Democracia?

Ainda sou bastante jovem e nunca tinha vivenciado um momento de instabilidade política, confesso que estou um pouco assustada com a proporção que cada comentário ganha. Imagino que isso seja muito novo até mesmo para quem já é velho de guerra porque a era da informação é uma coisa nova para todo mundo.

Hoje em dia não é mais possível derrubar um governo com meia dúzia de milicos marchando para a sede do poder executivo, a Turquia nos mostrou isso. Mas quando se consegue dividir a opinião pública a ponto de nenhum dos lados representar uma maioria que dite regras, as coisas ficam diferentes.

Para quem detém o poder o arsenal é bem variado, há os jornais de grande circulação, a TV, os blogs, as redes sociais e vários outros meios que são acessados por milhões de brasileiros diariamente. Outra coisa que pesa é que em tempos de Facebook e Twitter parece que pega mal você não exprimir opinião sobre o assunto do momento mesmo que você nunca tenha ouvido falar daquilo até então.

Todo mundo é livre para falar o que quiser, claro, mas eu fico impressionada com a falta de cuidado com a apuração dos fatos e com o excesso de paixão com que argumentos frágeis são defendidos. Talvez repetidos seja uma palavra que se encaixe melhor porque quando se tenta aprofundar o debate, a maioria das pessoas não sai do lugar comum e da superficialidade.

A situação que vivemos hoje no país é bastante complicada e não há donos da verdade, não há lado que valha a pena defender e, apesar de um dos lados falar insistentemente que luta pela democracia, o que está em jogo são interesses individuais. Vejo com clareza que o final dessa história já está escrito, mas surpresas podem acontecer, mesmo que seja improvável.

Para mim, a lição que fica é a de que ainda temos muito o que aprender sobre democracia, argumentação e embasamento de ideias porque quando um país inteiro é ludibriado por uma pequena parcela que está no poder é sinal de que ainda precisamos avançar no entendimento das ações dos nossos governantes. E mais do que só entender, precisamos fiscalizar, já que os poderes só o fazem quando estão com o orgulho ferido ou quando alguém com força e apoio suficiente resolve tomar a função para si, mas de forma completamente enviesada.

Tenho certeza que alguns vão dizer que a democracia brasileira estará morta no fim do dia de hoje. No auge da minha juventude arrisco dizer que nunca soubemos como ela é de fato, uma vez que vivemos em um modelo de fantasia desde que um certo milico resolveu proclamar a república movido pelos interesses da elite da época.

O episódio de hoje serve para mostrar que nada mudou, pequenos grupos continuam fazendo o que querem com o país e, apesar de ter ganhado voz na internet, o povo brasileiro ainda não consegue usar a força que tem. Precisamos aprender que discursos não garantem muita coisa quando são proferidos por políticos, eles se preocupam em dizer as palavras certas (em nome da moral e dos bons costumes) para o momento, não o que pensam e nem o que é correto.

Hoje eu ainda não sei dizer o que precisamos fazer para não sermos mais enganados dessa forma, mas tenho certeza que está na hora de refletir para tentar ver onde foi que erramos…

OP

Por Ana Paula Ramos

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Bel Pesce e o poder da Internet

Essa semana um dos fatos que movimentou a internet foi o Crowdfunding criado pela Bel Pesce para a divulgação da hamburgueria Zebeléo, que ela, o Zé do blog Do Pão ao Caviar e o Léo, vencedor do 3º Masterchef estão abrindo. Se você não sabe nada do que estou falando, eu explico.

zebeleo

Após a final do programa da Band, cujo vencedor foi um dos sócios da empreitada, todo mundo tomou conhecimento do Crowdfunding (fundo de financiamento coletivo) que eles tinham feito para a hamburgueria. Não cheguei a ver o texto que eles usaram para motivar a campanha, porque fiquei sabendo do que estava acontecendo por uma notícia do HuffPost que um amigo mandou num grupo do Telegram.

