Câmara em Movimento

A Câmara Legislativa do Distrito Federal está com um projeto chamado Câmara em Movimento. O objetivo é levar sessões da Câmara a várias cidades do DF. Na primeira edição, de fevereiro, a sessão foi levada a Rodoviária do Plano Piloto e a segunda edição acontecerá amanhã na Ceilândia.

A partir das 15h, os deputados estarão em frente ao restaurante comunitário da cidade. A escolha tem relação com o aniversário da cidade, que será sexta feira. Depois de seguir a pauta do dia, a sessão será transformada em audiência pública para ouvir as reivindicações dos moradores.

Se você é da cidade e tem algo, que entra nas competências de legislar da Câmara, para reclamar ou reivindicar encaminhe-se ao local da sessão que você tem grandes chances de ser ouvido.

Achei a iniciativa bem interessante, mas ainda não conheci ninguém que tenha ido para saber como foi e se ela realmente é interessante para a população. Se você for ou conhecer alguém que foi, peça para compartilhar a experiência aqui nos comentários ou pelo e-mail do blog!

Boa sessão aos que forem!

Por Ana Paula Ramos.

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E se mudarmos o olhar?

Essa semana fiquei olhando os textos de opinião em busca de algo que pudesse me dizer o que podemos esperar dos nossos governantes após as manifestações do dia 15. Claro que a gente espera que nossos problemas sejam resolvidos, mas costumamos colocar tudo na conta da presidente esquecendo que nos estados existem Chefes do Executivo também…

Nessa procura achei um texto do Renato Janine, no Jornal Valor Econômico, e ele tentou lançar uma nova hipótese para que possamos pensar e analisar a situação de Dilma. Confesso que nunca tinha olhado as coisas sob essa lente e acho que vale muito a pena ler e dar o benefício da dúvida a essa nova conjectura.

Não a assumo como verdade, mas acho que é uma hipótese possível, como várias outras. Lança uma luz diferente sob a incapacidade de governar de Dilma e nos faz pensar como esse é o objetivo principal do blog compartilho o texto com todos para que discordem, concordem ou criem suas próprias análises:

Será que desejamos o Impossível?

Por Renato Janine, no Valor Econômico

Queremos um governo que seja eficiente e honesto, mas sabemos que ter as duas coisas é bem difícil no Brasil de hoje

Um princípio básico da ciência é que, quando uma hipótese não explica os fenômenos, devemos procurar outra que dê melhor conta deles. Este princípio me ocorreu há poucos dias. Afinal, quase todos os analistas, eu inclusive, temos criticado a presidente da República por seu estilo de pouca negociação. Até ficamos espantados: como sobe à presidência alguém que ignora princípios tão elementares? Mas aí parei. Nunca é bom apostar na ignorância ou inépcia daquele a quem criticamos. Pode ser que Dilma Rousseff erre sim ao não negociar, ao não fazer política. Só que…

Se isso não for óbvio? Se nosso ponto de partida estiver errado?

Durante milênios, os homens acreditaram que os astros, inclusive o sol, giram em torno da Terra. Só que, desse jeito, alguns astros têm um movimento estranho, irregular, e até mesmo retrogradam. Já com a astronomia moderna, heliocêntrica, os movimentos dos planetas – inclusive a Terra – em torno do Sol descrevem órbitas mais regulares. Essa, a lição científica: se os resultados soam absurdos, devemos questionar a hipótese de que partimos. No caso, em vez de pensar que Dilma ignora o mais elementar da razão e da política, indagar o que ela efetivamente pretende.

Dá para governar bem e ser honesto no Brasil?

No seu primeiro ano de governo, Dilma demitiu todos os auxiliares acusados de corrupção. Foi aplaudida. Mas logo começaram a questioná-la: por que não fazia alianças? Porque não gostava dos políticos? ou, sei lá, da própria politica? Só que, num País em que tantos políticos importantes são suspeitos de corrupção, negociar com eles o que significa? Podemos ter decência no exercício do poder e, ao mesmo tempo, trânsito livre pelo mundo dos políticos?

