Marta Suplicy – Parte 1

No início de Janeiro, Marta Suplicy concedeu uma entrevista a jornalista Eliane Catanhêde do Estado de São Paulo (quem assiste Globo News vai lembrar dela no Em Pauta), como era de se esperar ela manteve a linha das declarações do ano anterior. Demonstrou que está desalinhada aos projetos mais recentes do PT e criticou abertamente a presidente Dilma Rousseff e a cúpula do partido. O que Marta pretende com isso? Eu tenho minhas desconfianças, mas vou esperar um pouco mais para verbalizá-las. Leiam a entrevista e digam o que acham do posicionamento da Senadora nos comentários.

Por que a senhora articulou o movimento “Volta, Lula”?

Em meados de 2013, os desmandos aconteciam e a economia ia de mal a pior. Foi aí que disse ao Lula: ‘Presidente, está acontecendo uma coisa muito séria. O que o senhor acha que está acontecendo?’ Conversamos a primeira, a segunda, a terceira, a quarta vez… E ele dizia: ‘É verdade, estou conversando com ela, mas não adianta, ela não ouve’. A coisa foi piorando e, um dia, ele disse: ‘Os empresários estão se desgarrando…’. E perguntou se eu podia ajudar e organizei um jantar na minha casa, já no início de 2014, com os 30 PIBs paulistas. Foi do Lázaro Brandão a quem você quiser imaginar. Eles fizeram muitas críticas à política econômica e ao jeito da presidente. E ele não se fez de rogado, entrou nas críticas, disse que era isso mesmo. Naquele jeito do Lula, né? Quando o jantar acabou, todos estavam satisfeitíssimos com ele.

E falaram nele como candidato?

Ninguém falou claramente, mas todo mundo saiu dali com a convicção de que ele era, sim, o candidato.

Ele admitia que queria ser?

Nunca admitiu, mas decepava (sic) ela: ‘Não ouve, não adianta falar.’

Ele estava incomodado com Dilma?

Extremamente incomodado. E isso é que foi levando ele a achar que tinha de ser o candidato e fui percebendo que a ação dele foi mudando. A verdade é que ele nunca disse, mas sempre quis ser candidato e achou que ia ser.

Por isso a senhora trabalhou pela candidatura do Lula?

Sim, providenciando os encontros para ele poder se colocar. Foi quando convidei políticos, artistas para um grande encontro político. Convidei a Dilma, o Mercadante e todos os ministros de São Paulo, avisando que o Lula estaria presente. Todos confirmaram, mas, na véspera, todos cancelaram. E ela, Dilma, também não foi. Nessa época, ainda estava confuso quem seria o candidato. Tinha uma disputa. E, depois, quando ela virou candidatésima, ele não falava mais com ela.

O Lula deixava uma porta aberta?

Quando o Lula escolheu o Fernando Haddad para disputar a Prefeitura, eu avisei a ele que eu ia sair do ministério, porque discordava da política econômica, da condução do País, e ia voltar para o Senado. ‘E vou dizer que o candidato é o senhor. A única que tem coragem de dizer isso publicamente sou eu e vou dizer’. E ele: ‘Não vai, não, de jeito nenhum’. Eu: ‘Por quê?’ Ele: ‘Porque não é hora’. Veja bem, ele não negou, ele disse que não era hora.

Depois, como evoluiu?

Um dia, eu fui direta: ‘Lula, tem de ir pro pau, tem de ter clareza nisso’. E listei pessoas com quem poderia conversar para dizer que ele tinha interesse, que estava disposto. Aí ele disse que não, que não era para falar com ninguém. O que eu ia fazer? Concordei. Só que, quando eu já estava saindo, perto da porta, ele disse: ‘Pode falar com o Rui (Falcão, presidente do PT)’. Dois dias depois, sentei duas horas e meia com o Rui e disse a ele: ‘A situação está muito difícil eleitoralmente para o PT, mas muito difícil para o País. Porque vai ser muito difícil a Dilma conduzir o País de outro jeito, você já conhece o jeito dela’. Mas ele disse que íamos ganhar e que eu estava falando de coisas que eu não entendia.

Acredita que o Lula queria ser (candidato em 2014)?

