Mais um no bonde

Ontem o Partido Progressista ofereceu um almoço a presidente Dilma, em Brasília, e anunciou apoio a reeleição da pré candidata. Quem fez a declaração foi Ciro Nogueira, o presidente nacional do partido. Ele aproveitou o encontro para entregar a Dilma um documento com onze pontos que servirão para o programa de governo do PT, uma das sugestões é que o Estado seja mais enxuto e menos interventor.

Mas nem tudo são flores no PP, a presidência nacional enfrenta algumas dissidências pelo país e pode ser que a Convenção marcada para 25 de junho retire o apoio a presidente. Muitos delegados desejam que o partido seja neutro nas eleições presidenciais, como aconteceu em 2010. O maior exemplo da falta de unidade partidária foi a ausência da senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), que é a pré candidata do partido ao governo do Rio Grande do Sul. Além de não ter ido ao almoço, ela apoiará a candidatura de Aécio Neves (PSDB-MG) e fará campanha para que o partido se mantenha independente nas eleições.

Há resistência ao apoio de Dilma em outros estados como Acre e Alagoas, que ainda não definiram apoio a nenhum partido. Diferentemente do Rio de Janeiro, que parece pender para o lado de Aécio Neves também. Já Paulo Maluf (PP-SP) declarou apoio a Dilma e afirmou que apoiará o candidato do partido, Alexandre Padilha, ao governo do estado (leiam ESSA notícia e tirem suas próprias conclusões sobre esse apoio incondicional).

Agora vamos entender a importância do PP para o PT. Já falei algumas vezes que nossa eleição é decidida por tempo de televisão durante a campanha e o motivo disso é muito simples: as pessoas não se aprofundam, elas não têm interesse em conhecer mais de perto a atuação do candidato antes dele brotar na tela da TV todos os dias durante três meses. Claro que estou generalizando, mas o fato é que quanto mais bonita a propaganda e mais íntegro o candidato parecer mais votos ele receberá. Principalmente se ele não for um desconhecido completo, porque aí o corpo a corpo terá que ser maior.

Tendo isso em mente as alianças partidárias têm como objetivo principal o aumento do tempo de exposição dos candidatos na propaganda eleitoral veiculada diariamente, a partir de julho, em horário nobre. Ainda não se sabe qual será a tabela utilizada pelo TSE, porque no ano passado a Câmara dos Deputados aprovou uma nova divisão de tempo entre os partidos. Surpreendentemente, a mudança favoreceu o PT, que ganhou mais de dois minutos de propaganda. O PSDB ganhou alguns segundos e o PSB perdeu outros segundos, mas no fim das contas os grandes perdedores foram os partidos menores, pois todos estão com menos tempo de TV de acordo com a nova diretriz. Um exemplo disso é o PSDC, que tinha 55 segundos e agora terá apenas 18 segundos. Minha pergunta é: O que um candidato vai apresentar em menos de 60 segundos?

Enfim, o jornal O Globo, no fim do ano passado publicou essa tabela com o tempo de TV de cada partido. O tempo definido considera uma propaganda eleitoral de 25 minutos, ou seja, por dia o PT terá direito a pouco mais de três minutos de exposição. Dá uma olhada no PP e no PDT, que já demonstraram interesse em se aliar ao PT e sente a força que Dilma terá em julho.

PARTIDO NOVA BANCADA* TEMPO DE TV*
PT 86 03’03”26
PMDB 71 02’34”02
PSD 49 01’51”13
PSDB 49 01’51”13
PP 40 01’33”54
PR 31 01’16”04
PSB 27 01’08”25
Solidariedade 23 01’00”45
DEM 21 00’56”55
PTB 19 00’52”65
Pros 18 00’50”70
PDT 14 00’42”91
PCdoB 14 00’42”91
PSC 13 00’40”96
PV 11 00’37”06
PRB 8 00’31”21
PPS 6 00’27”31
PTdoB 4 00’23”41
PSOL 3 00’21”46
​Demais 6 03’58”31
TOTAL 513 25min​​
Fonte: Câmara dos Deputados e TSE / *sujeito a alterações

Ao que tudo indica, a coligação do governo poderá ter mais de sete partidos, vamos torcer para que as pessoas se preocupem mais com o conteúdo e menos com a forma.

Por Ana Paula Ramos

Ps.: Quando o TSE decidir como será a tabela eu faço um texto novo avisando.

Ps2.: Essa tabela foi publicada na revista veja em outubro do ano passado. Se quiserem dar uma olhada nela e no texto que a acompanha basta clicar AQUI

Aécio na TV

Eu sei que enrolei para escrever sobre isso, mas antes tarde do que nunca. Estamos em período de propaganda partidária e já falei do programa nacional do PSB nesse post AQUI, agora é hora de fazer considerações sobre o programa do PSDB. Ele foi ao ar mês passado e o garoto propaganda, óbvio, foi Aécio Neves.

Se você não teve a oportunidade de assistir ou não lembra porque já passou muito tempo então assiste aqui embaixo e depois vamos conversar sobre ele

Para começar já gostei da fala da abertura, que nem foi do Aécio, mas foi bastante pertinente:

A política é igual a televisão sem controle remoto. Se você não levantar para mudar vai continuar assistindo o que não quer

A mensagem é simples e clara, não adianta só achar ruim. Tem que fazer alguma coisa para mudar, eu comecei fazendo esse blog com o objetivo de tentar tocar mais pessoas para a necessidade de participação política e você, o que tem feito?

Depois da introdução feita pelo ator quem domina a cena é o Aécio Neves, obviamente que ele se apresenta e mostra as bandeiras que defende

Meu nome é Aécio Neves e eu sou alguém que acredita profundamente na capacidade transformadora da política. Mas da política feita com seriedade, com planejamento, com amor mesmo ao Brasil.

Nesse conjunto de frases ele falou tudo o que nós queríamos ouvir. Pelo menos eu gosto muito de saber que alguém além de mim entende que a política é um meio de atingir um fim, que é o bem comum. Mas claro que essa fala redondinha me intriga, sempre fico atenta aquilo que soa como música aos meus ouvidos porque tudo o que é perfeito demais e se encaixa demais pode ser uma grande arapuca. Então juntem mais peças antes de se entregar a essas duas orações.

Depois ele fala da experiência de vida com os avós (algo bem parecido com o bate papo de Marina e Eduardo falando sobre a família dele em Pernambuco), sim ele é neto de Tancredo Neves, por isso o sobrenome. E falou sobre a influência dos avós e do pai em sua decisão de entrar para a política:

Faziam (os avós e o pai) política porque acreditavam na política, com absoluta integridade pessoal, honestidade de princípios e foi aí que de alguma forma eu passei a compreender a importância da política numa sociedade democrática.

Para continuar o currículo básico eles falaram que Aécio foi eleito deputado federal quatro vezes e em todas foi líder do PSDB na câmara. Tanto que chegou a presidência da Câmara e conseguiu organizar um pouco aquela casa da mãe Joana. Foi em sua gestão que o ponto eletrônico foi instalado no congresso, a imunidade parlamentar foi extinta e conseguiu economizar dinheiro do orçamento da Câmara para devolver ao erário.

A gestão planejada e eficiente é econômica. Não há nenhuma medida de maior alcance social, que melhore mais a vida das pessoas do que a boa aplicação do dinheiro público, com planejamento e transparência.

Eu sei que tem gente do PSDB envolvida no mensalão mineiro e não sei se ele é completamente limpo, mas essa declaração e os resultados que ele apresentou também me parecem bastante interessantes. Eu sempre disse que o problema do nosso país estava na gestão e ouvir alguém falar, finalmente, em gestão planejada parece indicar que há uma luz no fim do túnel.

