Quem não deve não teme

O vice presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), foi denunciado por envolvimento com o doleiro (Dicionário: Pessoa que faz conversão de moedas no Brasil sem autorização legal ou que, tendo autorização para determinadas modalidades, atuam além dos limites permitidos. São assim chamados por ser o dólar a moeda mais transacionada) Alberto Youssef, que foi preso em março pela Operação Lava a Jato da polícia federal ao movimentar cerca de $10 bilhões por meio de lavagem de dinheiro.

O deputado manifestou apoio aos mensaleiros em visita do ministro Joaquim Barbosa a Câmara em fevereiro

A denúncia veio da imprensa, veículos como Folha de S. Paulo e Veja trouxeram a tona mensagens trocadas entre o deputado e o doleiro referentes ao empréstimo de um avião para uma viagem de férias com a família em João Pessoa. A suspeita que recai em cima de Vargas é a de que ele foi um dos contatos políticos do depoimento de Leonardo Meirelles a PF no caso do Labogen.

Em sua defesa o vice presidente da Câmara disse que apenas orientou o acusado a respeito de encaminhamentos burocráticos no Ministério da Saúde como faz com todos que o procuram com projetos viáveis de interesse público. Segundo ele, também não participou, não agendou, não soube previamente e nem acompanhou nenhuma reunião no ministério sobre o Labogen ou assuntos relacionados a ela.

O Labogen é um laboratório que conseguiu financiamento de $31 milhões do Ministério da Saúde por meio de contatos políticos ligados a Alberto Youssef, de acordo com depoimento de Leonardo Meirelles, um dos sócios da empresa. Em dezembro do ano passado o laboratório assinou um acordo com o Ministério da Saúde para produzir um medicamento. O acordo previa pagamento do valor total do financiamento em cinco anos e tinha como objetivo a redução de preços de produtos estratégicos para a saúde (o medicamento negociado foi o viagra, que também é utilizado para tratamento de hipertensão pulmonar). Depois das prisões, o Ministério da Saúde cancelou o financiamento e afirmou que não havia ocorrido nenhum repasse financeiro ao laboratório, pois isso só aconteceria após a entrega do produto.

A polícia ainda não encontrou nenhuma ligação de André Vargas com o caso, mas o empréstimo do avião causou grande desconforto ao deputado, que está licenciado do cargo desde o dia 7 por 60 dias. Veja a nota de esclarecimento divulgada pela assessoria do deputado justificando seu licenciamento:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O deputado André Vargas solicitou nesta tarde à Mesa da Câmara uma licença de 60 dias, sem remuneração, a contar da data de hoje.
Com a licença, ele pretende, antes de tudo, preservar a instituição da qual faz parte, a Câmara dos Deputados, enquanto prepara sua defesa diante do massacre midiático que está sofrendo, fruto de vazamento ilegal de informações.
Importante ressaltar que André Vargas não é alvo de nenhuma investigação e não foi comunicado oficialmente acerca dos temas tratados pela imprensa.
A licença não interrompe prazos nem suspende quaisquer procedimentos que possam ser instaurados pela Câmara dos Deputados. O deputado segue à disposição dos órgãos competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.
O deputado reafirma seu compromisso com sua história política e sua luta em defesa do povo paranaense e do Brasil, sempre.

Dois dias depois ele renunciou ao cargo de vice presidente da Câmara, pois o Conselho de Ética da Casa decidiu abrir um processo de cassação ao mandato do deputado. Pelo twitter, o deputado afirmou que provaria sua inocência de cabeça erguida, mas parece que ele mudou de ideia e defenderá sua integridade fora da casa, pois ontem, em entrevista a Marcelo Cosme da Globo News, ele decidiu que renunciará ao cargo. O motivo alegado é o de que está sendo julgado pela imprensa e por companheiros sem direito de defesa e sem ao menos ter sido intimado judicialmente.

De acordo com a Lei da Ficha Limpa, ao renunciar o deputado ficará inelegível até 2023, pois já havia sido protocolada investigação que poderia levar a cassação do mandato dele. Resta saber se ele é tão inocente quanto pinta, mas o fato é que as mensagens trocadas entre ele e Youssef sobre um contrato com o Ministério da Saúde existiram.

Eu só acho que quem não deve não teme e pressão por pressão, o Marco Feliciano sofreu pressão de Deus e o mundo para renunciar a presidência da CDH e nem por isso cedeu (não estou concordando com as declarações dele, que fique bem claro).

Por Ana Paula Ramos

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