Ele é um grande estadista, mas não quis enfrentar a Dilma. Pode ser da personalidade dele não ir para um enfrentamento direto, ou porque achou que geraria uma tal disputa que os dois iriam perder.

E quando o próprio Lula encerrou de vez o assunto?

Foi quando ele disse: ‘Marta, acabou. Vamos trabalhar para a Dilma e pronto. Você vai enfiar a camisa e trabalhar de novo’.

E a senhora, nunca pensou em ser candidata?

A quê?

A presidente…

Pensei sim. Quando era neófita, tinha clareza de que poderia ser presidente. Depois, isso caiu por terra, até que um dia o Lula, no avião dele, quando era presidente, me disse: ‘Minha sucessora vai ser uma mulher’. E pensei que ou seria eu, ou Marina (Silva) ou Dilma. Logo vi aquela história de ‘mãe do PAC’ e que era a Dilma. Pensei: ‘O que faço?’ Bom, ou ficava contra e não fazia coisa nenhuma, ou ajudava. Mais uma vez, decidi ajudar. Sempre achei que ia acabar ficando meio de fora das coisas, talvez pela origem, talvez por ser loura de olho azul, não sei.

Como vê o governo Dilma?

Os desafios agora são gigantescos, porque não se engendraram as ações necessárias quando se percebeu o fracasso da política econômica liderada por ela. Em 2013, esse fracasso era mais do que evidente. Era preciso mudar a equipe econômica e o rumo da economia, e sabe por que ela não mudou? Porque isso fortaleceria a candidatura do Lula, o ‘Volta, Lula’.

E a nova equipe econômica?

É experiente, qualificada. Vai depender de a Dilma respeitar a independência da equipe. Se não respeitar, vai ser desastroso. Agora, é preciso ter humildade e a forma de reconhecer os erros a esta altura é deixar a equipe trabalhar. Mas ela não reconheceu na campanha, não reconheceu no discurso de posse. Como que ela pode fazer agora?

Se Dilma não deixar a equipe econômica trabalhar, os ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) podem correr para o Lula, pedindo apoio?

Você não está entendendo. O Lula está fora, está totalmente fora.

Tudo isso criou uma cisão indelével no PT, entre lulistas e dilmistas, como ficou claro na posse, quando o Lula foi frio com o Mercadante?

O Mercadante é inimigo, o Rui traiu o partido e o projeto do PT, e o partido se acovardou ao recusar um debate sobre quem era melhor para o País, mesmo sabendo as limitações da Dilma. Já no primeiro dia, vimos um ministério cujo critério foi a exclusão de todos que eram próximos do Lula. O Gilberto Carvalho é o mais óbvio.

Qual o efeito disso em 2018?

Mercadante mente quando diz que Lula será o candidato. Ele é candidatíssimo e está operando nessa direção desde a campanha, quando houve um complô dele com Rui e João Santana (marqueteiro de Dilma) para barrar Lula.

Quais as chances de vitória do PT com o Mercadante?

Ele vai ter contra si sua arrogância, seu autoritarismo, sua capacidade de promover trapalhadas. Mas ele já era o homem forte do governo. Logo, todas as trapalhadas que ocorreram antes ocorrem agora e ocorrerão depois terão a digital dele.

Afinal, quais são os desmandos da gestão do Juca Ferreira na Cultura?

Foi uma gestão muito ruim. Enviei para a CGU (Controladoria-Geral da União) tudo sobre desmandos e irregularidades da gestão dele.

O que aconteceu com a Petrobrás?

Para mim, todo o conselho e diretoria deveriam ter sido trocados. Respeito a Graça (Foster), até gosto dela. Não questiono sua seriedade e honradez. Mas, no momento, o mais importante é salvar a Petrobrás.

O PT foi criado com a aura de partido ético. Imaginava que pudesse chegar a esse ponto?

Cada vez que abro um jornal, fico mais estarrecida com os desmandos do que no dia anterior. É esse o partido que ajudei a criar e fundar? Hoje, é um partido que sinto que não tenho mais nada a ver com suas estruturas. É um partido cada vez mais isolado, que luta pela manutenção no poder. E, se for analisar friamente, é um partido no qual estou há muito tempo alijada e cerceada, impossibilitada de disputar e exercer cargos para os quais estou habilitada.

