Aécio na TV

Eu sei que enrolei para escrever sobre isso, mas antes tarde do que nunca. Estamos em período de propaganda partidária e já falei do programa nacional do PSB nesse post AQUI, agora é hora de fazer considerações sobre o programa do PSDB. Ele foi ao ar mês passado e o garoto propaganda, óbvio, foi Aécio Neves.

Se você não teve a oportunidade de assistir ou não lembra porque já passou muito tempo então assiste aqui embaixo e depois vamos conversar sobre ele

Para começar já gostei da fala da abertura, que nem foi do Aécio, mas foi bastante pertinente:

A política é igual a televisão sem controle remoto. Se você não levantar para mudar vai continuar assistindo o que não quer

A mensagem é simples e clara, não adianta só achar ruim. Tem que fazer alguma coisa para mudar, eu comecei fazendo esse blog com o objetivo de tentar tocar mais pessoas para a necessidade de participação política e você, o que tem feito?

Depois da introdução feita pelo ator quem domina a cena é o Aécio Neves, obviamente que ele se apresenta e mostra as bandeiras que defende

Meu nome é Aécio Neves e eu sou alguém que acredita profundamente na capacidade transformadora da política. Mas da política feita com seriedade, com planejamento, com amor mesmo ao Brasil.

Nesse conjunto de frases ele falou tudo o que nós queríamos ouvir. Pelo menos eu gosto muito de saber que alguém além de mim entende que a política é um meio de atingir um fim, que é o bem comum. Mas claro que essa fala redondinha me intriga, sempre fico atenta aquilo que soa como música aos meus ouvidos porque tudo o que é perfeito demais e se encaixa demais pode ser uma grande arapuca. Então juntem mais peças antes de se entregar a essas duas orações.

Depois ele fala da experiência de vida com os avós (algo bem parecido com o bate papo de Marina e Eduardo falando sobre a família dele em Pernambuco), sim ele é neto de Tancredo Neves, por isso o sobrenome. E falou sobre a influência dos avós e do pai em sua decisão de entrar para a política:

Faziam (os avós e o pai) política porque acreditavam na política, com absoluta integridade pessoal, honestidade de princípios e foi aí que de alguma forma eu passei a compreender a importância da política numa sociedade democrática.

Para continuar o currículo básico eles falaram que Aécio foi eleito deputado federal quatro vezes e em todas foi líder do PSDB na câmara. Tanto que chegou a presidência da Câmara e conseguiu organizar um pouco aquela casa da mãe Joana. Foi em sua gestão que o ponto eletrônico foi instalado no congresso, a imunidade parlamentar foi extinta e conseguiu economizar dinheiro do orçamento da Câmara para devolver ao erário.

A gestão planejada e eficiente é econômica. Não há nenhuma medida de maior alcance social, que melhore mais a vida das pessoas do que a boa aplicação do dinheiro público, com planejamento e transparência.

Eu sei que tem gente do PSDB envolvida no mensalão mineiro e não sei se ele é completamente limpo, mas essa declaração e os resultados que ele apresentou também me parecem bastante interessantes. Eu sempre disse que o problema do nosso país estava na gestão e ouvir alguém falar, finalmente, em gestão planejada parece indicar que há uma luz no fim do túnel.

Depois a pauta passa a ser a gestão dele em Minas, Aécio assumiu o governo com 42 anos quando o estado estava em crise, de acordo com o comercial: “uma das piores crises de sua história”.

O êxito do nosso governo (…) foi em razão das medidas que nós tomamos no princípio, nos primeiros dias. De enxugamento da máquina pública, de redução do número de secretarias, de cargos comissionados, dos exemplos pessoais que eu precisava dar numa situação dramática que vivia o estado. Nós não tínhamos dinheiro sequer para pagar a folha salarial. Cortei pela metade o meu salário, congelei o salário de todo o primeiro escalão e disse o seguinte: olha, vai trabalhar aqui quem quiser me ajudar a transformar Minas Gerais. Eu não tive direito nem condições de estabelecer duas, três, quatro, cinco prioridades. Estabeleci uma: Educação. Então nós criamos as metas para todos os servidores da educação. Hoje, segundo o governo federal e a Prova Brasil, os alunos de Minas são os que tem o melhor desempenho no Ensino Fundamental.

