E os deputados não cansam de nos surpreender

O deputado federal Beto Mansur (PRB-SP) foi condenado a pagar indenização de $200 mil por dano moral coletivo. O motivo da punição se deu pela constatação de trabalho escravo e trabalho infantil em uma fazenda do deputado em Bonópolis, Goiás. A decisão foi tomada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e a turma de ministros decidiu enviar a decisão ao Ministério Público Eleitoral para que sejam adotadas providências para tornar o deputado inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

Beto Mansur

Em sua defesa, o deputado disse o seguinte através de nota a imprensa:

Eu só poderia ficar inelegível se tivesse sido condenado por crime de trabalho escravo, coisa que não aconteceu. E neste quesito, eu que respondia processo na Justiça Federal de Goiás, junto com outras pessoas da fazenda, já obtive decisão favorável. Diante das provas e das decisões já transitadas em julgado, eu afirmo e reafirmo que não houve trabalho escravo e nem trabalho infantil em minha propriedade.

Ele ainda disse que a falta de regulamentação sobre o que é trabalho escravo no país prejudica enormemente os produtores rurais e deixa os empresários a mercê das interpretações da fiscalização do Ministério do Trabalho. A interpretação dos fiscais foi a de que havia trabalhadores alojados em barracões com cobertura de plástico preto e palha, sobre chão batido, sem proteção lateral e em péssimas condições de higiene. Não havia instalações sanitárias nem fornecimento de água potável no local. Além disso, os trabalhadores deviam comprar artigos pessoais em um estabelecimento dentro da fazenda e o valor era descontado do salário deles ao final do mês. Por fim, foram encontrados trabalhadores com menos de 14 anos e a maioria das pessoas que trabalhavam na fazenda do deputado não possuíam carteira assinada.

As interpretações são bastante graves e para haver condenação as provas apresentadas foram suficientes para comprovar a ocorrência do fato. Eu fico surpresa com a capacidade das pessoas em tentar jogar a culpa de sua omissão ou ação em outras pessoas. E me surpreendo ainda mais com a facilidade com que essas mesmas pessoas tem de tentar escapar de punições que já são conhecidas por todos.

Só sei que esses deputados me surpreendem cada vez mais pela capacidade de estarem em uma casa que cria leis para o bem do cidadão, pelo menos em teoria, mas ao mesmo tempo cometem crimes como se eles estivessem acima da lei. Eles não são representantes do povo? Então eles são parte do povo. O fato de estar sentado em uma cadeira votando o que vai virar lei e investigando o governo em CPIs não os torna melhor que ninguém. Tá na hora das nossas excelências descerem do pedestal e começarem a servir melhor a causa do povo. Não só a sua própria.

Na verdade, já passou da hora. Uma pessoa que se elege e só se preocupa com o próprio umbigo não merece a chance de ser representante legítimo de todos novamente.

Por Ana Paula Ramos

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