Corrida presidencial: Eduardo e Marina

Esse ano estou acompanhando melhor as movimentações políticas para a eleição. Antes, a impressão que eu tinha era a de que as eleições só começavam depois da Copa, mas agora eu vi que o bicho já está pegando desde o ano passado. E é só ficar atento que você consegue ver plataformas e propostas com tempo e sem o apelo da campanha que deve começar em julho.

Na última segunda, Eduardo Campos (PSB-PE) e Marina Silva lançaram sua pré candidatura a presidência do país. A princípio Eduardo será o presidente e Marina vice, mas a decisão só será confirmada em junho após a Convenção Nacional do PSB. O resultado das pesquisas nos próximos três meses serão decisivos para a manutenção da chapa, pois  Marina aparecia como a única candidata capaz de levar a disputa presidencial com Dilma para o Segundo Turno. A candidata possuía 27% da preferência de votos, enquanto Campos possuía apenas 10% na última pesquisa realizada pelo Data Folha.

Um fator preponderante para a baixa porcentagem de votos dele é o fato de que ele ainda é desconhecido por uma fatia boa da população. Pelo reconhecimento que Eduardo tem no nordeste pode ser que a chapa Marina-Campos ainda dê muita dor de cabeça para a reeleição de Dilma. Tudo vai depender de como as coisas serão conduzidas daqui para frente.

Eu fui ao interior de Pernambuco há quatro anos e tive a oportunidade de ouvir alguns moradores falarem o que achavam da gestão de Eduardo Campos. Até então eu não o conhecia e também sei de amigos que visitaram a capital e conversaram com taxistas que também falam muito bem da gestão dele. Apesar disso, ainda não tinha entendido muito bem como ele pretende lidar com alguns problemas estruturais do nosso país. E enquanto eu estava procurando o vídeo do bate-papo ao vivo Marina e Eduardo fizeram na última segunda, encontrei um vídeo mais antigo em que ele responde perguntas sobre diversos temas, mas para não alongar muito o post vou deixá-lo para outro post que devo publicar ainda essa semana, aguardem!

Aí finalmente eu encontrei o vídeo do bate-papo, o debate foi transmitido ao vivo a partir das 18h30 do dia 14/04. Não pude assistir ao vivo, mas vale a pena ver. As perguntas foram enviadas por diversas pessoas pela hashtag #EduardoeMarina desde o início do mês. Houve a participação de alguns convidados também.

A primeira pergunta foi de Wagner Moura e ele quis saber qual a diferença entre a candidatura e o programa de governo dos dois e a dos demais candidatos. Eduardo e Marina responderam que a diferença é se unir em torno de um programa de desenvolvimento sustentável para o país e não na quantidade de cadeiras que terão em cada estado. A ideia é fazer com que não haja candidatura pela candidatura e sim que haja projetos que melhorem a situação do país e sejam executáveis.

Eduardo: A união com Marina é possibilidade de repactuar o Brasil, sair dessa polaridade, animar o Brasil em torno de um projeto sustentável que inclua, que distribua renda, que dê possibilidade do Brasil reduzir a desigualdade regional (…) É a possibilidade de não ficar num debate do presente com o passado, é a possibilidade de debatermos o futuro do Brasil.

Marina: Pela primeira vez em vez de nos unirmos em torno da eleição, do tempo de televisão, da quantidade de prefeitos e deputados, que são importantes também, nós fizemos uma aliança que parte da ideia de programa. Essa é a grande diferença, é uma união que se dá pelos valores, pelos princípios em que acreditamos e, sobretudo, sobre aquilo que nós queremos para o Brasil.

A segunda pergunta foi sobre um problema estrutural do país, a saúde. Um internauta perguntou que plano eles tem para melhorar a saúde e tirá-la do caos em que se encontra. Eles responderam que o problema da saúde vai desde o financiamento a governança dos hospitais. A proposta deles é que o projeto da saúde gire em torno do aumento da contribuição da União no SUS, da humanização do atendimento nos hospitais e também (e essa é a primeira vez que ouço algo assim) trabalhar para que os problemas de saúde sejam evitados fora dos hospitais com saneamento básico e o aumento da prática de atividades físicas, por exemplo.