Imagino que muitos tenham sabido da aventura da mesma forma que eu ou pelo Twitter, porque depois que esse post caiu na rede social, tomou uma proporção enorme que acabou levando os três sócios a desistirem da empreitada. Nessa outra matéria do HuffPost você consegue ver alguns comentários que foram feitos pelos usuários e você vai entender como a rede é terra de ninguém.

Tudo chega ao Twitter, e com uma velocidade incrível coisas pequenas podem se tornar uma bola de neve, claro que de cara também não achei lá muito adequada a ideia de financiar uma hamburgueria de pessoas que poderiam conseguir outra forma de arrecadação, mas percebi que a maior parte das críticas centrava-se no fato de Crowdfunding ser usado para dar vida a projetos sociais, não a negócios.

Aqui entra a primeira ponderação que fiz quando vi as notícias: “Pô, a Bel Pesce é meio grilo feliz, mas ela sabe o que ela tá fazendo, né?! Ela não ia usar a plataforma errada para viabilizar o negócio dela, eu acho.” Assim, bem incerta mesmo, porque eu achei a matéria bem sarcástica e costumo não gostar de cara de matérias como essa, porque a parcialidade do jornalista fica muito na cara…

Aí resolvi pesquisar o conceito e vi que logo de cara o financiamento coletivo é usado para criar projetos que deem retorno para a sociedade. Então apesar da prática de usar para projetos sociais, poderia não ser um pecado usar para outras ideias, desde que tragam retorno para sociedade. Logo de cara não consegui imaginar o que eles entregariam de volta e como a resposta deveria estar na própria campanha fui atrás, mas me deparei com a nota da Bel Pesce dizendo que ia encerrar o projeto deixando claro ali qual seria a contrapartida que a hamburgueria inovadora promoveria.

Mas colocar na nota é uma coisa, né?! Será que isso estava claro para qualquer um que tivesse acesso a campanha? Quando abri a página, o vídeo de divulgação ainda estava no ar e pude assistir aos 8 minutos para ajudar a formar minha opinião. Eles usaram metade do tempo para apresentar cada um e dizer como os três se conheceram, depois mostraram como surgiu a ideia da hamburgueria e que queriam trazer muita inovação com ela. Por fim, a Bel entra em cena para dizer que a ideia era multiplicar o conhecimento adquirido no processo para ajudar pessoas que tem ideias empreendedoras a abrir o próprio negócio.

Opa! Isso pode ser considerado retorno para a sociedade, né?! E confesso que achei bem diferente, já que normalmente as pessoas estão preocupadas em manter o negócio vivo e não em multiplicar o conhecimento que vão ganhando com as experiências que passam. Mesmo sem ter acesso ao texto completo da campanha eu continuei achando que o foco tinha que ter sido maior nessa parte e não na maneira como eles se conheceram, mas eu nem sou comunicadora, então resolvi pesquisar um pouco mais para tentar entender essa loucura.

Nesse ponto eu já sabia o conceito, já vi que eles tinha errado na forma de apresentação, mas que cumpriam com o princípio básico do financiamento coletivo. Ainda assim é bem estranho ver um negócio sendo financiado dessa maneira… Parece que você vai estar botando grana em uma coisa que nem é sua e vai dar lucro para outros, é bem louco mesmo.

Foi aí que descobri que existe uma coisa chamada Equity Crowdfunding, que tem basicamente a mesma ideia, mas em vez de consumidor de um produto você passa a ser investidor em um negócio. E existem plataformas específicas para isso como a do link ali de cima. Essa modalidade já está em vigor no Brasil desde 2010 e, nos EUA, foi autorizada pela CVM de lá no fim do ano passado.

Ou seja, os níveis de investimento podem ser levados a outros níveis por essa modalidade, mas ficou claro pela nota da Bel que não era esse tipo de investimento que eles queriam e que o conceito de Crowdfunding vai além de vaquinha digital. Onde eu quero chegar com tudo isso? Na velha história de que brasileiro (não estou excluindo o resto do mundo, mas não sei dizer como a sociedade de outros países funciona, desculpa aí faltou intimidade) não corre atrás de informações concretas antes de emitir opinião.