Essa é a realidade atual, que precisa mudar, mas isso não será fácil. E se Dilma for representativa de nosso desejo difuso de uma política competente e sem corrupção? Ela se irrita, sim, com quem está a sua volta, o que politicamente é inábil, mas isso porque cobra eficiência. E isolou a família da política. Nem ela nem os familiares despertam suspeitas de favorecimento pessoal. Pode até governar mal, só que detestando a corrupção e a ineficiência. Mas basta detestá-las para superá-las?

A hipótese passa a ser: e se o “momentum” Dilma for exatamente a tragédia mais representativa daquilo que desejamos? Se o problema não estiver nela, mas em nós? Em nós, analistas da política e cidadãos, que pretendemos o melhor de dois mundos: eficiência e honestidade.

Pode haver governabilidade, no Brasil de hoje, sem corrupção? Podemos ter governabilidade sem negociações e alianças, que vão ao limite de nossa irresponsabilidade?

Para não ficarmos num só partido, lembremos a rebelião do PCC em São Paulo em 2006, quando a quadrilha paralisou a cidade por alguns dias. A situação só foi resolvida quando o governo estadual – que é do PSDB – negociou com o PCC e cedeu. Meticulosamente, deletamos este passado (embora ainda presente) de nossa memória.

E ouvi de Drauzio Varella que desde o massacre do Carandiru em 1992, ocorrido no governo do PMDB, a polícia não entra nos presídios do Estado. São geridos pelo crime. Isso é inadmissível. Mas assim baixa a violência nas cadeias e mesmo o crime fora delas.

Essa mistura de bem e mal, de resultados positivos e meios obscuros para consegui-los, merece atenção. Porque lavamos as mãos. Denunciamos a corrupção e queremos que as leis passem no Congresso. Mesmo na ditadura, isto é, num REGIME em que o Congresso pouco decidia, o assessor presidencial Heitor de Aquino dizia, quando ia negociar a aprovação de decretos-leis pelos parlamentares, que ia abrir o “barril de peixe podre”. Imagina-se o odor. Fingimos que ele não existe, ou que nasceu ontem.

Uma vez, estive na antessala de uma pessoa com certo poder. Faltava água no seu prédio. Ouvi a secretária telefonar a alguém: “Não quero saber como, mas você tem que resolver o problema em duas horas”. Pensei que era uma forma de exigir eficiência e presteza. Mas depois entendi que esse bordão serve para colocar o encarregado à margem da lei. Vire-se. Se violar a lei, viole. Mas eu lavo as mãos. “Não quero nem saber!”

E se Dilma tiver a mesma convicção que o povo brasileiro? Se também quiser o fim da corrupção e, ao mesmo tempo, um governo eficiente? Se sua aversão aos políticos for porque não crê na sua honestidade, nem competência? Neste caso, não a estaremos condenando, exatamente porque tem os mesmos propósitos da maioria da sociedade?

Esta é uma hipótese. Não justifica a presidente, no sentido de aprová-la e apoiá-la. Ela deveria dialogar, se não com a categoria política, certamente com a sociedade. Mas a hipótese talvez explique os fenômenos, isto é, a ação – e inação – de Dilma, melhor do que a suposição de que ela é inepta politicamente. E cabe perguntar se a psicanálise não ajuda a entender o ódio crescente a ela. Ódio ao outro é projeção de ódio a si mesmo (simplifico, claro). Talvez ela cause tanta rejeição porque nos mostra, às escâncaras, um dilema que queremos esconder de nós. Queremos a honestidade sem pagar o preço por ela. Pensamos que a honestidade dos políticos, quando vier, vai nos cumular de bençãos. O dinheiro que é roubado da sociedade virá a nós como as fontes de leite e mel da Terra Prometida. Esquecemos que chegar a isso dá trabalho, e que também terão que acabar muitas condutas nossas, “informais” dizemos às vezes, imorais ou ilegais. Mas, sobretudo, esquecemos que reformar a política não é só dos políticos. Demanda esforço de quem os elege, e esse esforço não se resume em raiva, menos ainda, insultos.