Eduardo: Muitas vezes quando você chega a um hospital mais do que um comprimido, vale uma palavra, vale um gesto de atenção. Você tá morrendo de medo de um diagnóstico, de uma enfermidade. Você está ali em um momento de grande stress. É preciso cuidarmos de humanizar o nosso SUS, isso só se faz se a gente tiver a prática de fazer todo um processo de capacitação e valorização do trabalhador da área da saúde.

Marina: No nosso governo, a gente quer trabalhar a ideia da prevenção, que é fundamental, ter esse olhar para a saúde curativa, mas também para promoção da saúde. Muitas vezes a gente esquece que é o fato de que é preciso promover a saúde, hábitos saudáveis de alimentação e de exercícios físicos, a evitar determinadas situações que são causadoras de doença. Nós queremos trabalhar o tripé: promoção da saúde, prevenção aos graves problemas de saúde e ao mesmo tempo ter um sistema de saúde que possa dar as pessoas, quando não é possível evitar a doenças, um tratamento adequado.

A terceira e a quarta pergunta foram muito parecidas e giram em torno da melhora da política brasileira e de como eles farão para enfrentar a barreira ruralista no Congresso. Para eles, é necessário que o povo vá as urnas e não vote em branco para que as velhas raposas não se beneficiem de mecanismos como a legenda para se manter no poder.

Eduardo: O primeiro passo é a gente animar a participação da juventude, a participação da sociedade brasileira nessa eleição. Essa eleição é importante e quem vai fazer a mudança é a consciência do cidadão brasileiro. O outro processo é reunir as pessoas em torno do programa podendo mostrar que há um caminho novo, há um jeito diferente de fazer política, de melhorar a política. Toda vez que a gente aproximou o povo da política, a gente melhorou a política.

Marina: Uma coisa muito importante é fazer uma campanha de limpeza da campanha. Nós acabamos de assumir um compromisso de que a nossa campanha vai se orientar pelo programa, vamos fazer o debate, não o embate. Não vamos fazer ataques pessoais tentando desgastar com mentiras, calúnias e difamações os nossos adversários. E nas redes sociais, toda vez que você identificar esse tipo de prática, ajude a denunciar porque essa é uma ferramenta muito preciosa da nossa democracia para a gente fazer o debate e participar da política de forma produtiva, criativa, livre e não da forma como, muitas vezes, se constituem os processos de difamação de desconstrução da imagem. Nós queremos ver a política florescer como algo bom para a sociedade e não como um espaço de descrédito e falta de esperança.

A quinta pergunta foi sobre o papel que Marina desempenhará no próximo governo.

Eduardo: Essa construção como estamos fazendo será feita em um governo que eu e Marina assumiremos juntos. Nós vamos dar conta de um compromisso que assumimos com o povo, por isso estamos fazendo mais do que uma fala, nós estamos abrindo os ouvidos para escutar o coração e o sentimento do povo brasileiro em todos os recantos. Nós temos um roteiro e uma tarefa que é liderar uma equipe que estará dentro do governo e outra que estará fora.

A última pergunta foi sobre política externa (adorei!) e o espectador perguntou se Eduardo manterá relações com o Mercosul caso assuma o governo. Ele defendeu a importância do Mercosul como política de integração regional, mas salientou a importância de se aproveitar o movimento atual de criação de acordos de comércio para desenvolver ainda mais o país.

Eduardo: O Mercosul tem que ser discutido, mas nós precisamos ter tranquilidade para discutir as imperfeições dos mecanismos do blocos, pois é para o Mercosul que a indústria brasileira mais exporta. Nós precisamos que o Mercosul seja compreendido além de uma política de comércio externo, ela precisa ser entendida como uma política de integração regional. O Brasil precisa cuidar e acumular as coisas boas que o Mercosul pode trazer a relação dos nossos países, mas nós não podemos ficar desatentos ao que está acontecendo hoje. Depois da crise de 2008  o mundo inteiro está numa política comercial mais ativa e o Brasil não pode perder espaço na corrida (…) Vamos precisar colocar mais produtos brasileiros de alto valor agregado no mercado.

As propostas são interessantes, vale a pena continuar de olho e ver se esse movimento de mudança vai ganhar corpo quando começar a campanha de fato. No dia 1º de julho começa o horário eleitoral.

Olho na coerência! Nem sempre tempo de propaganda é o que conta.

Por Ana Paula Ramos.

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