Depois a pauta passa a ser a gestão dele em Minas, Aécio assumiu o governo com 42 anos quando o estado estava em crise, de acordo com o comercial: “uma das piores crises de sua história”.

O êxito do nosso governo (…) foi em razão das medidas que nós tomamos no princípio, nos primeiros dias. De enxugamento da máquina pública, de redução do número de secretarias, de cargos comissionados, dos exemplos pessoais que eu precisava dar numa situação dramática que vivia o estado. Nós não tínhamos dinheiro sequer para pagar a folha salarial. Cortei pela metade o meu salário, congelei o salário de todo o primeiro escalão e disse o seguinte: olha, vai trabalhar aqui quem quiser me ajudar a transformar Minas Gerais. Eu não tive direito nem condições de estabelecer duas, três, quatro, cinco prioridades. Estabeleci uma: Educação. Então nós criamos as metas para todos os servidores da educação. Hoje, segundo o governo federal e a Prova Brasil, os alunos de Minas são os que tem o melhor desempenho no Ensino Fundamental.

Não conheço muitas pessoas em Minas, mas nunca ninguém falou mal da gestão dele para mim, então talvez seja verdade tudo o que ele falou. As iniciativas foram boas, cortou excessos de onde todo mundo sabe que jorra dinheiro e aplicou em um ponto fundamental. Fazer isso no segundo maior colégio eleitoral do país não é fácil, conseguir êxito ao tomar uma atitude dessa a nível nacional poderá ser ainda mais difícil e pouco popular entre o primeiro escalão da política. Duvido que algum deputado aceite que seu salário seja congelado para aplicar o dinheiro em educação…

Mas o que interessa é que, mesmo com essas medidas (ou talvez por causa delas) Aécio foi reeleito com 77% dos votos em primeiro turno na eleição seguinte. Aí ele aproveitou para vender o peixe e dizer que o governo não foi do partido e dos aliados e sim das melhores figuras públicas que ele pode reunir. Obviamente que ele também deu aquela alfinetadinha básica na polarização com o PT

É isso que nós precisamos ver no Brasil, um governo qualificado. Vamos virar essa página, dessa tentativa de fazer uma divisão entre nós e eles. Aqueles que criticam o governo, aqueles que se indignam com o que está acontecendo no Brasil são os pessimistas, são os que não gostam do Brasil. E os que bajulam o governo são os patriotas. Nada disso. Nós temos que ter generosidade e fazer um Brasil que seja de todos porque o Brasil tem jeito, o problema não é o povo, o problema é o governo que está aí. E quando o governo vira o problema, aí a saúde vira problema, a educação vira problema, a segurança pública vira problema. O que nós precisamos é de uma nova visão de Estado.

Essa parte do discurso caiu um pouco por terra essa semana quando o PSDB voltou a atacar o governo Dilma em vez de se preocupar com propostas. O que estamos vendo é uma escalada da polarização entre PSDB e PT e não sei se esses ânimos vão se acalmar até as eleições. O PT jogou a isca e atacou, o PSDB mordeu e tá começando a atacar de volta. Vale a pena continuar conferindo, principalmente porque o PSB está começando a mostrar as garras também ao desfazer o acordo de apoio mútuo ao PSDB (mas isso é tema para outro post ;D).

Com relação as manifestações de junho ele também fez alguns comentários:

O que nós assistimos no Brasil no ano passado foi uma sinalização muito clara de que o brasileiro não aceita mais passivamente o desgoverno. Um governo que não conversa, que se omite nas questões essenciais, como saúde, como segurança. Um governo que acha que pode governar só com a propaganda, e não pode. Se nós não tivemos a partir daqueles eventos de junho uma melhoria na qualidade da saúde, da educação, da mobilidade urbana, da própria segurança, nós tivemos uma modificação profunda na cabeça das pessoas. Os governantes, todos eles, de qualquer partido, tem que estar muito atentos. Ou se dá respostas claras, objetivas, de como fazer ou se explica aquilo que não é possível fazer ou pagarão um preço caro.

A modificação na atitude das pessoas foi tão inesperada que o governo não soube atender as demandas do gigante, que voltou a dormir, mas ninguém tem certeza de até quando. As últimas manifestações estão com um tom diferente das que ocorreram em junho. Já vemos bandeiras de partidos e organização de minorias dentro de alguns segmentos da população e isso é uma combinação perigosa se não for bem acompanhada.

Quanto a parte de governar por propaganda eu gostei bastante. Gente, não dá para negar que uma propaganda bem feita enche os olhos, mas precisamos de mais foco no conteúdo e na coerência entre discursos e ações. Lembrem-se que o mestre da lavagem cerebral por propagandas era o Hitler (e o Goebbles), então fiquem atentos a quem vocês colocam no poder.

No restante da propaganda ele fala da peregrinação dele pelo país, mostra que está disposto a ouvir o povo e que o que ele mais quer é conversar com quem entende dos problemas da população, ou seja, o própria provo.

Apesar de se assemelhar um pouco a propaganda do PSB na parte que fala dos avós eu achei bem interessante o jogo de palavras. Falou os nossos problemas estruturais e tentou mostrar uma forma de melhorar o desempenho (não só aumentar números) da educação. Citou as manifestações e falou como um governante deve agir, mas devemos lembrar que durante junho ele estava tão estupefato quanto todos.

Ainda é cedo para decidir, mas vou continuar acompanhando as proposições dele. Em julho o bicho vai pegar.

Por Ana Paula Ramos.

O Brasil quer voltar a sorrir

Aquela propaganda apelativa lançada pelo PT foi alvo de uma releitura e com ela eu tive certeza de que a criatividade do ser humano não tem limites. Ainda não conseguiu ver? Então dá play aí embaixo e foca na fala do narrador:

Conseguiu acompanhar?

“O brasileiro que tanto batalhou por uma vida melhor, hoje olha pessimista para o futuro. Vê conquistas que levaram décadas para serem alcançadas destruídas num piscar de olhos pela incompetência e corrupção. O insignificante crescimento da economia, a volta da inflação e o desemprego assustam. Não podemos continuar do jeito que está. Já deu! O Brasil quer voltar a sorrir.”

A fala foi bem diferente da propaganda veiculada na TV, mas o qual você acha que traduz com mais fidelidade a nossa realidade?

Por Ana Paula Ramos

Setorização de Preferências

O IBOPE divulgou uma pesquisa em que as preferências partidárias do eleitorado brasileiro foram captadas. A mesma pesquisa foi realizada em 1995 e em 2002, o que possibilita uma base de comparação interessante do perfil do eleitorado brasileiro.

Atualmente os eleitores estão divididos da seguinte forma: 43% estão no Sudeste, 26% no Nordeste, 15% no Sul e 15% no Norte/Centro-Oeste. No país inteiro, 39% dos votantes têm até 44 anos e 61% estão acima dos 45 anos.

Com relação aos partidos, o PT é o preferido englobando 21% do total já o PSDB conta apenas com 5% da preferência nacional. Um fato curioso da pesquisa é a modificação do eleitorado petista, em 1995 e em 2002, 27% das pessoas que preferiam o partido possuíam até 24 anos. Hoje essa parcela diminuiu para 17%.

Entretanto quando se olha para o eleitor mais velho observa-se que na pesquisa anterior 25% dos que simpatizavam com o PT tinham mais de 40 anos. Na pesquisa mais recente o IBOPE modificou as faixas etárias dividindo o eleitorado entre votantes que tem até 44 anos e os que tem mais de 45 anos.

Essa nova distribuição etária mostra que 39% dos eleitores têm até 44 anos enquanto 61% tem mais do que isso. Dentre esses, 38% do primeiro grupo e 62% do segundo preferem o PT.

