Sobre perdas

Hoje perdemos um ícone da política brasileira. Hoje perdemos Eduardo Campos e pela primeira vez eu senti um enorme pesar que eu nem sem explicar de onde vem. Nunca senti isso com a morte de um desconhecido.

Vinha acompanhando os passos de Eduardo Campos antes dele se aliar a Marina. Quando ele apareceu como possível candidato ele já estava no meu radar político há dois anos por causa de uma visita que fiz a uma cidade de Pernambuco enquanto ele era governador. Na época ele tinha acabado de ser reeleito e ainda nem tinha tomado posse no segundo mandato.

Quando você visita uma cidade de interior que reconhece seu governador e enumera os motivos pelos quais votaria repetidas vezes nessa pessoa, o mínimo que você pode fazer é ficar de olho nesse cara. Foi isso que fiz, mas só do ano passado para cá que comecei a acompanhar mais de perto os passos dele e o novo projeto de Brasil que ele idealizava.

Eduardo

Ao se aliar a Marina, que ninguém queria pelo custo político de uma união desse porte, ele ganhou ainda mais meu coração porque eu sabia que ela devia ter visto algo diferente nele para aceitar a coligação. Não acho que ela seja perfeita nem concordo com todos os pontos de vista dela, mas acho que na política atual ela é um dos poucos peixes grandes (grande sim, ninguém ganha 20% dos votos de um país a toa) que luta contra a maré da corrupção e se mantém coerente.

Com a propaganda partidária de abril e a bandeira de união em torno de um programa de governo e não de interesses políticos percebi que muitas coisas que eu acredito estavam reunidas na figura dele. Foi a primeira vez que vi alguém colocando elementos novos no discurso, novidades que visavam o bem comum, novidades que realmente tinham poder para mudar a cabeça das pessoas e o país.

Eu sei que ele não era o único que lutava por essa causa, mas a força política de Eduardo Campos foi perdida e precisaremos de mais algum tempo para conseguir recompor essa linha de batalha. Sei que a perda de um pai de família não se compara a nenhuma dor do mundo, mas aquele pai fará muita falta ao Brasil.

Não foi só a família Arraes que perdeu, foi a nação brasileira. A impressão que tenho é que parte do meu sonho de mudança se foi com ele (eu sei que é dramático), mas eu gostaria muito que essa tragédia servisse para nos unir em torno de seu pensamento. Da ideia de que podemos ter um Brasil melhor construído por nós dia a dia através da nossa consciência política e de nossa preocupação com o bem estar de todos e não de meia dúzia.

A situação política para o PSB agora não é fácil, mas deixemos isso para outros posts o dia hoje é de pesar por uma perda irreparável. Que Deus conforte a família dele e de todos os que perderam a vida no acidente.

Por Ana Paula Ramos

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