Política sem Mistério

Minha mãe me deu uma dica de canal do youtube bem interessante há um tempo e resolvi compartilhar aqui. Vocês já ouviram falar no Política sem Mistério? É um canal criado pelo deputado Mário Monti com o objetivo de esclarecer em vídeos curtos pontos específicos e meio obscuros da nossa política. Dá uma olhada no vídeo abaixo que ele fala sobre O que é política

Tem muitos outros vídeos interessantes no canal sobre muitos outros temas como o funcionamento dos ministérios, o que é a licitação, medida provisória, enfim muitos outros e dois que chamaram bastante minha atenção:

– O que faz um deputado

– Como cobrar os deputados

Óbvio que também fiz meu dever de casa e pesquisei o perfil do deputado. Você pode clicar AQUI para ver o site dele. Você vai descobrir que ele foi eleito por São Paulo na eleição do ano passado, que ele foi eleito prefeito da cidade dele com 21 anos e foi o prefeito mais novo do Brasil. Fiquei pasma com isso também, ainda mais porque hoje ele já está com mais de 50 e continua na política. Até hoje a gestão dele na prefeitura é considerada uma das melhores de São Manuel, claro que não sei se é verdade porque não conheço ninguém da cidade, mas é o que está escrito no perfil dele.

Não encontrei nada que o vincule a algum ato de improbidade administrativa, o que já é bem interessante. Ele é do PR-SP e faz parte da base aliada ao governo. Observei que ele começou com essas postagens em outubro de 2013, considerando que ele teve quatro mandatos como deputado federal e não conseguiu se eleger em 2010 talvez tenha sido a maneira que ele encontrou de ganhar visibilidade no estado. Tanto que as visualizações dos vídeos são bem baixas, mas as postagens foram interrompidas em junho do ano passado provavelmente porque a agenda eleitoral não dava espaço para a gravação dos vídeos.

Para a minha surpresa os vídeos voltaram a ser gravados em dezembro do ano passado e no período pós eleição o canal já tem quatro postagens. Resolvi compartilhar por conta disso, talvez o interesse não seja apenas eleitoral e como os vídeos são bem didáticos vale a pena conferir. Claro que ele não esgota os assuntos que trata, porque você não vai saber tudo sobre os três poderes em 4 minutos, mas já é um começo e dá uma noção bem legal dos mais diversos assuntos políticos. Clica AQUI para acessar o canal!

Por Ana Paula Ramos

Pacto por Brasília

Obrigada a todos que participaram da nossa enquete! O tema escolhido pela maioria foram as 21 medidas anunciadas pelo governo do DF para superar a crise deixada pelo governo anterior. Antes de começar quero agradecer também a todos que leram e participaram do blog ao longo desse ano, obrigada a todos que dedicaram parte do tempo para ler os posts, aos que comentaram e expressaram sua opinião, obrigada aos que compartilharam os posts que acharam interessantes em suas redes sociais e eu gostaria de pedir a todos que continuem por aqui e que participem cada vez mais. Se você não tem ideia de como participar é bem simples, primeiro você lê a postagem, depois você pode deixar algum comentário com dúvidas, sugestões para os próximos posts, ou seu ponto de vista sobre o tema e também pode compartilhar para chamar mais pessoas para o blog.

Quanto mais participação, melhor fica o blog. Afinal tudo o que escrevo aqui tem o meu ponto de vista, mas os temas são de interesse de todos. Não deixa de ser um exercício para você começar a acompanhar e dar pitaco em tudo o que diz respeito a política de nosso país. Sem mais delongas, muito obrigada mesmo por esse ano de companhia! Vamos ao tema vencedor:

Pacto por Brasília

Que governar Brasília nos próximos anos seria extremamente difícil não é surpresa para ninguém. Talvez por isso tenhamos um vácuo tão grande de poder em nossa administração. Os políticos conhecidos dispostos a disputar o cargo de governador tem pouco apelo a população em geral ou está impedido de concorrer por ter sido pego na Lei da Ficha Limpa. Não sei se nos outros estados essa lei funciona, mas aqui no DF nossos governadores são seu alvo preferido, já temos José Roberto Arruda e Joaquim Roriz inelegíveis. Não me surpreenderia se Agnelo entrasse para o bonde dos impugnados porque, para mim, essa história de deixar os cofres do governo só tem cheiro de improbidade administrativa.

Mesmo sabendo de tudo isso e da farra que andaram fazendo com o nosso dinheiro, a situação surpreendeu e Rodrigo Rollemberg já no discurso de posse propôs um Pacto por Brasília. No momento do anúncio não ficou muito claro como isso seria feito, mas vinte e sete dias depois o governador lançou o documento Pacto por Brasília, que explica como isso será feito ao longo de 2015 e 2016. O documento completo está disponível AQUI e as medidas adotadas pelo governo foram divididas em três grupos:

– Medidas em andamento

  1. Criação da Governança – DF
  2. Revisão de projetos de incentivo fiscal
  3. Corte de despesas gerais
  4. Corte de carros oficiais
  5. Corte de aluguéis de imóveis
  6. Redução substancial dos cargos comissionados
  7. Redução da estrutura administrativa

