Entrevistas Jornal Nacional

Todos ficaram meio surpresos com a abordagem dos jornalistas do Jornal Nacional durante a série de entrevistas com os presidenciáveis. O aviso que eles deram no início de todas as conversas era o de que seria feita uma passagem pelos temas polêmicos de cada candidatura, o objetivo dessa abordagem não ficou muito claro para mim depois de ver a assertividade de William Bonner e a falta de tato quando a resposta dada não estava de acordo com a linha pretendida.

Achei bem mais úteis as entrevistas da Globo News que visavam os programas de governo, até porque as polêmicas levantadas pelo jornal muitas vezes não eram consistentes o bastante para tornar menos válida a candidatura do entrevistado… Quem não teve a oportunidade de assistir veja aqui e quem já viu, assista de novo:

Aécio

Dilma

Pastor Everaldo

Site do JN

Não sei se por causa do viral ou da pouca representatividade do pastor, não consegui um vídeo com áudio bom… É só clicar no link que você verá a íntegra do vídeo no site oficial do Jornal.

Marina

Para mim, as entrevistas não serviram para muita coisa, mas como foram bastante comentadas é bom que todos saibam do que se trata.

Por Ana Paula Ramos

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Debate SBT – Presidenciáveis

No início da semana aconteceu o segundo debate entre os presidenciáveis no SBT. As regras foram semelhantes às do debate da Band (se não viu, clica AQUI), mas nesse houve apenas quatro blocos e as perguntas entre candidatos do primeiro bloco era livre.O que mudou bastante foi a polarização,que é um efeito claro do resultados das pesquisas das duas últimas semanas.

Enquanto no primeiro debate houve uma divisão tripartite do protagonismo entre Aécio, Dilma e Marina, no segundo debate Aécio foi jogado para segundo plano. Marina e Dilma trocaram farpas e não fizeram perguntas a ele até os jornalistas desviaram um pouco a atenção dele e colocaram as duas para se digladiar nos comentários. Aécio comentou uma pergunta direcionada a Pastor Everaldo, o que demonstra que ele está ficando para trás no debate principal.

O fato é que as duas últimas semanas foram duras para o candidato e apesar de ter uma proposta razoável ele vai ter pouquíssimo tempo para correr atrás de um placar mais favorável. Se ele não conseguir incomodar acho que o debate da globo vai terminar de sepultá-lo.

Participaram do debate: Dilma Rousseff (PT), Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (Psol), Aécio Neves (PSDB), Marina Silva (PSB), Pastor Everaldo (PSC) e Levy Fidelix (PRTB).

Dilma

Seu alvo preferido foi Marina e não poderia ser diferente porque a ameaça mais direta a sua reeleição vem dela, principalmente quando se olha o resultado de pesquisas por estado. As perguntas que teve direito de fazer foram todas direcionadas a ela. A primeira foi sobre o custo das promessas de Marina e a segunda sobre o Pré-sal.

A assessoria de Dilma calculou que as promessas de Marina como 10% do PIB para a Educação e saúde, o passe livre para estudantes e várias outras custarão aos cofres públicos $140 bilhões.

O mais engraçado foi ver a Dilma bater firme dizendo que a candidata não havia respondido a pergunta. A rainha da enrolação criticando exatamente a sua maior arma é uma coisa que a gente não vê todo dia… Só falta ela aderir a objetividade para a vida.

“Quem governa tem de responder como vai fazer não basta se comprometer ou prometer”

Logo em seguida Dilma começou a recitar os números que ela e seus partidários gostam tanto de se agarrar para mostrar que o governo atual é o melhor de todos os tempos. Confesso que quando esse recital começa eu fico com um pouco de preguiça porque os números sempre podem ser manipulados para mostrar uma realidade paralela. Não estou dizendo que são falsos, só que quem dita pode omitir o que lhe é conveniente.

Mesmo com essa resistência, preciso dizer que mostrar números é uma tática muito boa, principalmente quando não há contestação do outro lado. Nem Aécio Neves, nem Marina foram capazes de criticar assertivamente os números da presidente e esse deveria ser o dever de casa das assessorias para o próximo debate.

