Dilma + Levy?

Não sei se vocês notaram, mas agora o blog tem uma categoria nova: Textos para pensar. O objetivo é compartilhar textos que considero interessantes e que nos fazem pensar sobre determinadas coisas que acontecem no nosso dia a dia. Vou deixar claro aqui que o fato de trazer o texto para o blog não significa que eu concorde integralmente com o que está escrito, mas reflexão nunca é demais. Nenhum dos textos são meus, em todos vou dizer o nome do autor e se eu souber digo a fonte também. Comecei com a entrevista da Marta Suplicy e agora vou compartilhar um texto bem interessante que o João Bosco escreveu na semana passada sobre o silêncio de Dilma:

Dilema Levyano

Menos pela cobrança da oposição e mais para não sugerir falta de apoio à equipe econômica, e com isso fortalecer o assanhamento da própria base parlamentar, a presidente Dilma não deve tardar em assumir a defesa do programa econômico que começa a ser executado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

A reunião ministerial  na Granja do Torto rompe o silêncio da presidente porque impõe seu discurso de abertura do segundo mandato, mas não deveria ser um tópico dentro do longo processo de reajuste das contas públicas. É preciso que seja o começo de uma postura presidencial.

O risco do silêncio da presidente, que realça a condução econômica por Levy, pode não ter a motivação que lhe empresta a oposição, mas deixa espaço para a exploração política nos termos em que se dá.

Além de sugerir que monitora de perto a gestão de um modelo que lhe desagrada, o distanciamento presidencial reforça a leitura de uma campanha eleitoral que dissimulou os problemas do país. Qualquer postura da presidente não a poupará do desgaste de uma economia em sérias dificuldades, agravada pelas crises de água e energia.

Melhor, pois, assumir o programa de ajustes, primeiro porque é a receita recomendável para o contexto de crise. Segundo, porque passa a ideia de um governo que optou pelo comportamento ativo para repor o país nos trilhos. Em síntese, um governo disposto a mostrar serviço.

A oposição do PT à gestão de Levy peca pela perda de viço do partido, com origem na corrosão de sua credibilidade, seja pelo esgotamento da aposta em um modelo populista, de muita assistência e de pouca gestão, seja pela associação à corrupção, que patrocinou em busca de um governo sem contestação.

Não por acaso, quando a situação de agrava na economia e na política, que intensifica o conflito interno, o partido ressuscita a teoria conspiratória com a qual pretende, dia sim, dia não, justificar o controle da mídia – ora em forma de aplicação da regra democrática, ora em forma de pretenso zelo constitucional pela pluralidade de enfoques jornalísticos.

O PT já vive um conflito interno proporcional ao desgaste da legenda, do que é sinal mais ostensivo hoje o comportamento dissidente da ex-ministra da Cultura, Martha Suplicy. Em que pese sua ação se vincule à percepção de que precisa resguardar seu patrimônio político, Martha não disse uma só frase que possa ser desmentida pelo partido.

Prova disso é a entrevista recente do ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, Paulo Vanuchi, eleito para responder à entrevista da ex-senadora ao jornal O Estado de S.Paulo, em que abriu a temporada de críticas ao partido, ao governo e não poupou sequer o ex-presidente Lula, por cuja candidatura em 2014 se empenhara – segundo ela, com aval do mesmo.

Vanucchi não desmente uma só linha da entrevista de Martha, limitando-se ao velho método do PT de desqualificar seus críticos.Com a diferença, agora, que os críticos estão no próprio partido e, no caso de Martha, entre outros, têm a credibilidade da vivência histórica na agremiação.

Exercem a crítica como testemunhas até ontem engajadas nas causas partidárias e, mais, com um currículo de cargos públicos eletivos e também de nomeação avalizada pelo partido para o primeiro escalão de seus governos.

Esse contexto, associado ao da corrupção, mergulha o partido em uma crise que o consome e limita sua capacidade de enfrentar a oposição externa e, por extensão, estancar a sangria eleitoral visível na última campanha, quando perdeu espaços e viu seu principal adversário, o PSDB, aumentar em proporção inversa a bancada legislativa federal.

Trava ainda uma disputa renhida com seu rival principal na base de sustentação governo, o PMDB, prestes a conquistar a presidência da Câmara, o que se não ocorrer agravará a situação do governo, porque o terá mais hostil na convivência congressual.

Agora mesmo, a presidente Dilma se vê em meio ao conflito tentando o malabarismo de não agravar o descontentamento do PMDB, compensando-o com cargos no segundo escalão, prêmio que o PT queria para si.

O dilema da presidente é esse: para manter o PT na órbita palaciana descontentar o PMDB. Para não ter problemas com o PMDB, desagradar ao PT. É onde surge o plano de criação do PL, capítaneado pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, com a intenção de , mais tarde, fundí-lo ao seu PSD e gerar um partido com número para rivalizar com os dois principais da base, notadamente o PMDB.

Se tentar agradar a todos, Dilma corre o risco de ampliar sua dependência junto a legendas menores e ao novo partido que resultar da fusão em curso no forno de Kassab. A aposta no programa recessivo de Levy é a melhor escolha, porque tem o ônus da impopularidade, em um primeiro momento, mas pode alcançar o objetivo de melhorar as consequências da crise para a população.

À fala presidencial de hoje à tarde será saudável seguir-se, com alguma regularidade, outras que façam o contribuinte perceber a condução da presidente no processo de rearrumação da economia. Do contrário, dada a gravidade da crise e a característica incontornável da receita para superá-la, o presidente, de fato, chamar-se-à, pelo menos por dois anos, Joaquim Levy.

A entrevista que ele cita da Marta Suplicy foi publicada aqui no blog no sábado. Recomendo que vocês leiam para entender melhor o quadro que ele desenhou. Ele falou também que o motivo do silêncio da presidente é a vontade de não desagradar alas internas do partido. Sabendo que as medidas tomadas por Levy seriam tomadas por qualquer ministro, você concorda com o ponto de vista defendido por João Bosco?

Até o próximo texto!

Por Ana Paula Ramos

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