– Medidas para 2015

  1. Redução de 25% do valor das dívidas do Estado
  2. Redução de 20% do valor dos contratos
  3. Auditoria da folha de pagamento
  4. Fim da isenção do IPVA para veículos zero km
  5. Antecipação de recursos para saldar benefícios atrasados
  6. Novas estratégias de fiscalização e cobrança para aumentar receitas

– Medidas para 2016

  1. Atualização do valor dos imóveis para cálculo do IPTU – sem aumento das atuais alíquotas praticadas
  2. Cobrança justa da TLP
  3. Cobrança justa do ITBI
  4. Nivelamento do IPVA
  5. Ajuste do ICMS para combustíveis
  6. Ajuste do ICMS para telefonia
  7. Diminuição do ICMS dos genéricos
  8. Diminuição do ICMS de alimentos

De acordo com o governo, esse conjunto de propostas trará impacto de R$ 400 milhões em 2015. Em 2016, o aumento de receita será de R$ 800 milhões. Essa economia ainda não normalizará as contas do governo, mas já indicam um começo.

As medidas em andamento são aquelas que dependem somente do governo, que age para que as despesas do governo gerem uma economia de R$ 200 milhões. A contenção de despesas está a todo vapor. Rollemberg diminuiu as secretarias de 38 para 24 e também as administrações regionais passaram de 31 para 24.

Rollemberg

O governo deseja ainda reduzir 60% dos cargos comissionados para servidores sem vínculo. Alguns imóveis alugados estão sendo devolvidos, a Secretaria de Economia e Desenvolvimento Sustentável foi transferida para o Centro de Convenções e isso representará uma economia de R$ 321 mil mensais. Outras secretarias passarão pelo mesmo processo e espera-se que a economia mensal seja de mais de R$ 1 milhão. Outros cortes também serão feitos e o governo pretende extinguir ou reformular os contratos onerosos e de pouca eficácia. Segundo o governo, os que forem mantidos sofrerão redução nos valores de pelo menos 20%.

Além desses cortes o governo criou a Câmara de Governança Orçamentária, Financeira e Corporativa do Distrito Federal (Governança-DF). Ela é composta pelos titulares das Secretarias de Planejamento, Orçamento e Gestão, de Fazenda e de Gestão Administrativa e Desburocratização, pelo chefe da Casa Civil e pelo procurador-geral do DF. O objetivo dessa câmara é coordenar a programação orçamentária e financeira, ala também participa de decisões estratégicas do governo, especialmente nas que têm repercussões financeiras e orçamentárias.

As medidas para 2015, como vocês podem ver não dependem unicamente do GDF, mas o executivo tem poder para promover essas reduções sozinho. Como o pedido de adiantamento do Fundo Constitucional que ele fez no início do ano para saldar o atraso dos salários dos funcionários da educação e da saúde.

Já as medidas para 2016 dependem, e muito, da Câmara Legislativa (CLDF), pois para modificar a cobrança de impostos, o executivo precisa da aprovação do legislativo. Lembram do sistema de pesos e contrapesos do Montesquieu? É para isso que serve, ele evita que um governante mude as leis de forma indiscriminada. E pensando nisso, o governador esteve na abertura do ano legislativo da CLDF para transmitir sua mensagem aos deputados distritais e deixar os Projetos de Lei que alteram o IPVA, IPTU, ITBI e a TLP.

Se você tiver interesse em conhecer os projetos basta clicar nos temas abaixo:

Antecipação Orçamentária

Medidas Fiscais

Renegociação de dívidas

Depois eu faço um post para esclarecer o que está previsto em cada Projeto de Lei para não perder o foco do post. Ficou claro que o governo está se esforçando para garantir o aumento das receitas da capital, mas nem todo mundo está contente com o tal Pacto por Brasília e no dia seguinte ao anúncio das 21 medidas a bancada do PT na CLDF já manifestou interesse em votar contra qualquer projeto que vise o aumento de impostos.

De acordo com o deputado Chico Vigilante, o governo Rollemberg mentiu sobre a situação do governo e o saldo de $64 mil mostrado no início do ano era referente a apenas uma cinquenta e cinco contas que o governo tem em três bancos. Ele disse que entrou no Sistema Integrado de Gestão Governamental (SIGGO) e pode observar que o governo tinha em caixa $1,06 bilhão. Se o valor é real eu não sei, mas para mim faz mais sentido o GDF ter várias contas e não apenas uma.

O PT tem quatro deputados na câmara, mas ainda tem muitos partidos aliados do período da eleição. O governo vai ter que dançar um bocado para conseguir aprovar o aumento de impostos, pelo menos. Talvez por isso, sabiamente, os projetos tenham sido apresentados separados, pois assim a margem de manobra fica maior.

Não será uma peleja fácil, mas vai ser interessante ver se o governo Rollemberg, que já cometeu vários erros, tem capacidade de negociar com a oposição. E mais interessante ainda vai ser saber o que será oferecido em troca da aprovação.

Espero que tenham gostado da postagem de aniversário!

Por Ana Paula Ramos

Coronéis da Mídia

Não é um segredo que muitos políticos do nosso país são donos de emissoras de rádio e TV. Todos sabemos que a influência política sobre as notícias que acessamos diariamente é grande, principalmente em veículos estaduais. Nem sempre essa propriedade é declarada abertamente e muitos usam inclusive testas de ferro para não aparecer como donos de determinado jornal ou rádio.