O grupo que o amigo enviou aquele link da matéria sarcástica fervilhou de debates da noite de quinta até sexta a tarde, porque eu não conseguia aceitar no meu coração que uma pessoa conhecida por disseminar o empreendedorismo apostaria tão errado em um negócio. Mas o fato é: o trio pecou em vários aspectos, principalmente por não trabalhar a ideia de que o financiamento coletivo não é só para projeto social, uma coisa já bastante difundida fora do país.

Mas o que nós vimos de novo foi uma enxurrada de críticas que, na maioria dos casos, era só por repetição, não fruto de uma pesquisa mais aprofundada sobre o tema. E como tudo no mundo é interligado (tô interiorizando essa ideia) isso serve para mostrar porque a nossa situação política é tão complicada. Estamos acostumados a formar opinião pelo que os outros falam não por investigação em várias fontes aí quando criticamos, não sabemos defender nosso argumento com propriedade porque eles não são nossos, são apenas reprodução de algo que aparentemente faz sentido. O problema é que é apenas um dos lados e não um quadro mais completo da situação.

Por isso quero deixar registrado aqui que o problema, caro leitor, não é criticar a hamburgueria da Bel Pesce, e sim a forma que você embasou seus argumentos. E isso serve para qualquer tema da vida, principalmente a política, onde os meios de comunicação muitas vezes pertencem aos que são alvo da matéria ou são alimentados por informações que um político ou outro acha que deve divulgar para se promover ou para derrubar algum adversário.

Em tempos de Twitter, falar é muito legal, mas falar com propriedade é habilidade para poucos.

Por Ana Paula Ramos

Câmara em Movimento

A Câmara Legislativa do Distrito Federal está com um projeto chamado Câmara em Movimento. O objetivo é levar sessões da Câmara a várias cidades do DF. Na primeira edição, de fevereiro, a sessão foi levada a Rodoviária do Plano Piloto e a segunda edição acontecerá amanhã na Ceilândia.

A partir das 15h, os deputados estarão em frente ao restaurante comunitário da cidade. A escolha tem relação com o aniversário da cidade, que será sexta feira. Depois de seguir a pauta do dia, a sessão será transformada em audiência pública para ouvir as reivindicações dos moradores.

Se você é da cidade e tem algo, que entra nas competências de legislar da Câmara, para reclamar ou reivindicar encaminhe-se ao local da sessão que você tem grandes chances de ser ouvido.

Achei a iniciativa bem interessante, mas ainda não conheci ninguém que tenha ido para saber como foi e se ela realmente é interessante para a população. Se você for ou conhecer alguém que foi, peça para compartilhar a experiência aqui nos comentários ou pelo e-mail do blog!

Boa sessão aos que forem!

Por Ana Paula Ramos.

Sobre panelaço, elite branca e varandas gourmet

Meu namorado me mostrou esse texto e resolvi compartilhar porque ele reflete o meu sentimento com relação a reação do governo ante ao descontentamento da população. Eu sei que hoje a pauta é a manifestação, mas vamos voltar um pouco no tempo e lembrar dos panelaços que algumas cidades, como a minha, viveram no último dia 8.

Eu não bati panela e nem fui a manifestação porque não concordo com o impeachment, na verdade ao acompanhar pela TV percebi que perdi uma boa oportunidade de manifestar minha insatisfação porque essa não foi a bandeira principal, pelo menos aqui em Brasília.

Mas enfim, estou descontente com o governo pelos desvios da petrobrás, pela mentirada durante as eleições, pela tentativa de continuar escondendo sua própria incompetência para conduzir a economia, pela inflação que faz as compras do mês ficarem cada vez mais caras, pelo aumento da energia, pelo assalto dos postos de gasolina, pela dificuldade em agir para salvar a petrobras no mercado financeiro, pela diminuição dos investimentos em educação apesar da afirmação de que somos uma pátria educadora, pelo perdão aos mensaleiros,  por uma lista de coisas que não para de crescer.