Então, a senhora vai sair do PT.

A decisão não está tomada ainda, mas passei um mês e meio, dois meses, chorando, com uma tristeza profunda, uma decepção enorme, me sentindo uma idiota. Não tomei a decisão nem de sair, nem para qual partido, mas tenho portas abertas e convites de praticamente todos, exceto do PSDB e do DEM.

Para concorrer à Prefeitura?

Não será uma decisão em função de uma possível disputa à Prefeitura, por isso é tão dura. É uma decisão duríssima de quem acreditou tanto, de quem engoliu tanto.

Tem uma gota d’água?

Não, mas na campanha da Dilma e do (Alexandre) Padilha em São Paulo, fui totalmente alijada. Quando Padilha me ligou pedindo para eu gravar, disse: ‘Ô Padilha, entenda. Eu não sou mais objeto utilitário, acabou essa minha função no PT’.

Por que Dilma e Padilha foram tão mal em São Paulo?

Não foi um voto pró-Aécio (Neves), foi um voto anti-PT, pelos desmandos que o PT tem perpetrado nesses anos todos.

O que vai ocorrer com o PT?

Ou o PT muda ou acaba.

Essa frase do fim já é conhecida de várias pessoas que desaprovam o partido, mas o fato é que a militância terrorista e boa parte da população continuar levantando a bandeira do partido. Será mesmo que acaba? Tenho minhas dúvidas…

Por Ana Paula Ramos

Brasil, um país sem latifúndios

Kátia Abreu deu uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo e uma de suas afirmações foi a de que não há mais latifúndios no país. Eu gostaria de saber se o Brasil que ela vive é o mesmo que o meu, mas antes de jogar pedra, vamos ver alguns trechos da entrevista:

Folha – A senhora assume o ministério no momento em que grandes importadores de alimentos, como a China, crescem menos ou até enfrentam crise, como a Rússia. Como será o ano para o agronegócio?

Kátia Abreu – Há dificuldades, mas não temos muitos temores em relação às commodities de alimentos. A China, que importa 23% dos nossos produtos, pode parar de investir em uma porção de coisas. Mas 1,3 bilhão de pessoas lá seguem precisando almoçar, jantar e lanchar. Está havendo uma queda de preços [dos alimentos exportados], mas não creio em alteração de volume. Mesmo com o embargo [de potências internacionais], os russos continuam se alimentando de frango. As pessoas têm de comer. E a gente não exporta produtos muito agregados, consumidos por pessoas ricas. Exportamos é carne, que a massa come, um produto processado por lá.

A sua primeira viagem internacional será a esses países. Qual será a pauta?

Vamos assinar acordos firmes e claros para a habilitação, por exemplo, de novas fábricas frigoríficas no Brasil, para que elas possam exportar para esses países. Os chineses e os russos verbalizam: “Não queremos ficar na mão de JBS, Marfrig, Minerva [os maiores frigoríficos do país]”. Eles querem ter mais opções de compra. Vamos ampliar as possibilidades.

Não haverá reação dos frigoríficos que já têm esse mercado?

Ninguém gosta de dividir nada, né? As pessoas, quanto mais ganham, mais felizes ficam. Mas cabe ao Estado brasileiro abrir oportunidades e fazer o jogo da nação. E não de corporações. Eu não posso focar o privilégio de alguns em detrimento dos demais.

A entrevista já começa ambiciosa, Kátia já deixa clara a mensagem de que vai lutar pelo aumento de frigoríficos cadastrados para exportar. Isso vai de encontro aos interesses de grandes frigoríficos como a JBS, que foi contra a indicação dela ao ministério. Agora começa a ficar claro o motivo desse mal estar. A ministra ainda continuou

Movimentos sociais que apoiaram a reeleição de Dilma Rousseff afirmam que a nomeação da senhora foi um tapa na cara deles.

Se eles me apoiassem, aí era difícil, né?

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) diz que a senhora criminaliza os movimentos e até já pediu CPI contra eles.

Quero dialogar com eles. Diálogo sempre. E condenar invasão, sempre. Tem MST que invade, isso é ilícito, sim, e vai continuar sendo. Está na Constituição.