Não achem que isso é exclusividade do Brasil, não conseguimos inventar uma nova modalidade de influenciar a mídia. Isso é usado em vários outros países, mas é fato que quanto mais fechada a política maior é a interferência inclusive do próprio governo principal. A China está aí como um dos maiores exemplos de regulação da mídia por interesses políticos.

Pensando nesse problema inevitável, o Intervozes (Clique AQUI para conhecer) fez um vídeo para a Semana Nacional da Comunicação no fim do ano passado com objetivo de divulgar ações que foram feitas em várias cidades do país para expor esse problema. Não conhecia essa instituição, mas gostei da forma como eles abordaram o tema, me pareceu bastante séria e não levanta nenhuma bandeira contra partidos específicos. Visa apenas a proteção do direito a comunicação. Veja o vídeo e entenda:

Você também pode acessar o site criado para divulgar o movimento e conhecer os coronéis que eles tanto abominam, basta clicar AQUI.

Eu sei que mídia completamente sem influência política é quase impossível, mas não custa manter olhos bem abertos sobre essa interferência e até que ponto ela pode ser considerada legal.

Por Ana Paula Ramos

Vem pitaquear!

É carnavaaal! O país está em festa e o OP também! Como já contei em outro post, nosso blog faz um ano no próximo dia 24 e como comemoração farei um post com tema escolhido pelos leitores do blog. Os temas estão na enquete abaixo e você pode votar em qualquer um deles e também pode sugerir um tema diferente através de um comentário.

Se você estiver pensando: “Ah, não vou sugerir um tema novo porque a chance de ganhar é menor”, não se engane! Vou olhar sua sugestão e utilizar como inspiração para outros posts também! Então toda contribuição é bem vinda e espero que vocês voltem mais vezes e com mais sugestões também!

Esse espaço é nosso, a política interfere em nossa rotina e por mais que a gente esperneie e diga que não goste não tem como correr disso. Quanto mais nos informarmos e fizermos questão de participar de cada detalhe mais poder de interferência teremos, porque assim saberemos o que queremos.

Vota, compartilha e comenta!

Por Ana Paula Ramos

E as nossas instituições?

Um dos muitos textos excelentes que me mostraram no mês passado. Li bem umas três vezes e acho que vocês deveriam ler também. Ele foi publicado no Valor Econômico e foi escrito pelo Marcus André Melo:

Por que as instituições se fortalecem no Brasil?

Governantes têm aversão a prestar contas, como nos lembra Soll em seu magistral “The reckoning: financial accountability and the rise and fall of nations”. Na Inglaterra do século XVII, Charles I mandou cortar as orelhas de William Prynne, que chefiava uma comissão de contas criada pelo Parlamento para investigar a gestão das receitas do Estado. Desconfio que nossos governantes tenham tido ímpeto semelhantes em relação a magistrados como Joaquim Barbosa e Sérgio Moro. Mas o corte de orelhas obviamente não se consumou. Nas democracias contemporâneas, a violência física não consta do repertório de ações dos governantes, e, nas mais consolidadas, a interferência nas instituições de controle é mínima. No Brasil a recém-adquirida robustez das instituições de controle latu senso (Judiciário, Ministério Público, TCU) tem chamado a atenção. O que causou seu fortalecimento e de onde vem sua independência?

Há dois argumentos rivais para dar conta desse fortalecimento. O primeiro sustenta que o fator determinante é a retidão de propósitos dos governantes. Assim, as instituições deveriam seu fortalecimento ao reformador que “não rouba nem deixa roubar”. Embora seja normativamente atraente – afinal tem forte apelo sobre nossa consciência moral – as pesquisas mais instigantes na ciência política tem mostrado que as instituições fortes de controle não são produto da ação de governantes, partidos ou movimentos. A recíproca, no entanto, é verdadeira: governantes corruptos tem sido em geral bem sucedidos no objetivo de subjugar as instituições de controle. Muitos partidos, movimentos e indivíduos chegaram ao poder em cruzadas anticorrupção e moralizantes. Caso tornem-se dominantes, inicia-se a degeneração institucional. Há, assim, algo mais que voluntarismo em jogo.

O argumento rival defende que não são cruzadas morais que fortalecem o controle da corrupção e previnem o abuso, mas o desenho institucional voltado para maximizar os incentivos para o controle. Denominemos esse argumento de argumento neomadisoniano em homenagem ao pai fundador da república americana, James Madison. Em “O Federalista nº 51” afirmou “que se os homens fossem anjos, os controles não seriam necessários”. O ponto de partida do madisonianismo é que o poder corrompe. A defesa contra o abuso de poder e a corrupção não é a conversão – a uma ideologia ou princípio moral transcendente – mas um desenho institucional que leve a contraposição de interesses. Dessa forma, os atores institucionais teriam incentivos para se controlar mutuamente. A transparência seria produzida pela competição política e o melhor remédio contra a corrupção seria então uma oposição forte. Só ela teria interesses em desvelar desmandos. A autocontenção (moral) é insuficiente porque o “moral hazard” (risco moral) é alto: governo algum tem interesse em expor suas próprias mazelas, pelo contrário. Nas novas democracias – o caso brasileiro é exemplar – o risco permanente é o conluio entre parceiros em uma coalizão dominante ou o uso da maioria para inibir as instituições de controle.