É interessante ver como a população muda suas preferências ao longo dos anos, mas esse tipo de ocorrência não é radical. Apesar de ainda ser o preferido por grande parte do eleitorado, o PT tem perdido adeptos. O PSDB, talvez pela polarização, não consegue ganhar os dissidentes e o cenário eleitoral acaba por favorecer o partido de Lula e Dilma.

O fato de os simpatizantes mais jovens estarem diminuindo também demonstra que a base de renovação do PT pode estar diminuindo, o que pode continuar prejudicando o partido que já sofre com a ausência de sangue novo e potente. Lula não viverá para sempre, como será que o partido se sustentará sem o seu maior cacique?

Por falar em jovens, eu acho que seria interessante fazer uma pesquisa sobre a evolução do ingresso de pessoas até 24 anos em partidos políticos nos últimos vinte anos. Eu tenho a impressão de que a nossa juventude (inclusive eu que me enquadro nessa parcela e não sou filiada a nenhum partido) está cada vez menos participativa nesse quesito, mas nada impede que surpresas aconteçam… Se eu conseguir fazer e compilar a pesquisa um dia me comprometo a publicar aqui no blog, façam o favor de ler!

Por Ana Paula Ramos

Já pode ter um treco

Recebi uma imagem pelo whatsapp. Quando li e vi as referências quase tive um treco! Veja você mesmo:

Blog

A única coisa que consigo pensar é: será que quem inventou isso tava falando sério? Eu sei que o DF viveu uma época de ouro com o Arruda, mas daí a querer que um corrupto volte ao poder quando o país inteiro está tão cansado de ser passado para trás é meio sem sentido, não?

É cada doido que me aparece…

Por Ana Paula Ramos

De reserva a atacante

Marta Suplicy já foi melhor aproveitada pelo PT em outras épocas, mas desde 2010 tem sido deixada em segundo plano. A atual ministra da cultura foi Prefeita de São Paulo de 2001 a 2004 e concorreu algumas vezes ao cargo de governadora do estado, mas nunca ganhou.

Em 2010, sua candidatura ao governo foi substituída pela de Aloízio Mercadante e em 2012 sua aspiração a prefeitura foi barrada por Fernando Haddad. Como prêmio de consolação ela ganhou o ministério da cultura após a saída de Ana de Holanda.

O fato é que Marta Suplicy foi colocada no banco de reservas do PT, não sei se consensualmente, e agora está sendo chamada a linha de ataque novamente. Sua participação na campanha de Dilma dentro da cidade poderá ser fundamental, pois já está integrada o núcleo central das pré campanhas de Padilha e Dilma no estado.

No início do mês já havia participado de uma reunião com Rui Falcão, o presidente nacional do PT, Emídio Souza e Edinho Silva, futuro tesoureiro da campanha de Dilma. O objetivo do encontro era definir qual seria a participação da ex prefeita na campanha dos dois.

Apesar das conversas, dificilmente a ministra assumirá formalmente a coordenação da campanha de Dilma em São Paulo. Mas em setenta dias, ela teve vinte e três compromissos oficiais na cidade. A importância da cidade para a candidata a presidência está ligada a resistência que o setor empresarial adquiriu ao seu governo nos últimos anos.

Marta Suplicy virou peça chave para dialogar com os representantes do empresariado e da área política local, pois Haddad tem recebido avaliações cada vez mais negativas e não tem fôlego para trazer frutos com as conversas. O dinheiro para financiamento da campanha e o voto de um grupo que costuma votar em blocos é o que está em jogo a partir de agora.

Em breve veremos se essa peregrinação renderá frutos ao partido.

Por Ana Paula Ramos

A Copa

Demorei bastante tempo para escrever sobre esse tema simplesmente porque ele divide meu coração. Eu gosto de futebol, muito. Sou do tipo que não assiste a todas as partidas, mas tento estar por dentro do que está acontecendo nos campeonatos principais pelo simples fato de achar o esporte fantástico.

Gosto também do que ele representa ao povo brasileiro, de como ele move milhares aos estádios e do poder que um gol tem sobre tantas pessoas. O fato mais curioso disso tudo é que eu não tenho time. Minha mãe sempre me ensinou a assistir jogos, mas nunca disse que eu tinha que escolher um para torcer aí continuei feliz só assistindo.

Minha política é: Sempre torço para o Brasil e quando tem time brasileiro em competição internacional é para ele que vou torcer independente de quem seja. Pensando nisso acho que não tenho um time porque eu sou daquelas torcedoras extremistas, eu assisto o jogo e sofro do início ao fim e cada jogada parece que vai me fazer ter um infarto. E esse meu sofrimento não é só para o futebol. Qualquer esporte tem esse poder sobre mim. Acho que o meu cérebro me poupou desse sofrimento semanalmente optando por não escolher um time, só pode (Eu sei que não faz muito sentido, mas é a vida).

Enfim, essa paixão me dividiu durante muito tempo. Inclusive eu fiquei muito feliz quando soube que a Copa do Mundo seria aqui. Eu assisti todas desde 98 (já disse que eu sou ligeiramente jovem) e estou vivendo para ver o campeonato mais importante do mundo em terras brasileiras. É de empolgar qualquer um e, a menos que você não suporte futebol, é hipócrita dizer o contrário.

Quando o Blatter tirou o papelzinho com o nome do Brasil no sorteio feito em 2009 eu achei espetacular, mas passada a euforia começaram as indagações. Nós já havíamos feito um Pan americano no Rio, uma Copa e uma olimpíada não seria um grande desafio, seria? Depois de dois anos o Brasil descobriu que a Copa seria sim uma pedra no sapato dos governantes e no ano da Copa das Confederações essa falha ficou clara para o resto do mundo.

A impressão que eu tenho hoje é que a Copa foi um grande tiro no pé, porque quando o Lula foi a Zurique defender nossa candidatura ele queria quebrar um paradigma. Ele queria mostrar ao mundo e, principalmente, aos críticos que Copas não são eventos de países ricos. Até porque Uruguai, Chile, México, Argentina e África do Sul já foram palco do espetáculo. Como ele mesmo disse em sua coluna na edição brasileira do jornal El País (se não leu clica AQUI), ele lutou pela Copa não por motivações político-econômicas e sim pelo que o futebol representa para todos.

O discurso é bonito e mostra exatamente a desorganização que vemos hoje. Uma Copa é um evento voltado para o lazer, mas a estrutura para que ele aconteça demanda muito mais do que paixões. Ainda assim acreditei que poderia dar certo e essa seria a chance de vermos nosso sistema funcionando. Foi um grande engano, a decepção que senti ao ver que não conseguiríamos fazer uma Copa como eu havia visto pela televisão foi grande.

Não foi a beleza do evento que me decepcionou, foi a falta de infra estrutura, o desrespeito a população que foi desabrigada em nome do evento, o aumento dos gastos com as obras, a desorganização na entrada do estádio, o desrespeito aos prazos, a ausência de logística e o incrível dado de que menos de 50% das obras necessárias foram concluídas.

O que isso tudo revela? Simplesmente a nossa incompetência. No ano em que o Brasil foi escolhido, o nosso presidente nos vendia como o futuro do mundo, o país que todos deveriam ficar de olho, a potência da América do Sul e uma série de adjetivos que supervalorizavam o nosso país com o objetivo de atrair investidores. Cinco anos depois o mundo viu que douraram demais uma pílula oca e agora todos cobram resultados e a falta deles continua manchando nossa imagem por todo o globo.