A senhora trabalha com a possibilidade de haver invasão em terras de sua família?

O que? O Ministério do Trabalho já pediu [documentos de propriedades] de 1987 para trás, quando o meu marido ainda era vivo. Eles vão à minha casa 24 horas por dia. Não acham nada. Meu filho não aguenta mais. Já invadiram também. Eu te falo com franqueza: não tenho nada contra assentamentos.

No Tocantins, sentei com o MST, eles me pediram ajuda. Tive audiência com o [então ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel] Rossetto para arrumar dinheiro para eles comprarem a fazenda de um cidadão. Se eu quero terra, por que eles não podem querer? Agora, não invade, pelo amor de Deus, porque não dá.

O país não necessita acelerar a reforma agrária?

Em massa, não. Ela tem de ser pontual, para os vocacionados. E se o governo tiver dinheiro não só para dar terra, mas garantir a estrutura e a qualidade dos assentamentos. Latifúndio não existe mais. Mas isso não acaba com a reforma. Há projetos de colonização maravilhosos que podem ser implementados. Agora, usar discurso velho, antigo, irreal, para justificar reforma agrária? A bancada [ruralista] vai trabalhar sempre, discutir, debater.

Então pronto, gente! Não tem mais latifúndio, a ministra falou tá falado. Será que vão criar um nome novo para as grandes porções de terra produtivas ou não dos nossos fazendeiros e deputados/senadores fazendeiros? Brincadeiras a parte dei uma olhada em outros jornais e alguns publicaram que a fala dela foi: “Latifúndio improdutivo não existe mais”, essa palavrinha faz toda diferente, uma vez que o alvo da reforma agrária é justamente o pedaço de terra improdutivo. Como eu não estava na entrevista não posso afirmar, mas já fiz a ressalva porque todo mundo sabe que edição de entrevista faz o que bem entende.

A senhora vai chamar os movimentos para dialogar?

Conflitos em outras áreas não são da alçada do Mapa [Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento]. Meus colegas do Desenvolvimento Agrário, do Incra, podem mediá-los com competência. Agora, passou o pé para dentro da terra, tô dentro. Inclusive índio. Se quiser ajudar os índios a produzirem, sou a parceira número um. Faço isso no meu Estado.

Para quem não sabe Kátia é goiana, mas foi eleita senadora por Tocantins. Aqui já percebemos mais uma alfinetada direcionada aos movimentos sociais, que não gostariam de ter uma representante da bancada ruralista a frente da Agricultura. Claramente, a linha que vai nortear o mandato de Kátia é o aumento da produtividade agrícola e do acesso de empresas brasileiras ao mercado externo.

O problema é que já desagradou movimentos sociais e grandes frigoríficos, vamos ver por quanto tempo ela vai conseguir se sustentar no cargo caso resolva fazer de fato o que está prometendo.

Caso você queira ver a entrevista completa basta clicar AQUI

Por Ana Paula Ramos

Je suis Charlie?

Eu escrevi um texto bem bonitinho dizendo porque eu não concordava com esse endeusamento da revista Charlie Hebdo, era para ter postado ontem, mas acabei deixando para hoje. Aí resolvi entrar no Facebook e me deparo com este texto AQUI escrito por um professor de Juiz de Fora, de todas as críticas que eu li, confesso que essa foi a mais completa e que melhor traduz aquilo que vinha martelando na minha cabeça desde o último dia 7.

Engraçado que até o início do nosso texto era igual. Eu comecei o texto falando justamente que NADA, absolutamente NADA justifica o ataque. Ninguém tem o direito de sair por aí matando quem quer que seja por mais ofendido que se sinta com algo que a pessoa pode ter feito. Condeno os ataques da mesma forma que a Comunidade Islâmica, mas discordo do endeusamento da revista. Discordo da forma heróica que estão tratando os editores.

Ocidental tem essa mania ridícula de transformar os mortos em herois como se tudo o que ele fez em vida pudesse ser perdoado imediatamente. Aposto que muita gente que está bradando Je suis Charlie nem conhecia a revista, se for mais atento pode lembrar da polêmica com a charge do profeta Maomé, que deu repercussão internacional a revista. Tirando isso, a revista não fazia diferença para ninguém além dos 200 mil franceses que liam a revista semanalmente.