Só são efetivas no país as instituições antimajoritárias.

O exemplo das instituições de controle dos países da comunidade britânica das nações é ilustrativo. A presidência dos “Public Accounts Committee” é delegada ao líder da oposição que nomeia o titular do National Audit Office – que é o equivalente ao TCU no Brasil. A intuição por trás dessa regra é madisoniana: a maioria parlamentar que dá sustentação ao governo não está interessada em se autocontrolar. Só a oposição alimenta esse interesse. Isto explica porque, por exemplo, as CPIs no Brasil nunca tiveram efetividade, porque controladas pelo governo e sua maioria. Os episódios raros em que surtiram efeito foram apenas porque puderam dar vazão a conflitos no seio de famílias ou “fogo amigo” entre desafetos. Só tem efetividade no país as instituições que fogem a essa lógica por serem antimajoritárias, como o Judiciário e o Ministério Público (urge que o TCU seja reformatado e se converta em instituição judicial!). Mas poderíamos acrescentar também a mídia independente do governo. Nas novas democracias, estas instituições são a última linha de defesa da “res publica”.

Mas o que impede o governo de “cortar as asas” das instituições de controle”? A interferência aberta nessas instituições tem custos que em alguns contextos democráticos podem ser proibitivos: os eleitores punem nas urnas governos que ataquem tais instituições. No limite, a interferência ocorre de forma indireta quando a falta de alternância política se traduz na composição governista dos colegiados dessas instituições. Mas o ataque direto tem um custo reputacional: ele é tanto maior quanto mais independente for a mídia e mais forte a oposição.

Os limites à interferência nas instituições são dados pela opinião pública, sobretudo nas democracias maduras. Há um equilíbrio quando os custos de tolerar a oposição e os controles tornam-se maiores que os de reprimi-los. Esse argumento parece ser bem compreendido por protagonistas do “jogo do controle” no Brasil. O juiz federal Sérgio Moro, em texto de 2004 sobre a Operação Mani Pulite, que levou centenas de políticos e empresários para a cadeia, concluiu que “a lição mais importante de todo o episódio seja a de que a ação judicial contra a corrupção só se mostra eficaz com o apoio da democracia… Enquanto ela contar com o apoio da opinião pública, tem condições de avançar e apresentar bons resultados”. Ao deflagrar a Operação Lava-Jato certamente anteviu o massivo apoio que receberia da opinião pública.

No Brasil, as instituições fortaleceram-se e isso foi produto da competição política. O contrafactual é dado por países onde forças políticas tornaram-se hegemônicas e o controle democrático sobre os governos definhou. Estudos comparativos rigorosos na América Latina e na Europa do Leste corroboram amplamente este argumento. O neomadisonianismo não é vacina definitiva contra o corte de orelhas, mas é o começo. Sim, o Brasil vai mal, mas as instituições antimajoritárias funcionam cada vez melhor!

Marcus André Melo é professor da UFPE, foi professor visitante da Yale University e do MIT e é colunista convidado do “Valor”. Maria Cristina Fernandes volta a escrever em fevereiro

Não tem como não pensar pelo menos um pouco no que ele diz. As teorias que ele apresenta pelo menos nunca passaram pela minha cabeça dessa forma, pensava em apenas uma dessas facetas. O que você achou do texto?

Por Ana Paula Ramos

Novidades de aniversário!

Bem amigos do OP!

Oficialmente começam hoje as festividades de aniversário do nosso blog. No dia 24 de fevereiro faremos um ano de postagens, sei que deixei vocês na mão em vários momentos, mas as coisas estão ficando mais tranquilas e estou conseguindo manter um ritmo legal de postagens.

Comecei as alterações acrescentando uma categoria nova: Textos para pensar. Agora é hora de fazer uma enquete, que para dar certo precisa da participação de cada um de vocês. Basta escolher o tema que mais te interessa entre os que estão listados na enquete, caso você prefira que eu falei sobre outro tema basta sugeri-lo nos comentários do post.

Compartilhe com os seus amigos e vote até o dia 19 desse mês. O resultado sai no dia 20 e o texto será publicado no dia 24, quando o blog completa um ano. Conto com a participação de vocês!

Por Ana Paula Ramos

Quando política vira profissão, algo está muito errado

Essa semana estava olhando o burburinho em torno da eleição para presidência da Câmara dos Deputados, que antagonizou Arlindo Chinaglia (PT) e Eduardo Cunha (PMDB). No meio do processo acabei confundindo o nome do Eduardo Cunha com o do atual presidente da casa Henrique Eduardo Alves e me deparei com a seguinte biografia no site da Câmara (clique AQUI).

Presidente da Câmara dos Deputados eleito para o biênio 2013-2014, Henrique Eduardo Alves nasceu no Rio de Janeiro em 9 de dezembro de 1948. É o decano da Câmara dos Deputados, com 43 anos de vida parlamentar e 11 mandatos seguidos representando o Rio Grande do Norte, sempre pelo mesmo partido, o PMDB.