Eu gostaria de saber o que passa de verdade pela cabeça do Lula e da Dilma ao ver uma reportagem como a do Financial Times, que associa a nossa presidente aos irmãos Marx (clique AQUI para ler a notícia). E como se não bastasse vincular a imagem dela a de comediantes, eles ainda citam os problemas que a governante tem em mãos como o escândalo da Petrobras e o problema energético. O mais intrigante é que nossa falta de memória é tão conhecida que no final do artigo ele ainda cita que esses problemas provavelmente serão esquecidos caso a Seleção tenha um bom desempenho.

Deve ser realmente intrigante ver que toda a imagem construída ao longo dos oito anos que esteve na presidência está indo por água abaixo por causa de monstro que eles próprios criaram. O fato de a Copa acontecer e tudo dar certo no final não apaga o que deixou de ser feito, não apaga o desalojamento de famílias e nem a dívida que vai ficar para o próximo governante pagar.

O fato é que não há mais o que se fazer com relação a isso já até falei em um dos posts aqui do blog que já fomos derrotados na Copa fora de campo. A essa altura do campeonato não há mais o que fazer, ficamos mais de 20 anos sentados dentro de casa acomodados com tudo o que o governo impunha. Ano passado resolvemos reivindicar, mas esquecemos que é preciso organização até nisso, não dá para quebrar embaixada e fazer protesto faltando um mês para a Copa ou durante a Copa das Confederações. Esse tipo de reivindicação tem que ser feito antes, no ato da nomeação.

Por exemplo, se houver um novo sorteio e escolherem o Brasil novamente para algum evento desse tipo, mobilizem-se para ir a rua assim que o resultado sair e, principalmente, antes das obras começarem. Não deixem as coisas chegarem a esse ponto para se indignar, uma população consciente fica atenta a tudo o que o governo faz para saber a hora de bater o pé. Afinal de contas, quem eles estão representando? Em nome de quem eles agem?

No fim das contas eu continuo querendo assistir o espetáculo da Copa, mas sei quanto ele nos custou e vai custar ao longo dos próximos anos, afinal muitas obras de mobilidade estão inacabadas e um dia elas terão que continuar. Meu coração verde amarelo torce para que a nossa seleção ganhe, mas torce mais ainda para que essa revolta se converta em consciência na hora de apertar confirma em outubro. Mesmo que o Brasil vença, não deixe que isso modifique a sua consciência sobre os fatos, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra e essa vitória não depende de quem trouxe a Copa para o país lembrem-se bem disso.

Por Ana Paula Ramos

Um assalto a democracia

A propaganda que o PT lançou semana passada está dando o que falar. Muita gente taxou o marketing como apelação e tentativa de incutir o medo na população. Se ainda não viu, dá uma olhada no vídeo aqui embaixo

Quando a gente dá um passo para a frente na vida precisa saber preservar o que conquistou. Não podemos deixar que os fantasmas do passado voltem e levem tudo o que conseguimos com tanto esforço. Nosso emprego de hoje não pode voltar a ser o desemprego de ontem. Não podemos dar ouvidos a falsas promessas, o Brasil não quer voltar atrás.

Essa é a única frase além das imagens. Eu acho um absurdo um partido tentar ganhar uma eleição fazendo terrorismo com a população. O nível de emprego do país NÃO depende do partido que está no poder e sim do aquecimento da economia. Com a economia funcionando as indústrias produzem mais, o comércio vende mais e as pessoas compram mais. Não tem fórmula mágica e nem partido que consiga manter o emprego sem deixar a economia girar.

Esse sensacionalismo é mais um motivo para eu acreditar cada vez menos no PT. Esse partido fez questão de entrar em uma polarização com o nós (pobres – PT) e eles (ricos – PSDB) e tem mostrado que quer se manter no poder a todo custo. Tem se preocupado em assustar o povo e não em propor melhorias para a população. O que eles fizeram foi louvável,  mas para continuar dando resultados precisamos de alguém que olhe para o país por outro ângulo e que entenda que a democracia é feita de alternância, por melhor que você tenha sido para o país.

Não se iludam e nem se vendam por terrorismo barato.

Por Ana Paula Ramos

Vamos conversar sobre números?

Hoje me deparei com um Guia Simplificado do Bolsa Família para idiotas, esse é exatamente o nome que Bruno Barros deu para o compilado de notícias sobre o programa que ele utilizou para ensinar as pessoas o funcionamento do programa e os benefícios que ele trouxe ao país. O guia é bem didático e se você tiver interesse pode acessá-lo AQUI.

Soube do guia através da página do Lula no Facebook e o comentário dele foi o seguinte:

Cerca de 50 milhões de pessoas são atendidas hoje pelo Bolsa Família. Pré-requisitos básicos do programa já transformaram as estatísticas brasileiras. Você sabia, por exemplo, que 96% das crianças e jovens inscritos superaram o índice mínimo de frequência escolar? Que as mulheres são 90% dos titulares do programa? Ou ainda que dos 3,8 milhões de Microempreendedores Individuais (MEI) do país, cerca de 390 mil são beneficiários da iniciativa? Conheça alguns resultados conquistados ao longo dos dez anos do Bolsa Família

Que o programa funciona a gente sabe e inclusive falei dele no post que escrevi sobre a Carta aos Brasileiros (não leu? clica AQUI). O assistencialismo sempre funciona, mas não é isso que está em cheque. O que eu critico é a falta de complementação ao programa e principalmente a ideia vitalícia que ele passa. Eu sei que ele beneficia apenas famílias com crianças até 15 anos e adolescentes até 17, mas ainda assim a ideia de uma família entrar em um programa desse tipo e passar 17 anos recebendo dinheiro do governo, para mim, é meio absurda. Uma família que não consegue sair de uma situação de dependência em um período de tempo tão grande provavelmente sofre com outros problemas além da falta de dinheiro. São esses problemas que tem que ser resolvidos para que ela tenha como andar com as próprias pernas rapidamente e não precise passar tanto tempo recebendo benefício do governo.

Outra questão que me incomoda muito quando falamos desses programas e dos resultados deles é a preocupação quase que exclusiva com os números. A impressão que tenho é que o governo quer mostrar que estamos diminuindo rápido a evasão e que estamos aumentando a quantidade de anos estudados em tempo recorde quando na realidade esses números não nos mostram a qualidade do ensino, que é incontestavelmente mais importante que números vazios. Até porque o ensino público de qualidade por si só atrairá mais alunos e diminuirá a evasão, entendem como o Bolsa Família isolado é uma tentativa de tampar o sol com a peneira?

O fato de o aluno estar dentro da escola não significa que ele está aprendendo, primeiro porque não há professores suficientes para todos e a estrutura de muitas escolas não contribui para o aprendizado dos alunos. O Bolsa Família é uma forma de manter os alunos na escola porque é a condição básica para que os pais recebam o benefício, mas o outro lado da moeda não é trabalhado. Para que o aluno otimize o aprendizado ele precisa de apoio em casa e o fato de a família enviá-lo para a sala de aula não significa que também está indo as reuniões e acompanhando o desenvolvimento escolar do filho.

Então gostaria de deixar bem claro que eu entendo como o programa funciona e, por isso mesmo, o critico. Do jeito que as coisas são feitas o governo atua dando o peixe, mas esquece que para haver desenvolvimento de fato ele precisa ensinar a pescar.

Por Ana Paula Ramos

Eleições Indianas

As eleições da Índia terminaram na última terça feira e hoje já temos alguns resultados. O grande vitorioso foi o partido nacionalista Bharatiya Janata Party (BJP), que obteve maioria no Parlamento. De um total de 542 cadeiras o BJP já ganhou mais de 270, essa é a maior vitória do partido que figurava como oposicionista desde 1984.