Aparentemente o Je Suis Charlie representa a defesa da liberdade de expressão e o repúdio a qualquer tipo de violência. Eu sou a favor disso também, não acho que a violência é o caminho e nem que haja como justificar o seu uso. Defendo todos os tipos de liberdade, mas as vezes as pessoas esquecem que a sua liberdade não te dá o direito de me desrespeitar e a essência da Charlie Hebdo, para mim, era o desrespeito. Desrespeito aos católicos romanos, aos católicos ortodoxos, aos judeus e aos islâmicos. Esses eram os alvos preferidos da revista, mas ninguém foi dar uma olhada nos princípios das religiões para saber que no judaísmo o nome de Deus não pode ser escrito e nem dito de forma nenhuma. É um princípio bem mais forte que o católico e o protestante, que também prega isso, mas todo mundo chama a santíssima trindade o tempo inteiro. Para os judeus isso é levado a sério de verdade e para os islâmicos também, no caso deles não se deve representar Maomé de maneira nenhuma.

Você já viu alguma imagem de Maomé? Algum santinho, alguma coisa que fizesse alusão a imagem do profeta? Eu não, então porque não respeitar esse princípio? Porque para nós é uma coisa normal, eu sei. Só que para eles não, a religião é tratada de forma diferente da nossa e ninguém tem o direito de impor nada a eles porque eles também são livres. Todo mundo tem direito a liberdade, mas o seu direito começa onde o do próximo termina e assim por diante. Para mim a simbologia de desrespeito da revista é bem maior do que esse símbolo de liberdade. Não consigo dizer Je suis Charlie por achar que o respeito é a principal arma para evitar uma série de conflitos.

Achei que as homenagens foram lindas, vi o vídeo da torre Eiffel se apagando e achei que foi de uma força que nem mil palavras (ou desenhos) teriam. A capacidade dos franceses de se organizar é sensacional, em menos de 24 horas quinze mil pessoas estavam nas ruas clamando por justiça (Não sei se a justiça que eles pediram foi essa que a polícia está fazendo, porque justiça para mim é outra coisa), queria eu que nós brasileiros fossemos tão rápidos quanto eles e que Brasília já estivesse tomada por pessoas que exigem o pagamento dos salários dos funcionários do GDF…

Achei tudo muito válido e tudo muito sensível. O mundo inteiro levantou uma bandeira em prol da liberdade (alguém viu alguma declaração da China ou da Coreia do Norte?), mas só espero que haja aprendizado com essas perdas. O humor não tem licença para cometer atos de desrespeito, sei que a linha é muito tênue, mas essa coisa de que todo mundo tem que levar tudo na brincadeira não existe. Tem coisas que não devem ser alvo de brincadeira, até que a própria pessoa decida o contrário. Foi assim com a Igreja Católica e ninguém tem que impor a humorização de nenhuma outra religião se essa permissão não vier de dentro.

A premissa principal é sempre o respeito, a liberdade é um direito como qualquer outro e além de todo mundo saber que ela é um direito relativo, não dá para sair por aí fazendo o que dá na telha em nome dela. Há limites, sempre há. E infelizmente,  a Charlie Hebdo ultrapassou vários. Não acho que o ataque foi bem feito e nem nada próximo a isso, mas o mundo é feito de causas e consequências. Nós não esperávamos uma reação como essa, mas o Charb já andava com seguranças desde que seu nome foi parar na lista da Al Qaeda. Será que isso não poderia ter sido evitado?

Fiz essa pergunta a mim mesma várias vezes e não sei a resposta, mas acho que eu e o mundo inteiro gostaria que sim.

Por Ana Paula Ramos.

Os ministros

Também no dia 1º os novos ministros de Dilma tomaram posse, são trinta e nove ministérios, mas o que mais me surpreende é a clara sinalização da presidente para  manutenção da direção da Petrobrás. Mas isso é assunto para outro post, vamos aos ministros. Por motivos de força maior vou citar apenas os ministérios que considero mais importantes, caso você queira ver a biografia e o nome de cada um é só acessar AQUI.

Educação

Cid Gomes é o novo ministro da Educação. É ex governador do Ceará e irmão de Ciro Gomes, seu partido é o PROS e ele foi a cota do partido pelo apoio durante as eleições.