Outra coisa que me deixa indignada é essa divisão entre: conformados = petralhas, inconformados = coxinhas; Gente, somos bem melhores do que isso, todo mundo concorda que a situação não está fácil para ninguém e que não tem nada a ver com a ascensão social de seu ninguém. Tem a ver com a perda de poder de compra do real e com serviços básicos que quando são oferecidos não tem qualidade.

Eu sou branca, se é que alguém nesse país pode dizer isso, mas não sou elite e acho que o impeachment traria mais problemas que benefícios a nossa nação. Primeiro porque não temos ideia de quem poderá assumir as rédeas da situação e segundo porque para a economia esse seria o golpe final. Não precisamos adicionar instabilidade política ao nosso cenário já tão volátil.

Precisamos de respeito e de um governo que assuma seus erros e não só seus acertos. Que reconheça que a culpa não é só da crise internacional e que as atitudes não tomadas nos últimos quatro anos contribuíram para o aprofundamento da nossa crise interna.

Nossa situação não é simples e parem de cair nessa pilha de que quem critica o governo tá achando ruim porque os aeroportos foram ampliados e pobre viaja de avião. Ninguém está dando a mínima para isso, ninguém ia bater panela enquanto a presidente fala por uma razão tão pífia e também não iria juntar um milhão em SP e mais uma porrada de gente Brasil a fora, em TODAS as regiões independente da quantidade de manifestantes e da cidade. Até porque não foram só as capitais que tiveram manifestações, alguma cidades interioranas também.

Então não sejam simplistas e rotuladores, nossa situação precisa de bem mais do que isso.

Desabafo feito, leiam esse texto de um dono de varanda gourmet e me digam o que vocês acham do motivo que o levou a bater panela no dia 8. O nome do autor é Cesar Manieri e você pode acessar o texto original no blog dele AQUI:

Eu sou sou proprietário de um apartamento com “varanda gourmet”. Esta semana eu li nos sites de notícias e vi comentários de amigos em redes sociais sobre isso e acabei refletindo a nossa atual situação neste país. Sim, moro em um apartamento com “varanda gourmet” e bati panela também, mas após ler um monte de bobagens sobre o panelaço, uma tristeza invadiu meu coração e foi grande quando percebi que fui cerceado do meu direito de ser um digno proprietário de um apartamento com “varanda gourmet”. Porque fiquei tão triste e totalmente sem esperança de viver em um país decente? Vou contar minha história, que deve ser muito parecida com quase todos os dignos proprietários de “varandas gourmet” espalhadas pelo país. Foi assim: Meus antepassados e avós paternos foram imigrantes que vieram da Itália no fim do séc. XIX início do séc. XX. Vieram fugindo da fome e da guerra. Fugiram do nazismo e do fascismo que despertava naquele continente. Meus avós paternos se estabeleceram no interior do Paraná. Na “terra rossa”. Passaram fome, enfrentaram doenças enquanto criavam os filhos. Meus avós maternos já nasceram no Brasil do inicio do século XX. Minha avó materna veio de uma família que aparentemente tinha posses, mas por conta da guerra, perderam parte do que tinham. Por isso, minha avó materna (que era descendentes de índios), para fugir do assedio do padrasto, aos 13 anos se casou com o meu avô (que era descendente de africanos mas de origem misteriosa). Ele já tinha mais de 25 anos com certeza. Meus avós paternos tiveram 8 filhos e os maternos 18 (5 morreram). Entre toda essa turma, nasceram meu pai e minha mãe. Todos trabalharam na roça. Todos tiveram muitos filhos. Gente simples. Meu pai veio para São Paulo em 1945 com 13 anos e logo começou a trabalhar nas indústrias da capital. Minha mãe fez o mesmo trajeto e veio trabalhar nas casas das famílias quatrocentonas abastadas dos barões do café e nos palacetes e grandes apartamentos dos industriais paulistanos. Meu pai era técnico de elevadores e por uma coincidência do destino conheceu minha mãe quando ele estava consertando um elevador de um dos prédios onde ela trabalhava. Meu pai trabalhou por 45 anos para nos educar, eu e meus 2 irmãos e minha irmã. Começou construindo sua casa na periferia de São Paulo. Era um porão úmido construído em uma rua lamacenta fruto do loteamento do haras Patente na divisa com São Caetano do Sul. Com apenas o ensino fundamental, sabia que precisaria estudar e trabalhar muito para levantar a casa dele. E foi o que ele fez. Se preparou, estudou e se tornou um ótimo técnico eletrônico e eletricista. Homem correto. Minha mãe lutadora e dona de casa. Meu pai era metalúrgico e do sindicato e já me dizia nos anos 70 sobre a “índole de filho da puta” de muitos de seus integrantes, inclusive do Lula. Meus pais criaram os 4 filhos. Suaram, correram, choraram. Eu segui seus passos com dignidade e retidão. Da minha mãe herdei a força da luta diária, da resignação e da resiliência, do amor a família. Eu trabalhei duro durante 30 anos, estudei tudo que podia, mas estudar nunca é demais, me preparei como meu pai. Construi minha vida assim, como meus pais me mostraram. Trabalhei duro. Por mérito meu e da minha esposa, conseguimos comprar nosso apartamento com “varanda gourmet”  para criar nossos filhos. Paguei cada centavo, cada juro extorsivo e abusivo cobrado pelos bancos. Recentemente fui demitido da indústria, que está ultimamente fracassada nesse país. Então, ouvindo um chamado, a minha voz, resolvi empreender e no momento que nossa pequena empresa iniciou a decolagem fomos surpreendidos por toda essa merda de cenário atual e por toda essa turbulência política. Foi ai que chegamos no dia 8 de Março de 2015. Cento e quinze anos depois da chegada dos meus avós ao Brasil fugindo da crise da Europa. E após ler argumentos de jornalistas de “peso” sobre a “elite branca” que protesta contra a presidente do Brasil e seu partido energúmeno, fiquei profundamente sem palavras. Sim, eu fui ofendido, pois para eu estar aqui na “varanda gourmet” derramei muito suor. Abri mão de muita coisa e muitas vezes escolhi trabalho extra pra ter o que tenho. Não aceito ser tolhido do meu direito de mandar todos os políticos e pessoas corruptas, seus corruptores, a Dilma, o Lula , o PT, Aécios , os comunistas, idiotas úteis e afins e todos os seus simpatizantes Tomar no meio do Cu. Tenho o direito de expressar meu sentimento de indignação e dor. Mando e vou mandar sempre que eu for desrespeitado como brasileiro honesto, trabalhador e cumpridor dos meus deveres. Eles ofendem meus antepassados e meus descendentes. Eles desrespeitam meus antepassados que viveram e morreram para que eu pudesse ter meu apartamento com “varanda gourmet”. Não aprendi a xingar em casa no seio da família. Meus pais me ensinaram o respeito ao próximo, os valores e as condutas morais e  virtuosas e me deram a liberdade de crer em Deus. Me ensinaram a não pegar nada de ninguém. Pecado gravíssimo. Uma desonra. Aprendi a xingar nas ruas lamacentas e nos terrenos baldios cheios de mato do Jardim Patente quando era desrespeitado em meus simples direitos de moleque de rua, mas mesmo assim sabíamos quando xingar. Tínhamos nosso código de ética. Nunca usarei meu direito de xingar em vão. Portanto, políticos corruptos e seus corruptores e todos os vendidos que apoiam a situação atual, que nem chegaram a condição de merda humana, seus peidos fracassados, lavem a boca antes de falar sobre quem literalmente construiu e constrói esse país, que somos nós, as famílias brasileiras, que criam seus filhos, que tem valores, princípios e conduta moral, que tem história de luta verdadeira, que não tem nada de revolucionária, coisa que vocês, donos do poder, não tem nem ideia do que seja. Ou se tiveram um dia, já se esqueceram, iludidos pela ganancia do poder e pelo dinheiro fácil.

O que acharam?

Por Ana Paula Ramos.