Narendra Modi

Por conta dessa vitória, o líder do partido, Narendra Modi, assumirá o cargo de primeiro ministro. O partido que ocupava o governo até então era o Partido do Congresso Nacional Indiano, liderado pela família Nehru-Ghandi.

A insatisfação popular com a dinastia que governou a Índia desde sua independência foi tão grande que nessas eleições eles tiveram o maior prejuízo eleitoral de sua história conquistando apenas 44 cadeiras do Parlamento. Grande parte da culpa pela derrota está associada aos escândalos de corrupção e dos maus resultados da economia indiana, que já foi vinte vezes maior que a chinesa e hoje é sete vezes menor.

Uma das promessas de Narendra é aquecer a economia e torna-la próspera novamente. O líder também afasta o risco de nepotismo ao afirmar que não tem família, por isso não tem a quem beneficiar ao ser eleito. Com a vitória, Modi já foi convidado a visitar a casa branca por Barack Obama.

O mercado financeiro recebeu bem a vitória do líder nacionalista, de acordo com seu discurso eleitoral, ele pretende projetar a Índia internacionalmente e fazê-la crescer economicamente. Ele acredita que conseguirá fazer com que o país cresça perto dos 10%, que era o crescimento anual da província de Gujarat governada por ele.

O espírito dos indianos agora é de renovação. A população espera que o BP consiga reformar o país como nunca foi feito antes. As expectativas são extremamente positivas e me lembra muito a vitória de Lula em 2002, espero que a história deles se desenrole melhor que a nossa.

Por Ana Paula Ramos

Sobre cartas e brasileiros

Durante as eleições de 2002, Lula fez bem antes do período eleitoral um discurso que ficou conhecido como Carta aos Brasileiros. Vocês lembram o que ele disse na ocasião? Vou ajudar vocês a refrescar um pouco a memória com alguns trechos do texto, mas se você tiver interesse de le-lo na íntegra basta clicar AQUI.

Antes de começar eu gostaria de propor um exercício: Esqueça a data de elaboração da carta e veja o que acontece com as bandeiras levantadas. Vamos ao que interessa:

“O Brasil quer mudar. Mudar para crescer, incluir, pacificar. Mudar para conquistar o desenvolvimento econômico que hoje não temos e a justiça social que tanto almejamos. Há em nosso país uma poderosa vontade popular de encerrar o atual ciclo econômico e político.”

O que tem ficado claro em todas as pesquisas desse ano? Que o brasileiro deseja mudança, mas que não sabem exatamente como alcança-la. Então eu me pergunto como é possível que, depois de 12 anos de PT no poder, essa mudança seja promovida. Como? Já estamos no PAC 3 e eu não consegui ver a conclusão nem do PAC 1. O governo tem utilizado artimanhas para omitir e maquiar dados para que os números não pareçam tão ruim aos olhos do povo. A base governista acha que não pode haver reforma política e também acham que abrir uma CPI em tempo de eleição será fatal. Fatal por que? Se o espírito de mudança retornou ao povo algo na forma como as políticas estão sendo conduzidas deve estar fora do contexto atual.

“Se em algum momento, ao longo dos anos, o atual modelo conseguiu despertar esperanças de progresso econômico e social, hoje a decepção com os seus resultados é enorme. Oito anos depois, o povo brasileiro faz o balanço e verifica que as promessas fundamentais foram descumpridas e as esperanças frustradas.”

A falta de resultados atinge a todas as camadas sociais e, principalmente, a economia. A maneira como essas políticas estão sendo conduzidas não são mais sustentáveis por um simples fato: Não estamos sozinhos no mundo e o cenário externo mudou. As crises de 2008 e a crise do euro em 2011 tiveram impactos diferentes no país. Se a primeira nos atingiu como uma marolinha, a segunda nos desestabilizou e apesar de continuarmos crescendo percebemos que os nossos índices estão cada vez mais pessimistas e instáveis. Para quem acompanha dados econômicos mensalmente a luz amarela já está acesa desde o ano passado e isso não é a mídia quem diz, são os números.

Sobre as esperanças e as promessas, o que sabemos é que o governo petista levanta a bandeira da igualdade social, pois quem tem menos renda tem que ter os mesmos benefícios de quem tem mais. Para mim isso é perfeitamente aceitável, mas dar benefícios em detrimento do desenvolvimento do país não parece ser o caminho mais adequado.

Os benefícios tem que ter prazo para acabar pelo simples fato de serem um meio e não o fim do desenvolvimento. Ele tem que vir com algo mais, que no caso seria o investimento na educação pública para que a qualidade do nosso ensino aumente e, por consequência, o nível técnico dos alunos também. Algo mais como o investimento em saúde, pois assim as famílias não precisariam gastar tanto com plano de saúde ou ter tantas experiências traumáticas e acabaria sobrando para investir em lazer, por exemplo. Muitos acabam esquecendo, mas o investimento em lazer se torna importante (não mais que os outros) por conta da formação cultural de um país. Esse aprendizado, esse olhar apurado para o que nos inspira e diverte não é conquistado somente na escola, é preciso um pouco mais de interesse e incentivo para isso.

Investimentos em infraestrutura também deveriam vir junto com os benefícios, pois facilitando a logística do país, mais empregos serão criados e mais competitividades terão nossas empresas fora do país. Eu sei que o PAC existe para isso, mas eu não consigo quantificar os benefícios que ele trouxe. Talvez isso tenha relação com o investimento menor aqui no DF, mas eu olho para o PAC e vejo um grande elefante branco principalmente quando penso nas obras do Rio São Francisco. A verdade é que muito disso parece ter uma finalidade eleitoreira e o que importa é que a população veja a obra e não que ela seja executada de fato.

Um fator do PAC que me intriga bastante também é o Minha Casa Minha Vida. Eu sei que muitas pessoas tem dificuldade para comprar a própria casa, mas qual a necessidade de um governo gastar bilhões destinados a infraestrutura com isso? Nossa realidade é cheia de ferrovias sucateadas e estradas, inclusive as recém reformadas, em estado crítico. O povo precisa de casa, mas se o governo fizer a parte dele com eficiência a condição para comprar vem como consequência. Enfim, vamos voltar a carta…

“O sentimento predominante em todas as classes e em todas as regiões é o de que o atual modelo esgotou-se. Por isso, o país não pode insistir nesse caminho, sob pena de ficar numa estagnação crônica ou até mesmo de sofrer, mais cedo ou mais tarde, um colapso econômico, social e moral.”

Incrível como as coisas são cíclicas, né?! A diferença é que o governo FHC tomou medidas e fez reformas que asseguraram o crescimento da era Lula. Não se enganem pensando que tudo foi obra dele. Ele se propôs a manter um programa que havia sido iniciado anos antes e quando isso se uniu a um momento de saída de crise mundial tudo conspirou para que a Era Lula acontecesse. Não foi uma ação isolada, foi um conjunto de variáveis que ele teve a sabedoria de administrar e manter. Agora o mundo está saindo de uma crise novamente e nós não temos reformas para impulsionar nosso crescimento. O discurso dos próximos anos, caso Dilma vença, vai ser bem interessante. A quem eles irão culpar?

“A sociedade está convencida de que o Brasil continua vulnerável e de que a verdadeira estabilidade precisa ser construída por meio de corajosas e cuidadosas mudanças que os responsáveis pelo atual modelo não querem absolutamente fazer.”

Alguém sabe o que aconteceu com a Reforma Agrária, a Reforma Tributária e a Reforma Previdenciária? Nunca vi acontecer e ultimamente mal ouço falar…

“Quer abrir o caminho de combinar o incremento da atividade econômica com políticas sociais consistentes e criativas. O caminho das reformas estruturais que de fato democratizem e modernizem o país, tornando-o mais justo, eficiente e, ao mesmo tempo, mais competitivo no mercado internacional.”

