordo com as pesquisas, ele tem 32,5% das intenções de voto. Entretanto ele terá que enfrentar mais quatro oponentes:

  1. Óscar Iván Zuluaga, do partido Centro Democrático. Foi ministro da fazenda e é o candidato de Uribe nessas eleições. Ele fechou contrato com o Duda Mendonça para fazer a campanha dele, mas por enquanto ele está em segundo lugar com 15,6% da preferência. Vamos ver se Duda conseguirá operar esse milagre.
  2. Clara López, do partido Polo Democrático Alternativo. É a candidata de esquerda, que tenta ser a primeira mulher a chegar a presidência da Colômbia. Foi candidata a vice presidência nas últimas eleições e escolhida por Santos para ser Prefeita de Bogotá. Na última pesquisa apareceu com 4,9% dos votos.
  3. Marta Lúcia Ramirez, do partido Conservador. Foi Ministra de Negócios Internacionais, embaixadora (sim, embaixatriz é a esposa do embaixador, não confundam) da Colômbia na França, Ministra da Defesa e Senadora. Nas pesquisas aparece com 7% dos votos.
  4. Enrique Peñalosa, do partido Verde. Foi prefeito de Bogotá até 2001 e atualmente participa mais de ações na área privada. Nas últimas pesquisas apareceu na terceira colocação com 11,3% das intenções de voto.

Para ganhar no primeiro turno Santos precisará reunir 50% mais um voto do total. Em nenhum dos cenários das pesquisas ele consegue bater seus oponentes no primeiro turno, mas a preferência por ele tem aumentado nos últimos resultados apresentados. Independente disso, nos cenários projetados para o segundo turno, Santos vence qualquer um dos seus oponentes.

As vezes é importante ficar de olho nos vizinhos, mais notícias sobre a Colômbia em breve.

Por Ana Paula Ramos

Eleições pelo mundo

Como todos sabem, 2014 é ano eleitoral no Brasil, mas não são só os brasileiros que vão ás urnas esse ano. A população dos Estados Unidos, da União Europeia, da Índia, do Afeganistão, do Iraque, da Colômbia, da África do Sul, da Indonésia e do Uruguai também vão ter a oportunidade de eleger seus representantes.

Para os Estados Unidos, 2014 é ano de eleição legislativa. A divisão entre democratas e republicanos na Câmara quase levou o país à recessão ano passado (clique AQUI) e a queda de braço ainda está só começando. O presidente Obama, que está no meio do mandato, ainda vai ter que exercitar muito a paciência e ter jogo de cintura para conseguir aprovar alguma coisa. O resultado das eleições desse ano serão decisivos para os próximos dois anos do presidente eleito, pois se o Congresso for dominado por republicanos a chance de fazer grandes reformas será nula. Além disso, as eleições servirão para sabermos se a estratégia de radicalismo republicana foi acertada (porque, claramente, ela tem cunho eleitoreiro) ou um grande tiro no pé. Os americanos vão às urnas em novembro.

Na União Europeia (UE) também haverá eleição e a população dos 27 países-membros deverão ir às urnas escolher os novos integrantes do Parlamento Europeu. Por conta da crise essa eleição também será decisiva. A insatisfação da população com o aumento do desemprego e da desigualdade social é crescente e a tendência é que candidatos extremistas, de esquerda ou direita, ganhem espaço no parlamento. Dependendo da escolha nas urnas o parlamento poderá ficar mais instável o que se refletirá na escolha do Presidente da Comissão Europeia. Aparentemente isso não significa nada, mas alguns governos nacionais (como o da Alemanha), exigem que a escolha feita pelo parlamento seja aprovada por eles antes de ser validada. Por esse motivo, um parlamento mais radical fará com que a UE entre em pé de guerra. Os europeus irão ás urnas entre 22 e 25 de maio.

Na Índia cerca de 788 milhões de eleitores vão às urnas para eleger o primeiro ministro e os representantes do Lok Sabha (a câmara baixa do parlamento). O atual primeiro ministro, Manmohan Singh, está no poder desde 2004 e informou que não concorrerá pelo seu partido esse ano. O cenário indiano é dominado basicamente por dois partidos – o Partido do Congresso (UPA – United Progressive Alliance) e o Partido Bharatiya Janata (BJP) – o primeiro é o partido da coalizão do governo e o segundo é o principal partido de oposição. A decisão dos indianos nas urnas é importante porque desde que a UPA assumiu o poder houve expressiva previsibilidade e estabilidade nas políticas externas indianas, inclusive nas ações relacionadas ao BRICS. O discurso do BJP é bem mais nacionalista e não há como dar certeza de que a previsibilidade será mantida (Clique AQUI e veja a análise da USP). No ano passado entrou em cena o Partido Aam Adami (PAA) que, a partir de um movimento anticorrupção, ganhou cadeiras em Nova Déli. Pode ser que ele consiga ganhar espaço em âmbito nacional e conquistar cadeiras no Lok Sabha. As eleições indianas acontecerão entre abril e maio.