Casa Civil

Aloizio Mercadante, do PT, foi nomeado a uma das pastas mais importantes do governo e o motivo é bem simples: seu desempenho durante as eleições. Ele foi um super cabo eleitoral e tornou-se peça fundamental para Dilma.

Comunicações

Ricardo Berzoini (PT) volta o governo. É um dos homens fortes do PT. Foi ministro de Lula, quando o mensalão estourou deixou o governo para assumir a secretaria geral e posteriormente a presidência do partido. Ensaiou o retorno ao governo quando assumiu a Secretaria de Relações Institucionais no início do ano passado e agora virou ministro das comunicações. Vamos ver se ele vai manter a linha de proteção de Marco Aurélio Garcia ou se vai aumentar a blindagem da presidente.

Fazenda

Joaquim Levy, do banco Bradesco, assumiu a pasta. No momento, é um dos ministérios cruciais para o governo pela diminuição do crescimento e toda a instabilidade na economia internacional. É um dos setores mais delicados do governo e que necessita de reformas imediatas. É interessante ver que ela escolheu um representante de banco para assumir o ministério, pois ela havia criticado a proximidade de Marina Silva com os dirigentes do Itaú e dizia que ela entregaria o país aos bancos. Ela pode estar próxima dos bancos e não entregar o país aos banqueiros, qualquer outro candidato não tem essa capacidade. Para mim não cola muito, mas muita gente acredita nessa idiotice e é isso que conta, né?!

Planejamento

Nelson Barbosa assumiu o lugar de Miriam Belchior e já foi secretário executivo do ministério da Fazenda. Além de outros cargos no próprio MF, ocupou postos no Banco do Brasil, BNDES e Banco Central. Já deve estar bem acostumado com o jeito de Dilma e o passo do governo.

Trabalho

Manoel Dias, do PDT, foi mantido no cargo. Tradicionalmente o PDT ocupa esse posto e requisito aqui não é mais currículo, apenas o partido mesmo. Voltamos ao assunto das cotas partidárias.

Banco Central

Alexandre Tombini também foi mantido. Ele atende bem as necessidades de Dilma, chegaram a cogitar que ele seria o novo ministro da Fazenda, mas ela preferiu mantê-lo no BC. Nenhuma surpresa.

No total, quatorze ministros foram mantidos no cargo e cinco foram remanejados para novas pastas. Todos os demais são novos. A divisão partidária ficou bastante interessante e o PT ganhou mais espaço também. Aparentemente, Dilma escolheu pessoas que tem a sua confiança e não confiança do partido. Não sei se ela está querendo se desgarrar, mas é difícil desvincular a imagem da presidente da do partido ou de Lula. O marketing foi feito basicamente para que o povo acredite que eles são um só, sair dessa vinculação vai ser bastante difícil.

Lá em cima tem o link para ver todos os ministros e analisar a direção do novo mandato da presidente.

Divirta-se!

Por Ana Paula Ramos

Brasil, pátria educadora

Ontem foi o primeiro dia do ano e também dia da posse da presidente Dilma. Após uma eleição com direito a vale tudo e uma “transição” de muitos ataques as medidas adotadas pelo governo nos últimos dias de 2014 parecia que esse dia nunca chegaria. Os comentaristas políticos estavam ansiosos para saber o tom do novo mandato, mas pelo público presente na Esplanada parece que esqueceram de avisar a população que era dia de posse. Mas esse vazio não foi surpresa, pois todos sabem que a presidente não é bem cotada na capital.
POSSE DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF - BRASÍLIA - 01/01/2015O discurso feito pela presidente no Congresso Nacional pode ser lido integralmente AQUI. Como era de se esperar, ela fez o dever de casa e falou de todos os temas que interessam aos brasileiros, não deixou de fora nem a reforma política, mas durante o discurso no Congresso não mencionou o plebiscito que fez parte do discurso da vitória em 26 de outubro. Considerando que ela estava dentro da casa que barrou a proposta de plebiscito feita em 2013 isso pode ter sido estratégia para não criar inimizades logo na entrada do mandato.Falou também da Petrobras, que eu achei que seria deixada de fora, mas optou pelo discurso padrão de punir quem agiu de má fé e insistiu em dizer que estão sofrendo ataques externos. Aproveitou também para dar uma alfinetada na Venina Velosa, mas para o texto não ficar

desconexo por ir e vir no que foi falado vou destacar os pontos que mais me chamaram a atenção:

Resgatamos 36 milhões da extrema pobreza, 22 milhões apenas em meu primeiro governo

Esses números estão batidos, todos sabem que os 36 milhões correspondem ao número total de atendido pelo programa, mas segundo o IPEA de 2003 para cá, a quantidade de pessoas retiradas da extrema pobreza é de 8,4 milhões. Não estou desvalorizando os oito milhões, só acho que é importante deixar claro a quem ouve que existe uma diferença entre o número de atendidos e número de pessoas retiradas da miséria…

Nunca o salário mínimo e os demais salários se valorizaram por tanto tempo e com tanto vigor

Dilma herdou o “nunca antes na história desse país” do Lula, mas fazendo a correção de valores o salário mínimo  da época de JK era bem maior que o atual, que passará a ser de $788 esse mês. Não quero ser cri cri, só acho um absurdo essa ideia de que só o PT faz coisas boas pelo brasileiro. Eu não engulo essa, mas as pessoas tem preguiça de conhecer sua própria história e as vezes é importante mostrar que o PT não inventou a roda e que, por incrível que pareça, outros governantes também fizeram coisas úteis ao povo.

Nunca o Brasil viveu um período tão longo sem crises institucionais. Nunca as instituições foram tão fortalecidas e respeitadas, e nunca se apurou e puniu com tanta transparência a corrupção

Gente, de que tipo de crise ela está falando? Por que até onde eu sei a confiança no próprio governo, no congresso e no STF estão diminuindo. Para quem não lembra nossa corte superior, ao final de 2018 terá todos os ministros indicados pelo PT. A Petrobras está parecendo uma bomba relógio. O Congresso continua mais sujo que pau de galinheiro e para completar se vendeu para aprovar a diminuição do superávit primário. Quem anda pelos corredores da justiça sabe que entre os altos escalões do judiciário o que importa é a influência, não o delito. Olhando para o Mensalão e os escândalos que derrubaram Erenice Guerra e metade dos ministros da Dilma já no início de seu primeiro mandato, eu gostaria realmente de saber que ausência de crises institucionais é essa.

Assim como provamos que é possível crescer e distribuir renda, vamos provar que se pode fazer ajustes na economia sem revogar direitos conquistados ou trair nossos compromissos sociais

Só clica AQUI e lê a notícia.

É inadiável, também, implantarmos práticas políticas mais modernas e éticas e por isso mesmo mais saudáveis. É isso que torna urgente e necessária a reforma política

Eu acho que ela tem razão, precisamos de uma reforma política sim, precisamos de sangue novo, precisamos que os brasileiros sejam mais patriotas e queiram lutar não apenas pelo seu próprio bem, mas pelo bem da nação. Só que falar isso é muito fácil, difícil é ver Gim Argello, José Sarney, Renan Calheiros, Ricardo Berzoini e Erenice Guerra ao lado dela na TV e acreditar em uma vírgula que ela disse.

Na economia, temos com o quê nos preocupar, mas também temos o que comemorar

Depois de dizer que não havia problemas na economia, finalmente nossa presidente resolveu reconhecer que estamos em maus lençóis… Aécio deve estar chateado depois de tantas tentativas de fazê-la reconhecer a situação real do país. O fato é: o mar não está para peixe, o governo tem que cortar gastos ou o país quebra. O início de tudo foram os $18 bilhões dos direitos trabalhistas e o baixo reajuste do salário mínimo se comparado a anos anteriores. Mas isso não é nem um terço do que já devia ter sido feito, vejamos o que será proposto pelo novo mago das finanças Joaquim Levy. Espero que ele não seja adepto da Contabilidade Criativa, porque nem ela salvou as contas do governo em 2014.