Foi eleito pela primeira vez em 1970, depois de seu pai, o ex-governador do Rio Grande do Norte Aluizio Alves, ter sido cassado pela ditadura militar. Na Câmara dos Deputados, participou da oposição ao regime, do movimento das Diretas Já e da Assembleia Nacional Constituinte, que resultaram na redemocratização do País, nos anos 1980.

Entre 2007 e 2012, exerceu a liderança da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados. Sua atuação foi decisiva na votação do novo Código Florestal. Por suas habilidades de negociador e articulador, ele é reconhecido como um dos parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Ao longo dos 11 mandatos, apresentou 672 proposições, entre projetos de lei, propostas de emendas à Constituição e outras. Foi relator de 57 matérias, dentre as quais se destacam o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e o novo regime de distribuição dos royalties do petróleo no pré-sal.

Assim que eu li achei muito engraçado o tom sério que eles dão aos QUARENTA E TRÊS ANOS de vida parlamentar, com 11 mandatos seguidos pelo mesmo estado e o mesmo partido. Depois reclamam quando a gente fala que política virou profissão e que quem entra não quer largar o osso. Tá aí a prova viva disso.

Imagina um estado votando em peso onze eleições seguidas na mesma pessoa, por isso não tem nome novo na nossa política. Não sei o que está mais complicado nisso tudo, nós que não procuramos opções a esses nomes batidos ou eles que encontraram um pote de ouro e não largam. Não vou entrar no mérito da compra de voto para não piorar ainda mais a situação.

E tem gente que diz que a nossa democracia funciona, mas nessas horas eu me pergunto: Onde está a alternância?

Por Ana Paula Ramos

O fanatismo e a tecnologia

Texto para ler falando sobre os mais diversos assuntos é o que não falta, mas esse que eu vou compartilhar hoje fala sobre um livro que me deu muita vontade de ler e que talvez jogue uma luz sobre os acontecimentos do início do ano em Paris. Deixei para publicá-lo só agora porque os ânimos estão mais calmos e normalmente pensamos melhor quando não estamos tão tocados pelos fatos. O texto foi escrito por Martin Wolf e foi publicado no Financial Times originalmente e traduzido por Sergio Blum:

Como compartilhar o mundo?

Como devemos entender os acontecimentos da semana passada em Paris? Por que pessoas se dispõem a matar e morrer por suas crenças? Como deveriam reagir as democracias liberais? Muitas pessoas devem estar se fazendo essas perguntas. Um homem notável, Eric Hoffer, abordou-as em um livro publicado em 1951: “The True Believer: Thoughts on the Nature of Mass Movements” (o verdadeiro crente: pensamentos sobre a natureza dos movimentos de massa). As ideias em seu livro, desenvolvidas em resposta ao nazismo e ao comunismo, reverberam poderosamente ainda hoje.

Hoffer nasceu na virada do século XX e morreu em 1983. Ele trabalhou em restaurantes, como mão de obra agrícola migrante, como garimpeiro e, durante 25 anos, como estivador em San Francisco. Autodidata, ele era capaz de penetrar o núcleo de um tema com frases brilhantes e límpidas. “The True Believer” é um de meus livros favoritos. É, novamente, um guia inestimável.

Quem, então, é um verdadeiro crente? Said e Cherif Kouachi e Amedy Coulibaly, os homens responsáveis pelos ataques terroristas na semana passada em Paris, eram verdadeiros crentes. Também verdadeiros crentes são os que atuam na al-Qaeda, no Taleban, no Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isis) ou no Boko Haram. Também crentes verdadeiros eram os nazistas e os comunistas. Os verdadeiros crentes, defende Hoffer, não são caracterizados pelo conteúdo de sua fé, mas pela natureza de suas afirmações. Suas crenças reivindicam certeza absoluta e exigem lealdade absoluta. Crentes verdadeiros são aqueles que aceitam essas reivindicações e saúdam essas demandas. Eles estão dispostos a matar e morrer por sua causa, porque o êxito delas no mundo é mais importante, para eles, do que suas próprias vidas ou mesmo a vida de qualquer pessoa. O verdadeiro crente é, portanto, um fanático.

Devemos nos manter fiéis às nossas crenças. Não devemos abandonar o Estado de direito nem a proibição à tortura. Se o fizermos, já teremos perdido a guerra de ideais e ideias. Devemos reconhecer os perigos, mas não reagir exageradamente. No fim, isso também vai passar

O fanático é um personagem familiar na história. O fanatismo nasce de temperamento, não de ideias. O temperamento fanático pode expressar-se de muitas maneiras. A era em que Hoffer viveu foi uma era de religiões seculares. A realidade exterminou as religiões que prometiam salvação na Terra. Mas não pode exterminar as religiões que prometem eternidade. Essas são, agora, novamente, a mais poderosa forma de crença, embora o nacionalismo ainda possa competir de perto.

Com efeito, religião e nacionalismo frequentemente reforçaram-se mutuamente: Deus, afinal de contas, é muito frequentemente considerado em “nosso campo”. Por essa razão, diz Hoffer, “o nacionalismo nos tempos modernos é a mais copiosa e renovável fonte de entusiasmo das massas e é preciso recorrer ao fervor nacionalista para que as drásticas mudanças projetadas e iniciadas pelo entusiasmo revolucionário possam ser consumadas”.