Confesso que achei o texto muito bem escrito e com uma construção de ideias que não me deixou dúvidas de que isso nada mais é que a criação de uma hipótese, o autor não me passou a impressão de querer enfiar essa opinião goela abaixo e nem de que ele próprio acredita nisso com afinco. Passa a ideia de que isso poderia acontecer porque como ele mesmo falou, governar no Brasil com honestidade é uma coisa muito complicada pelo fato de haver uma relação de dependência entre os poderes.

Acrescentei essa nova linha de pensamento no meu caderninho.

Por Ana Paula Ramos.

Sobre panelaço, elite branca e varandas gourmet

Meu namorado me mostrou esse texto e resolvi compartilhar porque ele reflete o meu sentimento com relação a reação do governo ante ao descontentamento da população. Eu sei que hoje a pauta é a manifestação, mas vamos voltar um pouco no tempo e lembrar dos panelaços que algumas cidades, como a minha, viveram no último dia 8.

Eu não bati panela e nem fui a manifestação porque não concordo com o impeachment, na verdade ao acompanhar pela TV percebi que perdi uma boa oportunidade de manifestar minha insatisfação porque essa não foi a bandeira principal, pelo menos aqui em Brasília.

Mas enfim, estou descontente com o governo pelos desvios da petrobrás, pela mentirada durante as eleições, pela tentativa de continuar escondendo sua própria incompetência para conduzir a economia, pela inflação que faz as compras do mês ficarem cada vez mais caras, pelo aumento da energia, pelo assalto dos postos de gasolina, pela dificuldade em agir para salvar a petrobras no mercado financeiro, pela diminuição dos investimentos em educação apesar da afirmação de que somos uma pátria educadora, pelo perdão aos mensaleiros,  por uma lista de coisas que não para de crescer.

Outra coisa que me deixa indignada é essa divisão entre: conformados = petralhas, inconformados = coxinhas; Gente, somos bem melhores do que isso, todo mundo concorda que a situação não está fácil para ninguém e que não tem nada a ver com a ascensão social de seu ninguém. Tem a ver com a perda de poder de compra do real e com serviços básicos que quando são oferecidos não tem qualidade.

Eu sou branca, se é que alguém nesse país pode dizer isso, mas não sou elite e acho que o impeachment traria mais problemas que benefícios a nossa nação. Primeiro porque não temos ideia de quem poderá assumir as rédeas da situação e segundo porque para a economia esse seria o golpe final. Não precisamos adicionar instabilidade política ao nosso cenário já tão volátil.

Precisamos de respeito e de um governo que assuma seus erros e não só seus acertos. Que reconheça que a culpa não é só da crise internacional e que as atitudes não tomadas nos últimos quatro anos contribuíram para o aprofundamento da nossa crise interna.

Nossa situação não é simples e parem de cair nessa pilha de que quem critica o governo tá achando ruim porque os aeroportos foram ampliados e pobre viaja de avião. Ninguém está dando a mínima para isso, ninguém ia bater panela enquanto a presidente fala por uma razão tão pífia e também não iria juntar um milhão em SP e mais uma porrada de gente Brasil a fora, em TODAS as regiões independente da quantidade de manifestantes e da cidade. Até porque não foram só as capitais que tiveram manifestações, alguma cidades interioranas também.

Então não sejam simplistas e rotuladores, nossa situação precisa de bem mais do que isso.