Não conheço muitas pessoas em Minas, mas nunca ninguém falou mal da gestão dele para mim, então talvez seja verdade tudo o que ele falou. As iniciativas foram boas, cortou excessos de onde todo mundo sabe que jorra dinheiro e aplicou em um ponto fundamental. Fazer isso no segundo maior colégio eleitoral do país não é fácil, conseguir êxito ao tomar uma atitude dessa a nível nacional poderá ser ainda mais difícil e pouco popular entre o primeiro escalão da política. Duvido que algum deputado aceite que seu salário seja congelado para aplicar o dinheiro em educação…

Mas o que interessa é que, mesmo com essas medidas (ou talvez por causa delas) Aécio foi reeleito com 77% dos votos em primeiro turno na eleição seguinte. Aí ele aproveitou para vender o peixe e dizer que o governo não foi do partido e dos aliados e sim das melhores figuras públicas que ele pode reunir. Obviamente que ele também deu aquela alfinetadinha básica na polarização com o PT

É isso que nós precisamos ver no Brasil, um governo qualificado. Vamos virar essa página, dessa tentativa de fazer uma divisão entre nós e eles. Aqueles que criticam o governo, aqueles que se indignam com o que está acontecendo no Brasil são os pessimistas, são os que não gostam do Brasil. E os que bajulam o governo são os patriotas. Nada disso. Nós temos que ter generosidade e fazer um Brasil que seja de todos porque o Brasil tem jeito, o problema não é o povo, o problema é o governo que está aí. E quando o governo vira o problema, aí a saúde vira problema, a educação vira problema, a segurança pública vira problema. O que nós precisamos é de uma nova visão de Estado.

Essa parte do discurso caiu um pouco por terra essa semana quando o PSDB voltou a atacar o governo Dilma em vez de se preocupar com propostas. O que estamos vendo é uma escalada da polarização entre PSDB e PT e não sei se esses ânimos vão se acalmar até as eleições. O PT jogou a isca e atacou, o PSDB mordeu e tá começando a atacar de volta. Vale a pena continuar conferindo, principalmente porque o PSB está começando a mostrar as garras também ao desfazer o acordo de apoio mútuo ao PSDB (mas isso é tema para outro post ;D).

Com relação as manifestações de junho ele também fez alguns comentários:

O que nós assistimos no Brasil no ano passado foi uma sinalização muito clara de que o brasileiro não aceita mais passivamente o desgoverno. Um governo que não conversa, que se omite nas questões essenciais, como saúde, como segurança. Um governo que acha que pode governar só com a propaganda, e não pode. Se nós não tivemos a partir daqueles eventos de junho uma melhoria na qualidade da saúde, da educação, da mobilidade urbana, da própria segurança, nós tivemos uma modificação profunda na cabeça das pessoas. Os governantes, todos eles, de qualquer partido, tem que estar muito atentos. Ou se dá respostas claras, objetivas, de como fazer ou se explica aquilo que não é possível fazer ou pagarão um preço caro.

A modificação na atitude das pessoas foi tão inesperada que o governo não soube atender as demandas do gigante, que voltou a dormir, mas ninguém tem certeza de até quando. As últimas manifestações estão com um tom diferente das que ocorreram em junho. Já vemos bandeiras de partidos e organização de minorias dentro de alguns segmentos da população e isso é uma combinação perigosa se não for bem acompanhada.

Quanto a parte de governar por propaganda eu gostei bastante. Gente, não dá para negar que uma propaganda bem feita enche os olhos, mas precisamos de mais foco no conteúdo e na coerência entre discursos e ações. Lembrem-se que o mestre da lavagem cerebral por propagandas era o Hitler (e o Goebbles), então fiquem atentos a quem vocês colocam no poder.

No restante da propaganda ele fala da peregrinação dele pelo país, mostra que está disposto a ouvir o povo e que o que ele mais quer é conversar com quem entende dos problemas da população, ou seja, o própria provo.

Apesar de se assemelhar um pouco a propaganda do PSB na parte que fala dos avós eu achei bem interessante o jogo de palavras. Falou os nossos problemas estruturais e tentou mostrar uma forma de melhorar o desempenho (não só aumentar números) da educação. Citou as manifestações e falou como um governante deve agir, mas devemos lembrar que durante junho ele estava tão estupefato quanto todos.

Ainda é cedo para decidir, mas vou continuar acompanhando as proposições dele. Em julho o bicho vai pegar.

Por Ana Paula Ramos.

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