Quando política vira profissão, algo está muito errado

Essa semana estava olhando o burburinho em torno da eleição para presidência da Câmara dos Deputados, que antagonizou Arlindo Chinaglia (PT) e Eduardo Cunha (PMDB). No meio do processo acabei confundindo o nome do Eduardo Cunha com o do atual presidente da casa Henrique Eduardo Alves e me deparei com a seguinte biografia no site da Câmara (clique AQUI).

Presidente da Câmara dos Deputados eleito para o biênio 2013-2014, Henrique Eduardo Alves nasceu no Rio de Janeiro em 9 de dezembro de 1948. É o decano da Câmara dos Deputados, com 43 anos de vida parlamentar e 11 mandatos seguidos representando o Rio Grande do Norte, sempre pelo mesmo partido, o PMDB.

Foi eleito pela primeira vez em 1970, depois de seu pai, o ex-governador do Rio Grande do Norte Aluizio Alves, ter sido cassado pela ditadura militar. Na Câmara dos Deputados, participou da oposição ao regime, do movimento das Diretas Já e da Assembleia Nacional Constituinte, que resultaram na redemocratização do País, nos anos 1980.

Entre 2007 e 2012, exerceu a liderança da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados. Sua atuação foi decisiva na votação do novo Código Florestal. Por suas habilidades de negociador e articulador, ele é reconhecido como um dos parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Ao longo dos 11 mandatos, apresentou 672 proposições, entre projetos de lei, propostas de emendas à Constituição e outras. Foi relator de 57 matérias, dentre as quais se destacam o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e o novo regime de distribuição dos royalties do petróleo no pré-sal.

Assim que eu li achei muito engraçado o tom sério que eles dão aos QUARENTA E TRÊS ANOS de vida parlamentar, com 11 mandatos seguidos pelo mesmo estado e o mesmo partido. Depois reclamam quando a gente fala que política virou profissão e que quem entra não quer largar o osso. Tá aí a prova viva disso.

Imagina um estado votando em peso onze eleições seguidas na mesma pessoa, por isso não tem nome novo na nossa política. Não sei o que está mais complicado nisso tudo, nós que não procuramos opções a esses nomes batidos ou eles que encontraram um pote de ouro e não largam. Não vou entrar no mérito da compra de voto para não piorar ainda mais a situação.

E tem gente que diz que a nossa democracia funciona, mas nessas horas eu me pergunto: Onde está a alternância?

Por Ana Paula Ramos

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