As reformas estruturais não aconteceram. A educação continua sem qualidade, a saúde continua caótica, a segurança também não está lá essas coisas. Se ser um país justo é “a empregada poder comprar o mesmo perfume que a madame pagando em 18x” (isso foi dito por Lula em uma entrevista dizendo que a insatisfação com o governo que tanto falam é puro recalque de quem tem poder aquisitivo) algo deve estar muito errado comigo. O senso de justiça que eu aprendi é muito diferente disso.

Com relação a eficiência nem preciso dizer muita coisa. Basta olhar para as obras da copa e do próprio PAC e veremos o atestado de ineficiência do nosso governo (não vou falar da educação e da saúde de novo para não ser repetitiva). E sobre competitividade não preciso falar muito também. Basta procurar qualquer ranking mundial sobre o tema e você vai ver que nos últimos anos nos tornamos cada vez menos competitivos.

“O que se desfez ou se deixou de fazer em oito anos não será compensado em oito dias.”

E o que se desfez ou se deixou de fazer em doze anos? Quanto tempo vai levar para compensar?

Depois desse trecho a Carta chega exatamente no motivo pelo qual foi escrita, pois apesar do nome ela foi direcionada ao mercado financeiro e os investidores externos. Com ela o Lula queria demonstrar que apesar de o PT ser considerado de esquerda ele não iria deixar de honrar os compromissos do país e que eles poderiam ficar tranquilos e continuar deixando o dinheiro deles aqui. Observem o que tem acontecido com a bolsa quando a Dilma cai nas pesquisas e vocês vão entender.

“Premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país. As recentes turbulências do mercado financeiro devem ser compreendidas nesse contexto de fragilidade do atual modelo e de clamor popular pela sua superação.”

Nesse quesito a promessa foi cumprida, quem rompeu contratos inadvertidamente foram nossos vizinhos. Mas a conta para quem perde confiança internacional é tão alta que não ia valer a pena quebrar contratos.

“À parte manobras puramente especulativas, que sem dúvida existem, o que há é uma forte preocupação do mercado financeiro com o mau desempenho da economia e com sua fragilidade atual, gerando temores relativos à capacidade de o país administrar sua dívida interna e externa. É o enorme endividamento público acumulado no governo Fernando Henrique Cardoso que preocupa os investidores.”

Vamos esclarecer uma coisa, o endividamento público do governo FHC foi acumulado anos antes. Veio desde o regime militar, se intensificou no governo Collor por conta da abertura do mercado interno e com o descontrole da inflação foi só piorando. Leiam uns livros de história e vocês vão entender.

Ele finalizou a carta com o seguinte chamamento:

“O Brasil precisa navegar no mar aberto do desenvolvimento econômico e social. É com essa convicção que chamo todos os que querem o bem do Brasil a se unirem em torno de um programa de mudanças corajosas e responsáveis.”

O saldo foi positivo, mudamos muitas coisas, mas as mudanças estruturais que farão com que o nosso país cresça continuam sendo deixadas de lado. Então no final das contas em que avançamos nos últimos doze anos? Não consigo ver tudo aquilo que foi prometido em campanha e não vejo meios de apenas quatro anos modificarem tudo o que precisamos. Se não foi feito em doze, porque será feito em quatro?

As vezes é bom lembrar de algumas coisas

Por Ana Paula Ramos

Um acordo inegociável

O Mercosul e a União Europeia tentam negociar um acordo de livre comércio desde o ano 2000 e parece que, mais uma vez as negociações vão chegar a um ponto de inflexão. De 2000 a 2006, os dois blocos tentaram negociar um acordo, mas as negociações foram interrompidas quando o bloco sul americano apresentou uma proposta insatisfatória para os europeus. Desde 2011, os esforços para a finalização do processo de negociação foram retomadas, o Mercosul chegou a apresentar uma proposta no último mês, mas a situação não parece estar muito favorável.

O primeiro empecilho são os próprios agricultores europeus. Eles estão fazendo pressão para que a comissão europeia desista do acordo, pois a área que será mais prejudicada com o acordo é a agrícola. Segundo eles, os produtos sul americanos e, principalmente, brasileiros podem desestabilizar a competitividade local.

Como se não bastasse a pressão interna, a comissão europeia está trocando de presidência e, naturalmente, está havendo uma dança das cadeiras dentro da área administrativa do bloco. Isso retarda ainda mais o processo e o tempo estimado para a apresentação da proposta europeia é junho, mas pode ser que demore mais que o esperado.

Ao longo dos últimos anos o negociador chefe do acordo era o português João Machado, mas ele agora está responsável pela área de transportes e a nova equipe parece estar mais preocupada com a negociação de um acordo de comércio e investimentos com os Estados Unidos. O que poderá tornar ainda mais morosa a finalização do acordo.

Depois de catorze anos estamos ainda na rodada inicial de negociações. Nenhum dos dois blocos conseguiu apresentar uma proposta que brilhe os olhos do outro lado da mesa e tenho dúvidas de que isso virá a ocorrer ainda esse ano. O lobby interno dos produtores é forte e a área agrícola é a que mais interessa ao Mercosul. O desentendimento dentro do bloco aparentemente foi superado, mas ainda podemos ser pegos de surpresa em alguma fase da negociação.

A proposta sul americana propõe a abertura de 87% do mercado, mas os negociadores europeus gostariam que fosse mais próxima de 90%. A proposta europeia ainda nem foi apresentada, mas é provável que não corresponda as expectativas. Para que o acordo seja concluído o governo brasileiro terá que se dispor a ceder em alguns setores sensíveis como o de vestuário e medicamentos. O setor privado está cético com relação ao poder de manobra que Dilma terá para liberalizar mais setores industriais, mas o interesse do governo em agradar os europeus (e seus investidores) as vésperas das eleições é grande. Entretanto, o cenário mais otimista para a conclusão do acordo é 2015, mas só se a Argentina não apresentar nenhuma resistência e o lado europeu cooperar.

O sucesso desse acordo depende de tantos fatores desfavoráveis que depois de tantos anos nem consigo mais prever se ele se realizará. Agora nos resta apenas acompanhar e tentar projetar alguns cenários.

Por Ana Paula Ramos

Separação Iminente

O PMDB é o partido que mais tem dado dor de cabeça ao governo. As vésperas de sua convenção nacional a indefinição com relação a aliança ao PT é ainda maior. Até o dia 10 de junho Dilma Rousseff e Michel Temer precisam encontrar algo que apazigue a situação e mantenha os dois partidos unidos.

O racha entre os dois partidos é tão grande que de 27 seções regionais só há tranquilidade em 4 colégios eleitorais e todos de pouco peso: Alagoas, Maranhão, Rondônia e Amapá. Nos demais há algum tipo de problema variando apenas a intensidade da polarização.

Com o posicionamento que temos hoje dificilmente haveria acordo para a manutenção da união. A dúvida principal seria se a rejeição aconteceria de forma aberta ou velada por meio de voto secreto dos delegados. Mas ainda existe uma maneira de salvar a aliança e ela exigiria de Dilma duas ações: deixar de apoiar os irmãos Ciro e Cid Gomes no Ceará para apoiar o senador Eunício Oliveira e retirar a candidatura de Lindbergh Farias no Rio em favor de Luiz Fernando Pezão.

Aparentemente é uma manobra simples, mas a chance de que elas ocorram em quatro semanas é bem pequena. Caso o rompimento se confirme, o PT perderá 5 minutos de televisão no horário eleitoral que iniciará em julho. A perda é grande, principalmente em um país em que tempo de TV vence eleições. Entretanto há um precedente em que o PMDB abandonou uma coligação, que saiu vitoriosa apesar da dissidência.