Houve ainda perguntas sobre o sistema carcerário, ela comentou uma questão sobre governabilidade e colocou a culpa do desempenho da economia na seca e na crise internacional (aquela que seria uma marolinha, lembram?). Nas considerações finais ela disse que não está satisfeita com a realidade do país e que está preparando o país para um novo ciclo de crescimento. A resposta da economia mostra isso, mas para haver um novo ciclo é preciso que se desenvolva políticas e ninguém viu nem sinais de criação de mudança até porque isso costuma vir do ministério da fazenda e a música que toca lá é a de que a culpa é da crise (mesmo com vários países já apresentando índices de crescimento) e tudo é passageiro…

Em um balanço final é possível dizer que ela se saiu melhor que no debate da Band, a escolha por focar em Marina e deixar Aécio de lado foi acertada pelo simples fato de deixa-lo como coadjuvante em um cenário que ele perde cada dia mais espaço sem o PT precisar fazer nada para isso. Apesar disso, ainda falta substância, foi bom ver que ela não está mais criando um mundo imaginário após a fala do Aécio de que o sonho do brasileiro é viver na propaganda do partido.

A lição que fica é que ela aprendeu com os erros do primeiro debate e se continuar assim pode surpreender no da Record e no da Globo. Pena que será apenas no fim de setembro…

Marina

Marina aproveitou todas as oportunidades para devolver os ataques a Dilma. Logo na primeira pergunta que recebeu corrigiu a atual presidente afirmando que suas propostas não são promessas e sim compromissos que serão assumidos a partir dos esforços que o partido fará para que o país volte a ter eficiência no gasto público. Além disso, afirmou que aumentará a eficiência tributária para que o dinheiro arrecadado seja melhor empregado e depois adotou o discurso do Aécio Neves dizendo que fará as escolhas corretas e não as erradas sem dizer quais são essas escolhas.

Ainda enfrentou a presidente em uma questão sobre o pré-sal e derrubou a hipótese de que é contra o investimento em petróleo afirmando ainda que o dinheiro para o pré-sal já está garantido, mas o país precisa ser vanguardista e investir em mais fontes de energia.

Foi questionada ainda sobre as palestras que deu e não revelou as fontes devido a cláusulas de confidencialidade nos contratos que assinou e saiu-se bem dizendo que não teria problema nenhum em revelar a fonte pagadora se as empresas contratantes quiserem quebrar a cláusula. Posteriormente teve a oportunidade de falar sobre saneamento básico e nas considerações finais falou novamente sobre a nova política e afirmou que é persistente e não podemos perder as esperanças.

No primeiro debate ela teve altos e baixos, nesse tive a impressão de que ela foi melhor porque teve mais segurança. Talvez seja reflexo das pesquisas que a colocam como grande pedra no sapato de Dilma. Não foi brilhante, não soube rebater os números apontados pela atual presidente, mas foi linear e soube responder bem as perguntas com objetividade razoável.

Aécio

Sobre Aécio não há muito a se falar, porque nenhuma pergunta interessante foi direcionada a ele. O que chamou a atenção foi a tentativa de se colocar como semelhante de Marina nas considerações finais. Enquanto Dilma atacou a oponente de frente, Aécio optou por dizer que suas propostas são parecidas, porém ele é o candidato que tem mais preparo para assumir o mais alto cargo do executivo.

As pesquisas modificaram a balança de poder das eleições e o que mais sofreu com essa mudança foi o Aécio. Apesar desse posicionamento mais comedido e que evita o enfrentamento direto com Marina no debate hoje já vi várias acusações a candidata no facebook dele. Acusou-a, por exemplo, de plagiar um dos PNDH de FHC veja AQUI.

A assessoria parece estar ainda procurando a melhor forma de enfrentar Marina, mas é bem engraçado ver duas táticas tão diferentes postas em ação na mesma semana… Hoje ele vai ser entrevistado no Jornal da Globo, dia em que saiu a mais recente pesquisa informando que ele tem 15% das intenções de voto. O segundo turno que antes era certo, agora é um sonho, mas vamos ver como ele se sai. Muita coisa pode acontecer no samba do crioulo doido que virou essa corrida presidencial. Você pode assistir o vídeo do debate aqui embaixo:

 Bloco 1

Bloco 2

Bloco 3

Bloco 4

Quem tiver interesse em ver a divisão de temas citados pelos candidatos pode clicar AQUI para acessar um infográfico da Folha de São Paulo.

Escolha com consciência! Acompanhe os candidatos antes de escolher.

Por Ana Paula Ramos