Brasil, Pátria dos desvios

As declarações da Lava Jato continuam dando o que falar e dessa vez quem deixou uma pérola foi o presidente interino do Conselho de Administração da Camargo Corrêa, Celso Ferreira de Oliveira. Na última quinta ele foi chamado para depor como testemunha em audiência da operação que aconteceu Curitiba.

Só para dar uma clareada, alguns executivos da empresa foram presos pelos policiais da operações por desvio de dinheiro, por isso o atual presidente precisou atuar como testemunha. O fato é que durante o depoimento ele estava contando que o Conselho só tomou alguma providência sobre o assunto após as prisões. Até aí tudo bem, mas ao explicar que está sendo feita uma auditoria ele solta:

É normal uma companhia que chegou a ter 70 mil pessoas ter desvios em projetos.

Eu sei que algumas coisas que eu falo aqui mostram o quanto eu pareço sonhadora, mas é um fato que a corrupção é uma doença crônica no nosso país e sabendo do nosso comportamento diário nós tendemos a acreditar que ele está certo. Que é impossível para uma empresa grande ou para um país das nossas proporções ter gente honesta e que não tenta se beneficiar a todo custo.

Não sei se isso vai mudar, mas eu gostaria que as pessoas não considerassem desvio de dinheiro público uma coisa normal. Nossas leis não servem para muita coisa, mas elas estão aí para provar que normal é não haver esse tipo de comportamento, pois não seria necessário ter penalidade para quem comete esse tipo de crime. Mas as pessoas acham que ser esperto é passar pessoas para trás e colocar cada vez mais dinheiro no próprio bolso e isso me entristece.

Quem sabe um dia as pessoas vão perceber que trabalhando em prol da maioria todos ganham?

Menos egoísmo e mais amor, por favor.

Hoje estou poética Hahahaha

Por Ana Paula Ramos

Pique esconde

Parece que a novela da operação Lava Jato ainda nem começou, desde que o ministro Teori Zavascki recebeu o pedido de quebra de sigilo dos nomes investigados nossos políticos estão incomodados. O Congresso em peso é terminantemente  contra a liberação dos nomes e a opinião pública é extremamente a favor.

Teori

A mídia está acompanhando o ministro de perto, é capaz até de dizer quantas vezes por dia ele vai ao banheiro, mas parece que a decisão sairá hoje. Na verdade não sei qual é o prazo limite de Teori, mas imagino que o ministro deva estar se sentindo entre a cruz e a espada. Não deve ser fácil tomar essa decisão que pode contrariar a opinião pública ou as pessoas que o colocaram no cargo que ocupa. O que eu sei é que a decisão terá que ser muito bem fundamentada juridicamente porque provavelmente choverá recursos.

Outra decisão que chamou bastante atenção essa semana foi a do nosso procurador geral da república de pedir arquivamento das investigações contra Aécio Neves e Dilma Rousseff. Prefiro acreditar que de fato ele não deveria ter provas suficientes para indiciar os dois a pensar o que pode ter acontecido por baixo dos panos, mas confesso que a declaração do Aécio de que esse arquivamento foi uma homenagem a ele me deu náuseas.

Vamos deixar uma coisa bem clara aqui:

Homenagem:

1. [História] Juramento de fidelidade que prestava ao soberano o vassalo que recebia feudo.

2. Demonstração de veneração e respeito.

3. [Militar] Lugar que assinala a um detido para poder andar em liberdade

Como o que o PGR Rodrigo Janot fez não foi nenhuma das coisas acima, não existiu homenagem, foi muita conversa ou falta de embasamento jurídico. Nossos políticos deveriam saber escolher melhor as palavras que usam…

O fato é que Yousseff ouviu dizer que Aécio recebeu propina, mas como ele nunca esteve em contato com o senador parece que a polícia não encontrou provas do desvio. O que eu sei é que as vezes onde há fumaça, há fogo. Claro que Aécio fala que a declaração foi uma tentativa do governo de envolver a oposição no esquema da Lava Jato e isso gerou uma onda de insatisfação no Planalto e o porta voz nomeado para dar a resposta foi o ministro da justiça, José Eduardo Cardozo. O ministro disse que achou a declaração de Aécio deplorável e soltou a pérola:

Se no passado governos fizeram isso, este governo não faz (…) Não nos meçam por réguas antigas

Se a gente fingir que nunca existiu mensalão a afirmação pode até se tornar verdadeira… Mas óbvio que a história não parou por aí e Aécio rebateu novamente a declaração dizendo que Cardozo tem agido cada vez mais como militante partidário e como advogado de defesa do PT do que como ministro da Justiça.