Em 1998, mesmo ocupando cargos ministeriais no governo FHC, o partido saiu da aliança com o PSDB e mesmo assim o presidente conseguiu se reeleger. Pode ser que não seja o fim da linha para Dilma, que provavelmente deve se preocupar mais com a ascensão de Aécio Neves (PSDB-MG) nas pesquisas de segundo turno.

Novamente estamos conversando sobre barganhas políticas e mais uma vez me pergunto até quando vamos eleger pessoas e partidos que se preocupam mais com a própria manutenção no poder em vez de pensar se o projeto de governo que defendem está funcionando de fato.

Precisamos de alguém que faça o país se desenvolver sem lapidar o patrimônio público. Precisamos de mais sensatez principalmente dos poderosos chefões que aprovam orçamentos bilionários e não se comprometem com sua execução.

A impressão que tenho é que ser uma autoridade nesse país é sinônimo de amnésia. As pessoas se esquecem que pagam os mesmos impostos que todos (se elas não são sonegadoras, claro), que fazem parte da mesma população e que os benefícios que deveriam promover a todos, por consequência, também chegará a eles.

Além disso, parece que eles fazem questão de deixar de lado o motivo pelo qual foram postos no poder, eles são representantes dos interesses do povo e não de interesses particulares ou de grupos. O máximo que ele deveria defender é a coerência pela ideologia partidária, mas buscar benefícios para partidos em detrimento da população não faz o menor sentido quando se fala em democracia.

Precisamos de menos barganha, menos perpetuação de poder e mais ações em prol da população.

Por Ana Paula Ramos

Radicalismo

Na madrugada de segunda a Embaixada do Brasil em Berlim foi atacada. Cerca de 80 pedras foram jogadas contra a fachada do prédio quebrando parte do vidro da frente. A autoria foi assumida por um grupo de pessoas que divulgou um manifesto em alemão na internet posteriormente. No fim do texto eles colocaram uma frase em português: Não vai ter Copa.

Não sei dizer com que propriedade eles afirmam isso, mas a polícia está investigando o incidente e ainda não foi estimado o valor do prejuízo. Câmeras de vigilância captaram quatro encapuzados próximos ao local por volta de 1h da manhã.

Na minha opinião quando uma pessoa se exalta para defender o seu ponto de vista ela perde a razão. Quanto mais sensata a pessoa é ao argumentar, mais chances ela tem de me convencer ou, pelo menos, de me fazer ouvir. Quebra quebra e radicalismo para mim não valem de nada. Já escrevi aqui em outras vezes que fomos derrotados na batalha contra a Copa antes mesmo dela começar no ano passado, simplesmente pelo fato de termos perdido o timing da reivindicação.

Justamente por isso eu me pergunto: Para que fazer esse tipo de ameaça? Se a Copa não acontecer vamos perder ainda mais dinheiro e essas propagandas negativas que o pessoal anda espalhando pelo Facebook também não ajudam em nada.

Não é de reivindicações vazias que precisamos. Sensatez deveria ser a palavra de ordem.

Por Ana Paula Ramos

Fim da Mamata

Delúbio Soares não tem mais permissão para trabalhar na sede da CUT (Central Única de Trabalhadores) em Brasília. A decisão foi tomada por Joaquim Barbosa hoje pela manhã. Segundo o juiz, a permissão para trabalhar só poderia ser concedida após o cumprimento de um sexto da pena total sem que o preso saia da cadeia durante o dia. Antes desse período os detentos podem trabalhar apenas dentro da prisão.

De acordo com esse entendimento Delúbio só terá permissão para trabalhar a partir de dezembro. Alguns especialistas da área são contra a decisão, pois já existem vários entendimentos do STJ que autorizam a saída para trabalhar. Quanto a isso o presidente do STF disse o seguinte:

“Ao eliminar a exigência legal de cumprimento de uma pequena fração da pena total aplicada ao condenado a regime semiaberto, as VEPs e o Superior Tribunal de Justiça tornaram o trabalho externo a regra do regime semiaberto, equiparando-o, no ponto, ao regime aberto, sem que o Código Penal ou a Lei de Execução Penal assim o tenham estabelecido. Noutras palavras, ignora-se às claras o comando legal, sem qualquer justificativa minimamente aceitável.”

Barbosa ressaltou ainda que para obter autorização para trabalhar fora do presídio, a empresa precisa ter convênio com o Estado e, no caso da CUT, não há nenhuma forma de fiscalização das atividades de Delúbio e nem havia controle sobre sua frequência e jornada de trabalho e ainda afirmou:

“não se pode permitir que o condenado escolha como executará sua pena, tampouco franquear-lhe meios de frustrar o seu cumprimento, sob pretexto de estar a executar “trabalho externo”

Essa briga é basicamente sobre a interpretação da lei. Não tenho conhecimento suficiente para determinar quem está cumprindo o disposto pela legislação, mas as denúncias sucessivas de beneficiamento dos presos me intrigam.

Por Ana Paula Ramos

A saga da Petrobras

Na quarta da semana passada o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), determinou a instalação de duas CPIs mistas. Uma para investigar a Petrobras e outra para investigar o cartel do Metrô de São Paulo. Os líderes dos partidos tem até o final dessa semana para indicar os membros que participarão da Comissão mista da Petrobras.

O PSDB e o DEM acusam o presidente de retardar o processo de instalação da CPI, já o PT defende que a CPI em curso no senado foi instaurada primeiro e deve ser mantida. Segundo Humberto Costa (PT-PE):

“O STF já decidiu pela instalação da CPI da Petrobras no Senado Federal, o que antecedeu o ato de criação da CPI mista, com o mesmo objeto de investigação. Por isso, a CPI do Senado é que deve investigar”

Contra isso a oposição defende que a CPI mista já deveria estar funcionando, pois foi lida no plenário em abril o que faz com que o período para indicação de líderes tenha expirado. Segundo o regimento o período de indicação de representantes é de 48h após a leitura, mas ao que tudo indica o prazo foi estendido.

A vontade do PT em manter a CPI apenas no senado é simples, eles tem muito mais facilidade para controla-la nesta casa. Dos treze integrantes da CPI, apenas três são da oposição. Essa margem de manobra pode não se repetir na Comissão Mista e isso não é interessante para o partido.

Alguns acusam Renan Calheiros por estar retardando as investigações, mas essa conversa de corredor chegou ao plenário através do comentário do deputado Mendonça Filho (DEM-PE):

“Vossa Excelência não é presidente do Congresso da presidente Dilma Rousseff, é presidente do Congresso de todos os parlamentares, do povo brasileiro. O que está se vendo aqui é uma verdadeira chicana legislativa para impedir o parlamento de cumprir com sua missão constitucional. Em nome da preservação da independência do Poder Legislativo, não se submeta à vontade do Palácio do Planalto”

Renan se defendeu dizendo que se fosse esse o caso não estaria na presidência do Congresso, pois ele tem o dever de zelar pelo regimento das duas Casas, pela Constituição e pelas decisões do STF.

Ao que tudo indica essa novela ainda está longe de terminar, vamos ver se o prazo de indicação será cumprido.

Por Ana Paula Ramos

Dança das Cadeiras

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mudou de presidente hoje. Saiu o ministro Marco Aurélio de Mello e entrou José Antônio Dias Toffoli. A posse aconteceu hoje na sede do Tribunal. Toffoli terá a missão de comandar a Justiça Eleitoral durante as elei ções(e isso me assusta).