Um das intuições de Hoffer é que não é a pobreza o que transforma alguém num verdadeiro crente; é a frustração. É o sentimento de que alguém merece algo muito melhor. Não é de estranhar que alguns daqueles envolvidos em terrorismo sejam “peixes pequenos” do mundo do crime. Hoffer argumenta “que os frustrados predominam entre os primeiros adeptos de todos os movimentos de massa e que eles geralmente aderem por vontade própria”. Uma de suas características é que eles podem sentir que não se encaixam em suas sociedades.Isso não é improvável no caso de alguns filhos de minorias imigrantes. O vínculo com a cultura de origem de suas famílias e a identificação com a cultura da terra de suas famílias são, ambos, provavelmente muito frágeis.

O que a crença, então, oferece? Em essência, ele oferece uma resposta: a crença diz aos adeptos o que pensar, o que sentir e o que fazer. Ela proporciona uma comunidade abrangente para o crente viver. Ela oferece uma razão para viver, matar e morrer. Ela substitui o vazio por plenitude e a falta de rumo por propósito. Ela oferece uma causa. Ela é às vezes nobre e por vezes abjeta, mas é uma causa, e isso é o que importa. “Todos os movimentos de massas geram, em seus adeptos, uma…propensão para ação unida”, observa Hoffer. “Todos os movimentos de massa, independentemente da doutrina que pregam…, fomentam fanatismo, entusiasmo, esperança fervorosa, ódio e intolerância”. Todos exigem “fé cega e adesão sincera e dedicada”.

O comunismo minguou. O mesmo se deu, em muitos lugares, com o secularismo. A religião assumiu seu lugar. A falência moral e intelectual dos governantes seculares – especialmente dos déspotas seculares corruptos – fomentou esse recrudescimento. Mas as democracias ocidentais seculares são vulneráveis a assaltos também de verdadeiros crentes do islamismo militante. Guerras poderão controlá-los. Mas violência não os eliminará, como o Ocidente aprendeu tanto no Iraque como no Afeganistão. O inimigo não é o “terrorismo”; o inimigo é a noção da qual o terrorismo é fruto. Dissuadir pessoas dispostas a morrer é difícil. Matar ideias é difícil. Matar ideias religiosas é quase impossível. Essas ideias somente se dissiparão em face de ideias mais atraentes. Possivelmente, as ideias mais extremadas poderão morrer por exaustão. Mas isso pode levar muito tempo. Lembremo-nos que as ideias de Lutero desencadearam 130 anos de guerras religiosas na Europa. É um precedente preocupante.

O que deve ser feito? Não reivindico nenhuma expertise nessa área. Mas tenho pelo menos um interesse legítimo: o de cidadão de uma democracia liberal, condição que desejo manter. Minhas respostas são as seguintes. Em primeiro lugar, aceitar que estamos jogando um jogo – de longo prazo – de contenção. Em segundo lugar, reconhecer que o coração da luta está em outro terreno. O Ocidente pode ajudar. Mas não tem como vencer essas guerras. Em terceiro lugar, oferecer a noção vivida de igualdade como cidadãos, como alternativa para a jihad violenta. Em quarto lugar, apreciar e responder às frustrações que muitos agora sentem. Em quinto lugar, aceitar a necessidade de medidas para garantir segurança. Mas lembrar que segurança absoluta nunca é possível. Por último, nos mantermos fiéis às nossas crenças, pois sem elas nada temos a oferecer para esse esforço. Não devemos abandonar o Estado de direito nem a proibição à tortura. Se o fizermos, já teremos perdido a guerra de ideais e ideias.

Mais uma vez, os verdadeiros crentes querem fazer-nos mal. Mas a ameaça que eles representam não é comparável às que a democracia liberal sobreviveu no Século XX. Devemos reconhecer os perigos, mas não reagir exageradamente. Ao final, isso também vai passar.

A teoria levantada por Hoffer é muito interessante, podem dizer! Eu estou louca de vontade de ler esse livro, mas ainda não encontrei em nenhum lugar para comprar, parece que só tem em português de Portugal. Acho que vou ter que encarar em inglês mesmo…

O que você acha desse ponto de vista?

Por Ana Paula Ramos.

Marta Suplicy – Parte 2

Como se não bastasse o bafafá da entrevista dada por Marta Suplicy no início do mês, a Senadora resolveu novamente expressar seu descontentamento com o partido que representa. Dessa vez, o veículo utilizado foi a Folha de São Paulo e o mais curioso é que ela utilizou a coluna chamada debate, que pode ser usada por qualquer leitor que deseja enviar sua contribuição ao jornal, basta enviar um email. Achei bem curioso o canal escolhido e como já era de se esperar ela manteve as críticas ao governo. Leia e veja o que acha dessa nova Marta que põe o dedo na ferida do PT sempre que tem oportunidade:

Marta Suplicy: O diretor sumiu

Tenho pensado muito sobre a delicadeza e a importância da transparência nos dias de hoje. Temos vivido crises de todos os tipos: crise econômica, política, moral, ética, hídrica, energética e institucional. Todas elas foram gestadas pela ausência de transparência, de confiança e de credibilidade.

Se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro. Não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir.

Assim que a presidenta foi eleita, seu discurso de posse acompanhou o otimismo e reiterou os compromissos da campanha eleitoral: “Nem que a vaca tussa!”.