Ainda temos que ficar atentos ao desenrolar das eleições presidenciais no Afeganistão. O futuro do país está cada vez mais incerto e o próximo presidente terá que enfrentar o crescimento da força das tropas Taleban e a retirada das tropas internacionais do país. Outra preocupação é com o próprio sistema eleitoral, pois a tentativa de reforma feita em 2009 não acabou com os problemas de fraude, corrupção e falta de segurança para os votantes. Apenas 11 nomes, de uma lista de 27 pré-candidatos, foram aprovados. Entre eles está o irmão do atual presidente (Hamid Karzai), que não poderá concorrer ao terceiro mandato. A população afegã irá às urnas em abril.

No Iraque as eleições já começam com uma surpresa: O Supremo Tribunal Federal do país derrubou a lei que limitava o primeiro-ministro a uma única reeleição. Nouri al-Maliki está bastante animado com a possibilidade de um terceiro mandato, apesar de não ter maioria nas províncias. O próximo governante terá que enfrentar o aumento da violência e terá que lidar ainda com a crescente instabilidade no país. A eleições parlamentares acontecerão em abril.

Na Colômbia a população irá às urnas duas vezes. Primeiro para eleger os representantes do Congresso e, dois meses depois, para eleger seu presidente. O país passa por uma polarização política entre os que são contrários e os que são favoráveis à assinatura do acordo de paz com os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Esse movimento poderá ser intensificado com as votações, pois o ex-presidente Álvaro Uribe se candidatará ao senado para fazer oposição à assinatura do acordo defendida pelo atual presidente e candidato a reeleição Juan Manuel Santos. Uribe, por sua vez, apoia a candidatura do ex-ministro da Fazenda Óscar Iván Zuluaga, que aparece com poucas chances de vitória. As eleições parlamentares acontecerão agora em março e as presidenciais em maio.

Pela primeira vez após a morte de Mandela a África do Sul vai às urnas eleger um novo Parlamento e um novo presidente. Com a morte de seu maior expoente, o Congresso Nacional Africano – CNA (sim, é o nome do partido), poderá perder força nessas eleições. Jacob Zuma, o atual presidente, voltará a defender a bandeira do partido. Ainda assim terá que lutar contra a imagem controversa que os eleitores têm dele após se envolver em escândalos de corrupção e por conta do aumento da desigualdade social. O CNA enfrentará a oposição da Aliança Democrática liderada pela ex-prefeita da Cidade do Cabo, Helen Zille. Outros partidos como o Liberdade Econômica, o Agang e o África do Sul em Primeiro Lugar podem servir como elemento surpresa e acabar com a hegemonia do partido de Mandela. As eleições da África do Sul chamam a atenção pelo fato de o país ser uma das poucas democracias existentes no continente africano. As eleições acontecerão entre abril e junho.

Com a quarta maior população do mundo a Indonésia terá que eleger um novo presidente esse ano. A atual presidente, Susilo Yudhoyono, não poderá se reeleger pelo Partido Democrático, que não tem um nome forte para competir com o “Obama de Jacarta” do Partido Democrata. O apelido dado a Joko Widodo, governador de Jacarta, demonstra a preferência que o candidato poderá ter nas urnas. Apesar disso sua candidatura ainda não é dada como certa e pode haver alguma surpresa nas eleições. O próximo presidente terá que enfrentar o crescimento lento (as exportações da Indonésia são baseadas em commodities, assim como o Brasil) e a corrupção massiva. Os indonésios irão às urnas em julho.

No Uruguai José Mujica não poderá se reeleger, mas seu partido, a Frente Ampla (FA), ainda conta com a preferência dos eleitores, segundo pesquisas. O partido de Mujica poderá apresentar como sucessores a senadora Constanza Moreira ou Tabaré Vázquez, que antecedeu Mujica em 2005. Apesar disso, a oposição ainda pode se beneficiar pelo desgaste que dez anos de poder causaram a FA e retomar o poder com a força dos indecisos, que representam 15%  do eleitorado. A eleições uruguaias acontecerão em outubro.

Ufa, esse passeio pelo mundo foi longo, mas essas são algumas das eleições que você deve ficar de olho em 2014. Algumas delas podem afetar seriamente a estabilidade política ou econômica do mundo. Em outubro também vamos eleger nossos representantes e lembre-se de uma coisa:

OP

Por Ana Paula Ramos