O Tribunal tradicionalmente elege para o cargo de presidente o ministro do STF que está há mais tempo na corte eleitoral. Toffoli está no TSE desde maio de 2012 e o tempo máximo que eles podem permanecer na corte é quatro anos. O próximo a assumir a presidência será Gilmar Mendes, que assumiu a vice presidência do Tribunal, antigo cargo de Toffoli.

Como sabemos, Dias Toffoli foi indicado ao cargo de ministro do STF por Lula em 2009. Anteriormente ocupou o cargo de advogado-geral da União e de subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil. Por sua experiência com o direito eleitoral ele também já atuou como advogado do PT.

No julgamento do mensalão votou a favor da condenação de Delúbio Soares e José Genoíno, mas votou pela absolvição de José Dirceu seu ex-chefe. Isso me deixa um pouco confusa sobre o posicionamento que adotará durante as eleições. Ele será condescendente com aqueles com quem já trabalhou ou vestirá a capa da imparcialidade?

Só os julgamentos dirão, mas um bom termômetro será o seu voto na ação contra a presidente Dilma que já está em curso. O julgamento foi interrompido semana passada porque ele pediu vista ao processo, ele ainda não tem data para voltar a corte, mas o posicionamento dele nesse processo poderá determinar o seu comportamento durante todo o período eleitoral.

Por Ana Paula Ramos

A volta dos que não foram

Arlindo Chinaglia (PT-SP) está de volta. Ele tomou posse como vice presidente da Câmara esta semana. Com a saída de André Vargas (era do PT, mas agora está sem partido), devido as denúncias de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, o cargo ficou vago e a base governista teve que apresentar um novo nome para assumi-lo.

O único nome apresentado foi o de Chinaglia, que teve aprovação de mais de 300 deputados. Assim que acabou a votação, ele foi empossado e, por conta disso, deixou o cargo de líder do governo na Câmara. O cargo agora está vago aguardando a indicação de um novo nome pela presidente Dilma Rousseff.

Para quem não lembra, Arlindo Chinaglia foi presidente da Câmara na legislatura de 2007 a 2009 e atualmente está em seu quinto mandato consecutivo como deputado federal. Agora ele volta a mesa diretora com força total e nos resta apenas acompanhar as cenas dos próximos capítulos.

Só me surpreende que em uma Casa com mais de 500 deputados, não houvesse nenhum outro nome para fazer frente ao dele. Que acerto político é esse que não permite nem que opções sejam dadas? Acho que Nelson Rodrigues tinha razão e a máxima toda unanimidade é burra tem se mostrado cada vez mais acertada…

Por Ana Paula Ramos

Sobre sistemas políticos falidos

Ontem tive a certeza de que o nosso sistema político precisa de renovação. Fui convidada, pelo meu namorado, a participar de uma reunião com um pré candidato a deputado distrital. Segundo o convite feito por telefone pelo próprio aspirante a CLDF o que teríamos era uma reunião para discutir propostas e falar sobre política local. O encontro começaria “lá pelas 20h30” e um dos objetivos era também apresentá-lo como candidato a um pessoal que o apoiaria na cidade de realização da conversa. Recebemos uma ligação do dito candidato pouco depois das 20h perguntando se íamos de fato. Pensando que ele já estava lá fomos em busca do endereço passado por ele. Depois de uma pequena saga para encontrar o prédio, chegamos ao local da reunião e o que encontramos foi uma mini confraternização em um salão de festas. Quando chegamos não tinha quase ninguém, havia comida e bebida (alcoolica e não alcoolica) a vontade para todos e música ambiente para animar quem passasse por lá. Vamos aos fatos:

Fato 1: O candidato nem estava lá quando chegamos. Não sei porque ligou tão preocupado com a nossa chegada.

Fato 2: Algumas pessoas que estavam lá não o conheciam e perguntaram várias vezes por ele. Até que ele chegou com uma hora de atraso. Compromisso com horário para que?

Fato 3: Ao chegar o candidato foi cumprimentando as pessoas e não comentou nada de política com nenhum dos presentes. Sim, eu estava de butuca nas mesas do lado.

Fato 4: Depois chegou um outro pré candidato que almeja o cargo de deputado federal, que o aspira a distrital prontamente foi apresentando a todos os presentes para que se familiarizem com a figura do dito cujo. O aspira a federal pelo menos teve a decência de conversar sobre a pauta da reunião. E por mais ou menos 10 minutos conversamos sobre a política anti drogas adotada pelo governo. A conversa não se alongou mais porque, infelizmente, o tal candidato a distrital (que poderia ter participado e mostrado interesse na conversa, mas acabou saindo para atender o telefone) voltou e ficou insistindo em levar o rapaz para apresentar a mais um grupo de pessoas que estava por ali.

Fato 5: Depois dessa rodada de apresentações os dois candidatos sumiram. Os convidados continuaram em suas rodinhas comendo e bebendo e não sei se estavam muito conscientes dessa ausência. Até que resolvemos ir embora e encontramos os dois fora do edifício e, pelo que pude entender, estavam esperando um casal chegar. Quando fomos até eles houve a famosa troca de cartões e o aspira a distrital ainda nos chamou para ouvir seu discurso. Depois de tanto descaso com a política optamos por ir embora sem passar por mais desapontamentos.

O que podemos tirar desses fatos? Que a política precisa urgentemente de renovação. Essas festinhas sociais com finalidade eleitoreira tem que acabar. Não dá para definir um voto com base no tamanho do sorriso que a pessoa te dá na primeira vez que te vê. Plataforma política é bem mais que isso, é entender as necessidades reais das pessoas que você está tendo a oportunidade de ouvir e traduzi-las em ações governamentais possíveis de serem executadas. Não é a promessa em si, é a própria capacidade de virar um ato do governo. Porque quando o mote é bom, por mais que você não ganhe ele acaba se transformando em uma ação que beneficia a população.

Enquanto tivermos reuniões vazias como essa, sem discussão de temas e questões que precisam de ajuste, continuaremos com políticos vazios e corruptos que se preocupam apenas com o próprio bem estar e esquecem de olhar em volta. Estou profundamente decepcionada com o que eu vi hoje (agora já é ontem) e tive ainda mais certeza de que precisamos colocar no poder alguém que queira discutir o país, o município, a cidade ou o estado não só em época de campanha, mas sempre.

Será mesmo que ele achou que meu voto seria dele depois de um copo de refri e um pouco de caldo? Me desculpe, mas para me convencer a te colocar no poder você vai ter que rebolar muito mais. E eu me refiro a falta de conteúdo da “reunião”.

Alguém tem que dar um basta nessa politicagem.

Por Ana Paula Ramos

Da série: Coisas que não fazem o menor sentido

A saga do PDT-DF com o PT está longe de terminar. Eu já disse que Reguffe e Cristovam se recusaram a apoiar a candidatura de Agnelo no DF, mas o que o PDT nacional teve que fazer foi encontrar uma solução para não perder tempo de tv na coligação local. A saída encontrada pelo presidente Carlos Lupi foi permitir a candidatura de Reguffe ao senado e o apoio a Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para o governo, mas não houve negociações quanto ao apoio a Eduardo Campos. O PDT-DF vai ter que apoiar Dilma nas eleições desse ano e não tem mais para onde correr. O martelo foi batido hoje em reunião entre lideranças nacionais e locais.

A nossa política anda tão bagunçada que para não perder a vitória certa com Reguffe, que ameaçou sair do partido caso fosse obrigado a apoiar Agnelo, o PDT fará uma coligação com partidos que se opõem. Alguém consegue encontrar sentido nisso? No governo local você apoia um e na presidência você apoia outro, mas os dois tem correntes ideológicas diferentes e se degladiam diariamente em rede nacional.

Os valores estão invertidos mesmo…

Por Ana Paula Ramos