Para quem não lembra, o ministro se reuniu em fevereiro com os advogados de algumas empreiteiras para discutir o futuro dos clientes que estão presos na PF de Curitiba. A única coisa que eu sei é que quanto mais se mexe nessa história, mais ela fede.

A impressão que tenho é que a pista de um doleiro levou a um esquema tão grande que nem a própria polícia esperava. Quem podia imaginar que no meio do processo eleitoral seria descoberta a fonte de financiamento de campanhas dos nossos queridos candidatos? Claro que o Congresso inteiro está apreensivo e querendo abafar o maior número de informações possíveis, mas será que isso será suficiente? Será que a PF e o Ministério Público terão forças para enfrentar peixes graúdos?

Acho que o mensalão foi um teste bom, mas a Lava Jato tem proporções bem maiores porque não envolve apenas um partido ou o governo. Envolve a essência da farsa das eleições. Quem quiser entender um pouco do que tô falando pode ler o livro O nobre deputado, do juiz Marlon Reis. No livro ele cria um personagem fictício e explica como funciona o financiamento de campanha. Aposto que depois que você ler, a Lava Jato vai fazer mais sentido na sua cabeça.

Por Ana Paula Ramos

Política sem Mistério

Minha mãe me deu uma dica de canal do youtube bem interessante há um tempo e resolvi compartilhar aqui. Vocês já ouviram falar no Política sem Mistério? É um canal criado pelo deputado Mário Monti com o objetivo de esclarecer em vídeos curtos pontos específicos e meio obscuros da nossa política. Dá uma olhada no vídeo abaixo que ele fala sobre O que é política

Tem muitos outros vídeos interessantes no canal sobre muitos outros temas como o funcionamento dos ministérios, o que é a licitação, medida provisória, enfim muitos outros e dois que chamaram bastante minha atenção:

– O que faz um deputado

– Como cobrar os deputados

Óbvio que também fiz meu dever de casa e pesquisei o perfil do deputado. Você pode clicar AQUI para ver o site dele. Você vai descobrir que ele foi eleito por São Paulo na eleição do ano passado, que ele foi eleito prefeito da cidade dele com 21 anos e foi o prefeito mais novo do Brasil. Fiquei pasma com isso também, ainda mais porque hoje ele já está com mais de 50 e continua na política. Até hoje a gestão dele na prefeitura é considerada uma das melhores de São Manuel, claro que não sei se é verdade porque não conheço ninguém da cidade, mas é o que está escrito no perfil dele.

Não encontrei nada que o vincule a algum ato de improbidade administrativa, o que já é bem interessante. Ele é do PR-SP e faz parte da base aliada ao governo. Observei que ele começou com essas postagens em outubro de 2013, considerando que ele teve quatro mandatos como deputado federal e não conseguiu se eleger em 2010 talvez tenha sido a maneira que ele encontrou de ganhar visibilidade no estado. Tanto que as visualizações dos vídeos são bem baixas, mas as postagens foram interrompidas em junho do ano passado provavelmente porque a agenda eleitoral não dava espaço para a gravação dos vídeos.

Para a minha surpresa os vídeos voltaram a ser gravados em dezembro do ano passado e no período pós eleição o canal já tem quatro postagens. Resolvi compartilhar por conta disso, talvez o interesse não seja apenas eleitoral e como os vídeos são bem didáticos vale a pena conferir. Claro que ele não esgota os assuntos que trata, porque você não vai saber tudo sobre os três poderes em 4 minutos, mas já é um começo e dá uma noção bem legal dos mais diversos assuntos políticos. Clica AQUI para acessar o canal!

Por Ana Paula Ramos