Desabafo feito, leiam esse texto de um dono de varanda gourmet e me digam o que vocês acham do motivo que o levou a bater panela no dia 8. O nome do autor é Cesar Manieri e você pode acessar o texto original no blog dele AQUI:

Eu sou sou proprietário de um apartamento com “varanda gourmet”. Esta semana eu li nos sites de notícias e vi comentários de amigos em redes sociais sobre isso e acabei refletindo a nossa atual situação neste país. Sim, moro em um apartamento com “varanda gourmet” e bati panela também, mas após ler um monte de bobagens sobre o panelaço, uma tristeza invadiu meu coração e foi grande quando percebi que fui cerceado do meu direito de ser um digno proprietário de um apartamento com “varanda gourmet”. Porque fiquei tão triste e totalmente sem esperança de viver em um país decente? Vou contar minha história, que deve ser muito parecida com quase todos os dignos proprietários de “varandas gourmet” espalhadas pelo país. Foi assim: Meus antepassados e avós paternos foram imigrantes que vieram da Itália no fim do séc. XIX início do séc. XX. Vieram fugindo da fome e da guerra. Fugiram do nazismo e do fascismo que despertava naquele continente. Meus avós paternos se estabeleceram no interior do Paraná. Na “terra rossa”. Passaram fome, enfrentaram doenças enquanto criavam os filhos. Meus avós maternos já nasceram no Brasil do inicio do século XX. Minha avó materna veio de uma família que aparentemente tinha posses, mas por conta da guerra, perderam parte do que tinham. Por isso, minha avó materna (que era descendentes de índios), para fugir do assedio do padrasto, aos 13 anos se casou com o meu avô (que era descendente de africanos mas de origem misteriosa). Ele já tinha mais de 25 anos com certeza. Meus avós paternos tiveram 8 filhos e os maternos 18 (5 morreram). Entre toda essa turma, nasceram meu pai e minha mãe. Todos trabalharam na roça. Todos tiveram muitos filhos. Gente simples. Meu pai veio para São Paulo em 1945 com 13 anos e logo começou a trabalhar nas indústrias da capital. Minha mãe fez o mesmo trajeto e veio trabalhar nas casas das famílias quatrocentonas abastadas dos barões do café e nos palacetes e grandes apartamentos dos industriais paulistanos. Meu pai era técnico de elevadores e por uma coincidência do destino conheceu minha mãe quando ele estava consertando um elevador de um dos prédios onde ela trabalhava. Meu pai trabalhou por 45 anos para nos educar, eu e meus 2 irmãos e minha irmã. Começou construindo sua casa na periferia de São Paulo. Era um porão úmido construído em uma rua lamacenta fruto do loteamento do haras Patente na divisa com São Caetano do Sul. Com apenas o ensino fundamental, sabia que precisaria estudar e trabalhar muito para levantar a casa dele. E foi o que ele fez. Se preparou, estudou e se tornou um ótimo técnico eletrônico e eletricista. Homem correto. Minha mãe lutadora e dona de casa. Meu pai era metalúrgico e do sindicato e já me dizia nos anos 70 sobre a “índole de filho da puta” de muitos de seus integrantes, inclusive do Lula. Meus pais criaram os 4 filhos. Suaram, correram, choraram. Eu segui seus passos com dignidade e retidão. Da minha mãe herdei a força da luta diária, da resignação e da resiliência, do amor a família. Eu trabalhei duro durante 30 anos, estudei tudo que podia, mas estudar nunca é demais, me preparei como meu pai. Construi minha vida assim, como meus pais me mostraram. Trabalhei duro. Por mérito meu e da minha esposa, conseguimos comprar nosso apartamento com “varanda gourmet”  para criar nossos filhos. Paguei cada centavo, cada juro extorsivo e abusivo cobrado pelos bancos. Recentemente fui demitido da indústria, que está ultimamente fracassada nesse país. Então, ouvindo um chamado, a minha voz, resolvi empreender e no momento que nossa pequena empresa iniciou a decolagem fomos surpreendidos por toda essa merda de cenário atual e por toda essa turbulência política. Foi ai que chegamos no dia 8 de Março de 2015. Cento e quinze anos depois da chegada dos meus avós ao Brasil fugindo da crise da Europa. E após ler argumentos de jornalistas de “peso” sobre a “elite branca” que protesta contra a presidente do Brasil e seu partido energúmeno, fiquei profundamente sem palavras. Sim, eu fui ofendido, pois para eu estar aqui na “varanda gourmet” derramei muito suor. Abri mão de muita coisa e muitas vezes escolhi trabalho extra pra ter o que tenho. Não aceito ser tolhido do meu direito de mandar todos os políticos e pessoas corruptas, seus corruptores, a Dilma, o Lula , o PT, Aécios , os comunistas, idiotas úteis e afins e todos os seus simpatizantes Tomar no meio do Cu. Tenho o direito de expressar meu sentimento de indignação e dor. Mando e vou mandar sempre que eu for desrespeitado como brasileiro honesto, trabalhador e cumpridor dos meus deveres. Eles ofendem meus antepassados e meus descendentes. Eles desrespeitam meus antepassados que viveram e morreram para que eu pudesse ter meu apartamento com “varanda gourmet”. Não aprendi a xingar em casa no seio da família. Meus pais me ensinaram o respeito ao próximo, os valores e as condutas morais e  virtuosas e me deram a liberdade de crer em Deus. Me ensinaram a não pegar nada de ninguém. Pecado gravíssimo. Uma desonra. Aprendi a xingar nas ruas lamacentas e nos terrenos baldios cheios de mato do Jardim Patente quando era desrespeitado em meus simples direitos de moleque de rua, mas mesmo assim sabíamos quando xingar. Tínhamos nosso código de ética. Nunca usarei meu direito de xingar em vão. Portanto, políticos corruptos e seus corruptores e todos os vendidos que apoiam a situação atual, que nem chegaram a condição de merda humana, seus peidos fracassados, lavem a boca antes de falar sobre quem literalmente construiu e constrói esse país, que somos nós, as famílias brasileiras, que criam seus filhos, que tem valores, princípios e conduta moral, que tem história de luta verdadeira, que não tem nada de revolucionária, coisa que vocês, donos do poder, não tem nem ideia do que seja. Ou se tiveram um dia, já se esqueceram, iludidos pela ganancia do poder e pelo dinheiro fácil.