Havia uma grande expectativa a respeito do perfil da equipe econômica que a presidenta Dilma Rousseff escolheria. Sem nenhuma explicação, nomeia-se um ministro da Fazenda que agradaria ao mercado e à oposição. O simpatizante do PT não entende o porquê. Se tudo ia bem, era necessário alguém para implementar ajustes e medidas tão duras e negadas na campanha? Nenhuma explicação.

Imagina-se que a presidenta apoie o ministro da Fazenda e os demais integrantes da equipe econômica. É óbvio que ela sabe o tamanho das maldades que estão sendo implementadas para consertar a situação que, na realidade, não é nada rósea como foi apresentada na eleição. Mas não se tem certeza. Ela logo desautoriza a primeira fala de um membro da equipe. Depois silencia. A situação persiste sem clareza sobre o que pensa a presidenta.

Iniciam-se medidas de um processo doloroso de recuperação de um Brasil em crise. Até onde ela se propõe a ir? Até onde vai o apoio à equipe econômica?

Para desestabilizar mais um pouco a situação, a Fundação Perseu Abramo, do PT, critica as medidas anunciadas, o partido não apoia as decisões do governo e alguns deputados petistas vociferam contra elas. Parte da oposição, por receio de se identificar com a dureza das medidas, perde o rumo criticando o que antes preconizou.

O PT vive situação complexa, pois embarcou no circo de malabarismos econômicos, prometeu, durante a campanha, um futuro sem agruras, omitiu-se na apresentação de um projeto de nação para o país, mas agora está atarantado sob sérias denúncias de corrupção.

Nada foi explicado ao povo brasileiro, que já sente e sofre as consequências e acompanha atônito um estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança.

É o que o mercado tem vivido e, por isso, não investe. O empresariado percebe a situação e começa a desempregar. O povo, que não é bobo, desconfia e gasta menos para ver se entende para onde vai o Brasil e seu futuro.

Acrescentem-se a esse quadro a falta de energia e de água, o trânsito congestionado, os ônibus e metrôs entupidos, as ameaças de desemprego na família, a queda do poder aquisitivo, a violência crescente, o acesso à saúde longe de vista e as obrigações financeiras de começo de ano e o palco está pronto.

A peça se desenrola com enredo atrapalhado e incompreensível. O diretor sumiu.

MARTA SUPLICY é senadora pelo PT-SP. Foi prefeita de São Paulo (2001-2004), ministra do Turismo (2007-2008) e ministra da Cultura (2012-2014)

Parece que ela está declarando guerra ao PT mesmo, a pergunta que não quer calar é: por que ela ainda não saiu? Alguma coisa não está encaixando… O Miguel Jorge discordou da forma como a política estava sendo conduzida por Lula em 2003 e saiu do partido, ele também era um dos fundadores do partido, mas quando viu a mudança do partido não hesitou em sair. Por que ela não sai e critica de fora? Para mim é meio estranho tanto descontentamento e nenhuma ação de retirada. Será que ela espera ser chamada para colocar o partido nos eixos novamente? Acho essa opção meio difícil, uma vez que ela afrontou Aluizio Mercadante, Dilma e o próprio presidente do partido.

Ainda falta peça nesse quebra cabeça, só acompanhando para ver que figura sairá no fim.

Por Ana Paula Ramos

Afinal, o que é o PIB?

Quando o assunto é economia todo mundo insiste em falar em um tal de PIB. Todo mundo sabe que ele é importante para o crescimento e estabilização da economia do país, mas o que significa essas três letrinhas? Acho que a maioria tem uma ideia geral, mas não sabe explicar com exatidão a importância dele para a nossa vida.

Felizmente, o G1 fez uma explicação bem simples para que possamos entender porque o Produto Interno Bruto influencia tanto a nossa vida. Logo de cara eles explicam o que é o PIB e o objetivo de mensurá-lo, em seguida colocam as variáveis que entram e não entram nessa conta. Depois jogam uma luz sobre como é feito o cálculo e para finalizar de onde vem os dados que entram nessa conta.

É o melhor resumo que eu já vi e como eu adoro infográfico e eles usam e abusam desse recurso não podia deixar de compartilha-lo. Espero que depois de ler vocês consigam entender e dividir com os amigos o que é o PIB e porque ele é tão importante para a economia. Clica AQUI e entenda a essência dessas letrinhas.

Por Ana Paula Ramos

Dilma + Levy?

Não sei se vocês notaram, mas agora o blog tem uma categoria nova: Textos para pensar. O objetivo é compartilhar textos que considero interessantes e que nos fazem pensar sobre determinadas coisas que acontecem no nosso dia a dia. Vou deixar claro aqui que o fato de trazer o texto para o blog não significa que eu concorde integralmente com o que está escrito, mas reflexão nunca é demais. Nenhum dos textos são meus, em todos vou dizer o nome do autor e se eu souber digo a fonte também. Comecei com a entrevista da Marta Suplicy e agora vou compartilhar um texto bem interessante que o João Bosco escreveu na semana passada sobre o silêncio de Dilma:

Dilema Levyano

Menos pela cobrança da oposição e mais para não sugerir falta de apoio à equipe econômica, e com isso fortalecer o assanhamento da própria base parlamentar, a presidente Dilma não deve tardar em assumir a defesa do programa econômico que começa a ser executado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

A reunião ministerial  na Granja do Torto rompe o silêncio da presidente porque impõe seu discurso de abertura do segundo mandato, mas não deveria ser um tópico dentro do longo processo de reajuste das contas públicas. É preciso que seja o começo de uma postura presidencial.