Mais importante: a taxa de desemprego está nos menores patamares já vivenciados na história de nosso país

Muito cuidado quando falar dos índices de desemprego, a metodologia utilizada para quantificar o nível de desemprego foi modifica. Enquanto no governo FHC os maiores de 18 anos que não tinham emprego eram desempregados. Hoje, só é considerado desempregado quem, a partir da maioridade, não tem emprego e está procurando por alguma vaga. Exemplo: Em 1998, um jovem universitário com 19 anos que não possuía emprego era considerado desempregado. Hoje, esse mesmo jovem só é considerado desempregado se estiver procurando emprego, caso não haja interesse em buscar empregos ele não entra nas estatísticas do governo atual. Entendem a sutileza? Entendem como é fácil dizer que é o menor patamar já vivenciado? Não estou dizendo que a metodologia é ruim, nem tenho conhecimento suficiente para isso. Só acho que você tem que saber o que está comparando e nesse caso, não dá para comparar o governo Lula e Dilma com o FHC, por exemplo.

Mais que ninguém sei que o Brasil precisa voltar a crescer

Que bom que ela sabe, a indústria e seus empregados agradecem a lembrança.

Nosso lema será : BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA! Ao bradarmos “BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA” estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar, em todas as ações do governo, um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e sentimento republicano

Os números da educação tem aumentado e mostram que a universalização do ensino pode ser possível em breve, mas quem vive a educação pública sabe que a qualidade não tem sido levada em conta. Espero que esse lema indique que o governo priorizará a qualidade e não somente a quantidade como tem feito nos últimos anos.

Vou propor ao Congresso Nacional alterar a Constituição Federal, para tratar a segurança pública como atividade comum de todos os entes federados, permitindo à União estabelecer diretrizes e normas gerais válidas para todo o território nacional

Essa coisa de deixar a União estabelecer regras me deixa em dúvida. Pode ser uma coisa boa ter padrão em tudo, maaaas dependendo de como as coisas sejam conduzidas pode ser um precedente para uma ditadurinha básica. Centralizações em geral acendem uma luz amarela na minha cabeça. Vamos esperar os esclarecimentos para saber como isso vai funcionar de fato.

Nossa inserção soberana na política internacional continuará sendo marcada pela defesa da democracia, pelo princípio de não-intervenção e respeito à soberania das nações, pela solução negociada dos conflitos, pela defesa dos Direitos Humanos, pelo combate à pobreza e às desigualdades, pela preservação do meio ambiente e pelo multilateralismo

Basta ler o artigo 84 da constituição que você vai ver que não há nenhuma novidade aqui. Ela só recitou os princípios que regem as Relações internacionais do Brasil. É uma pena saber que ela está sucateando o Itamaraty e tornando a carreira diplomática pouco atrativa para os que ingressaram recentemente no palácio. Entre as reclamações do corpo diplomático está o desrespeito ao limite de idade dos embaixadores que estão no exterior (ao completar 65 anos, o embaixador deve retornar ao Brasil, mas isso não está acontecendo), a promoção unicamente por tempo de serviço dispensando totalmente o mérito dos funcionários e várias outras questões de ordem administrativa como a diminuição do orçamento, que está quase 50% menor, em comparação com 2010, último ano de Lula no poder.

A Petrobras já vinha passando por um vigoroso processo de aprimoramento de gestão. A realidade atual só faz reforçar nossa determinação de implantar, na Petrobras, a mais eficiente e rigorosa estrutura de governança e controle que uma empresa já teve no Brasil

A realidade atual é reflexo do passado e, coincidentemente, a presidente estava no conselho da Petrobras na época. Se ela vinha passando por melhorias na gestão vamos torcer para que esse resultado apareça logo. Porque Getúlio Vargas deve estar se revirando na tumba com tudo o que está acontecendo. Não foi para servir de cabide de empregos e nem de máquina de financiamento de campanha que a Petrobras foi criada.

A presidente finalizou o discurso dizendo que se aproxima do povo brasileiro por ser sobrevivente e vitoriosa, espero que a gente possa passar de sobrevivente a senhores do nosso destino. Um povo que além de não desistir do sonho, luta para executar e procura formas de ajudar quem está em volta.

A presidente deve retornar a Bahia para descansar, enquanto isso continuamos esperando o que será feito para mudar os rumos do nosso país. Ou será que está na hora de ser mais incisivo e cobrar ações claras e imediatas?

Por Ana Paula Ramos