O que acharam?

Por Ana Paula Ramos.

Brasil, Pátria dos desvios

As declarações da Lava Jato continuam dando o que falar e dessa vez quem deixou uma pérola foi o presidente interino do Conselho de Administração da Camargo Corrêa, Celso Ferreira de Oliveira. Na última quinta ele foi chamado para depor como testemunha em audiência da operação que aconteceu Curitiba.

Só para dar uma clareada, alguns executivos da empresa foram presos pelos policiais da operações por desvio de dinheiro, por isso o atual presidente precisou atuar como testemunha. O fato é que durante o depoimento ele estava contando que o Conselho só tomou alguma providência sobre o assunto após as prisões. Até aí tudo bem, mas ao explicar que está sendo feita uma auditoria ele solta:

É normal uma companhia que chegou a ter 70 mil pessoas ter desvios em projetos.

Eu sei que algumas coisas que eu falo aqui mostram o quanto eu pareço sonhadora, mas é um fato que a corrupção é uma doença crônica no nosso país e sabendo do nosso comportamento diário nós tendemos a acreditar que ele está certo. Que é impossível para uma empresa grande ou para um país das nossas proporções ter gente honesta e que não tenta se beneficiar a todo custo.

Não sei se isso vai mudar, mas eu gostaria que as pessoas não considerassem desvio de dinheiro público uma coisa normal. Nossas leis não servem para muita coisa, mas elas estão aí para provar que normal é não haver esse tipo de comportamento, pois não seria necessário ter penalidade para quem comete esse tipo de crime. Mas as pessoas acham que ser esperto é passar pessoas para trás e colocar cada vez mais dinheiro no próprio bolso e isso me entristece.

Quem sabe um dia as pessoas vão perceber que trabalhando em prol da maioria todos ganham?

Menos egoísmo e mais amor, por favor.

