Separação Iminente

O PMDB é o partido que mais tem dado dor de cabeça ao governo. As vésperas de sua convenção nacional a indefinição com relação a aliança ao PT é ainda maior. Até o dia 10 de junho Dilma Rousseff e Michel Temer precisam encontrar algo que apazigue a situação e mantenha os dois partidos unidos.

O racha entre os dois partidos é tão grande que de 27 seções regionais só há tranquilidade em 4 colégios eleitorais e todos de pouco peso: Alagoas, Maranhão, Rondônia e Amapá. Nos demais há algum tipo de problema variando apenas a intensidade da polarização.

Com o posicionamento que temos hoje dificilmente haveria acordo para a manutenção da união. A dúvida principal seria se a rejeição aconteceria de forma aberta ou velada por meio de voto secreto dos delegados. Mas ainda existe uma maneira de salvar a aliança e ela exigiria de Dilma duas ações: deixar de apoiar os irmãos Ciro e Cid Gomes no Ceará para apoiar o senador Eunício Oliveira e retirar a candidatura de Lindbergh Farias no Rio em favor de Luiz Fernando Pezão.

Aparentemente é uma manobra simples, mas a chance de que elas ocorram em quatro semanas é bem pequena. Caso o rompimento se confirme, o PT perderá 5 minutos de televisão no horário eleitoral que iniciará em julho. A perda é grande, principalmente em um país em que tempo de TV vence eleições. Entretanto há um precedente em que o PMDB abandonou uma coligação, que saiu vitoriosa apesar da dissidência.

Em 1998, mesmo ocupando cargos ministeriais no governo FHC, o partido saiu da aliança com o PSDB e mesmo assim o presidente conseguiu se reeleger. Pode ser que não seja o fim da linha para Dilma, que provavelmente deve se preocupar mais com a ascensão de Aécio Neves (PSDB-MG) nas pesquisas de segundo turno.

Novamente estamos conversando sobre barganhas políticas e mais uma vez me pergunto até quando vamos eleger pessoas e partidos que se preocupam mais com a própria manutenção no poder em vez de pensar se o projeto de governo que defendem está funcionando de fato.

Precisamos de alguém que faça o país se desenvolver sem lapidar o patrimônio público. Precisamos de mais sensatez principalmente dos poderosos chefões que aprovam orçamentos bilionários e não se comprometem com sua execução.

A impressão que tenho é que ser uma autoridade nesse país é sinônimo de amnésia. As pessoas se esquecem que pagam os mesmos impostos que todos (se elas não são sonegadoras, claro), que fazem parte da mesma população e que os benefícios que deveriam promover a todos, por consequência, também chegará a eles.

Além disso, parece que eles fazem questão de deixar de lado o motivo pelo qual foram postos no poder, eles são representantes dos interesses do povo e não de interesses particulares ou de grupos. O máximo que ele deveria defender é a coerência pela ideologia partidária, mas buscar benefícios para partidos em detrimento da população não faz o menor sentido quando se fala em democracia.

Precisamos de menos barganha, menos perpetuação de poder e mais ações em prol da população.

Por Ana Paula Ramos

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