O risco do silêncio da presidente, que realça a condução econômica por Levy, pode não ter a motivação que lhe empresta a oposição, mas deixa espaço para a exploração política nos termos em que se dá.

Além de sugerir que monitora de perto a gestão de um modelo que lhe desagrada, o distanciamento presidencial reforça a leitura de uma campanha eleitoral que dissimulou os problemas do país. Qualquer postura da presidente não a poupará do desgaste de uma economia em sérias dificuldades, agravada pelas crises de água e energia.

Melhor, pois, assumir o programa de ajustes, primeiro porque é a receita recomendável para o contexto de crise. Segundo, porque passa a ideia de um governo que optou pelo comportamento ativo para repor o país nos trilhos. Em síntese, um governo disposto a mostrar serviço.

A oposição do PT à gestão de Levy peca pela perda de viço do partido, com origem na corrosão de sua credibilidade, seja pelo esgotamento da aposta em um modelo populista, de muita assistência e de pouca gestão, seja pela associação à corrupção, que patrocinou em busca de um governo sem contestação.

Não por acaso, quando a situação de agrava na economia e na política, que intensifica o conflito interno, o partido ressuscita a teoria conspiratória com a qual pretende, dia sim, dia não, justificar o controle da mídia – ora em forma de aplicação da regra democrática, ora em forma de pretenso zelo constitucional pela pluralidade de enfoques jornalísticos.

O PT já vive um conflito interno proporcional ao desgaste da legenda, do que é sinal mais ostensivo hoje o comportamento dissidente da ex-ministra da Cultura, Martha Suplicy. Em que pese sua ação se vincule à percepção de que precisa resguardar seu patrimônio político, Martha não disse uma só frase que possa ser desmentida pelo partido.

Prova disso é a entrevista recente do ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, Paulo Vanuchi, eleito para responder à entrevista da ex-senadora ao jornal O Estado de S.Paulo, em que abriu a temporada de críticas ao partido, ao governo e não poupou sequer o ex-presidente Lula, por cuja candidatura em 2014 se empenhara – segundo ela, com aval do mesmo.

Vanucchi não desmente uma só linha da entrevista de Martha, limitando-se ao velho método do PT de desqualificar seus críticos.Com a diferença, agora, que os críticos estão no próprio partido e, no caso de Martha, entre outros, têm a credibilidade da vivência histórica na agremiação.

Exercem a crítica como testemunhas até ontem engajadas nas causas partidárias e, mais, com um currículo de cargos públicos eletivos e também de nomeação avalizada pelo partido para o primeiro escalão de seus governos.

Esse contexto, associado ao da corrupção, mergulha o partido em uma crise que o consome e limita sua capacidade de enfrentar a oposição externa e, por extensão, estancar a sangria eleitoral visível na última campanha, quando perdeu espaços e viu seu principal adversário, o PSDB, aumentar em proporção inversa a bancada legislativa federal.

Trava ainda uma disputa renhida com seu rival principal na base de sustentação governo, o PMDB, prestes a conquistar a presidência da Câmara, o que se não ocorrer agravará a situação do governo, porque o terá mais hostil na convivência congressual.

Agora mesmo, a presidente Dilma se vê em meio ao conflito tentando o malabarismo de não agravar o descontentamento do PMDB, compensando-o com cargos no segundo escalão, prêmio que o PT queria para si.

O dilema da presidente é esse: para manter o PT na órbita palaciana descontentar o PMDB. Para não ter problemas com o PMDB, desagradar ao PT. É onde surge o plano de criação do PL, capítaneado pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, com a intenção de , mais tarde, fundí-lo ao seu PSD e gerar um partido com número para rivalizar com os dois principais da base, notadamente o PMDB.

Se tentar agradar a todos, Dilma corre o risco de ampliar sua dependência junto a legendas menores e ao novo partido que resultar da fusão em curso no forno de Kassab. A aposta no programa recessivo de Levy é a melhor escolha, porque tem o ônus da impopularidade, em um primeiro momento, mas pode alcançar o objetivo de melhorar as consequências da crise para a população.

À fala presidencial de hoje à tarde será saudável seguir-se, com alguma regularidade, outras que façam o contribuinte perceber a condução da presidente no processo de rearrumação da economia. Do contrário, dada a gravidade da crise e a característica incontornável da receita para superá-la, o presidente, de fato, chamar-se-à, pelo menos por dois anos, Joaquim Levy.

A entrevista que ele cita da Marta Suplicy foi publicada aqui no blog no sábado. Recomendo que vocês leiam para entender melhor o quadro que ele desenhou. Ele falou também que o motivo do silêncio da presidente é a vontade de não desagradar alas internas do partido. Sabendo que as medidas tomadas por Levy seriam tomadas por qualquer ministro, você concorda com o ponto de vista defendido por João Bosco?

Até o próximo texto!

Por Ana Paula Ramos