Hoje estou poética Hahahaha

Por Ana Paula Ramos

Pique esconde

Parece que a novela da operação Lava Jato ainda nem começou, desde que o ministro Teori Zavascki recebeu o pedido de quebra de sigilo dos nomes investigados nossos políticos estão incomodados. O Congresso em peso é terminantemente  contra a liberação dos nomes e a opinião pública é extremamente a favor.

Teori

A mídia está acompanhando o ministro de perto, é capaz até de dizer quantas vezes por dia ele vai ao banheiro, mas parece que a decisão sairá hoje. Na verdade não sei qual é o prazo limite de Teori, mas imagino que o ministro deva estar se sentindo entre a cruz e a espada. Não deve ser fácil tomar essa decisão que pode contrariar a opinião pública ou as pessoas que o colocaram no cargo que ocupa. O que eu sei é que a decisão terá que ser muito bem fundamentada juridicamente porque provavelmente choverá recursos.

Outra decisão que chamou bastante atenção essa semana foi a do nosso procurador geral da república de pedir arquivamento das investigações contra Aécio Neves e Dilma Rousseff. Prefiro acreditar que de fato ele não deveria ter provas suficientes para indiciar os dois a pensar o que pode ter acontecido por baixo dos panos, mas confesso que a declaração do Aécio de que esse arquivamento foi uma homenagem a ele me deu náuseas.

Vamos deixar uma coisa bem clara aqui:

Homenagem:

1. [História] Juramento de fidelidade que prestava ao soberano o vassalo que recebia feudo.

2. Demonstração de veneração e respeito.

3. [Militar] Lugar que assinala a um detido para poder andar em liberdade

Como o que o PGR Rodrigo Janot fez não foi nenhuma das coisas acima, não existiu homenagem, foi muita conversa ou falta de embasamento jurídico. Nossos políticos deveriam saber escolher melhor as palavras que usam…

O fato é que Yousseff ouviu dizer que Aécio recebeu propina, mas como ele nunca esteve em contato com o senador parece que a polícia não encontrou provas do desvio. O que eu sei é que as vezes onde há fumaça, há fogo. Claro que Aécio fala que a declaração foi uma tentativa do governo de envolver a oposição no esquema da Lava Jato e isso gerou uma onda de insatisfação no Planalto e o porta voz nomeado para dar a resposta foi o ministro da justiça, José Eduardo Cardozo. O ministro disse que achou a declaração de Aécio deplorável e soltou a pérola:

Se no passado governos fizeram isso, este governo não faz (…) Não nos meçam por réguas antigas

Se a gente fingir que nunca existiu mensalão a afirmação pode até se tornar verdadeira… Mas óbvio que a história não parou por aí e Aécio rebateu novamente a declaração dizendo que Cardozo tem agido cada vez mais como militante partidário e como advogado de defesa do PT do que como ministro da Justiça.

Para quem não lembra, o ministro se reuniu em fevereiro com os advogados de algumas empreiteiras para discutir o futuro dos clientes que estão presos na PF de Curitiba. A única coisa que eu sei é que quanto mais se mexe nessa história, mais ela fede.

A impressão que tenho é que a pista de um doleiro levou a um esquema tão grande que nem a própria polícia esperava. Quem podia imaginar que no meio do processo eleitoral seria descoberta a fonte de financiamento de campanhas dos nossos queridos candidatos? Claro que o Congresso inteiro está apreensivo e querendo abafar o maior número de informações possíveis, mas será que isso será suficiente? Será que a PF e o Ministério Público terão forças para enfrentar peixes graúdos?

Acho que o mensalão foi um teste bom, mas a Lava Jato tem proporções bem maiores porque não envolve apenas um partido ou o governo. Envolve a essência da farsa das eleições. Quem quiser entender um pouco do que tô falando pode ler o livro O nobre deputado, do juiz Marlon Reis. No livro ele cria um personagem fictício e explica como funciona o financiamento de campanha. Aposto que depois que você ler, a Lava Jato vai fazer mais sentido na sua cabeça.

Por Ana Paula Ramos