Algo não está indo bem

Quando fazemos algumas escolhas na vida conseguimos perceber, ao longo do caminho, alguns indícios de que nossa escolha foi acertada ou não. Ao longo do tempo elegemos pessoas acreditando nas propostas que elas faziam pela melhoria da nossa sociedade. Conforme o tempo foi passando vimos que algumas promessas sairam do papel, muitas foram concluídas (mesmo que superfaturadas), outras viraram grandes elefantes brancos como muitas pontes que ligam nada a lugar algum. E aquelas que não saíam do papel tinham basicamente a finalidade eleitoreira, aquela de puxar votos e depois cair no esquecimento.

Essa dinâmica se repetiu por muitos anos porque nós permitimos que isso acontecesse ao eleger políticos que cumprem suas promessas, mas embolsam parte do orçamento superfaturado. Depois de vermos o que estava acontecendo passamos a reclamar, bradamos aos quatro ventos que fulano é corrupto, cicrano lava dinheiro, beltrano é estelionatário e os políticos incorporaram nossa reclamação e passaram a apontar nomes de pessoas com condutas duvidosas. Entretanto, se você reparar esse tipo de coisa só acontece em dois momentos: quando estamos em eleição e o candidato quer manchar a reputação do seu oponente ou quando os interesses de determinado político são afetados e ele precisa colocar mais gente na roda para tirar o dele da reta.

Mesmo assim, continuamos colocando pessoas de reputação duvidosa no poder e que, reconhecidamente, agem apenas em benefício próprio. Até que ano passado, mais precisamente em junho, parece que a população chegou ao limite e tivemos aquelas manifestações gigantescas pelo Brasil inteiro. Depois os ânimos se acalmaram, mas voltaram a esquentar durante a Copa das Confederações para se tranquilizar novamente até o início desse ano.

Um povo ir as ruas para reclamar seus direitos é normal, passou da hora disso acontecer no Brasil. Mas quando você percebe que o povo que está nas ruas não sabe ao certo como cobrar e que os políticos que podem atender aos pedidos aparentemente não sabem como lidar com os movimentos sociais, uma luz amarela se acende e você passa a pensar que algo anda indo, de fato, muito mal.

Hoje, aqui no DF, tivemos uma manifestação em frente a uma estação de metrô que fica em uma avenida de grande circulação de carros no centro da Ceilândia. Para quem não sabe, nosso metrô está em greve (na verdade a greve acabou agora a tarde e os trens voltam a funcionar normalmente as 5h30 de amanhã) há seis dias e os manifestantes após um princípio de incêndio e uma série de confusões queriam o dinheiro da passagem de volta já que não conseguiriam chegar ao destino pretendido por aquele meio de transporte. O problema é que algumas pessoas começaram a jogar objetos nos trilhos e quebraram coisas dentro da estação. A polícia foi chamada e teve que intervir para conseguir acabar com o quebra quebra. Depois de serem retirados da estação, eles resolveram fechar a avenida em frente ao metrô e a situação ficou ainda mais tensa. No fim de tudo, ninguém recuperou o dinheiro, a polícia usou spray de pimenta para dispersar as pessoas e ainda prendeu alguns manifestantes. Ontem, no entorno, tivemos outra manifestação por causa dos transportes públicos e os manifestantes fecharam a BR 040 que liga várias cidades a Brasília. Depois de muitas horas, a Força Nacional foi chamada e o trânsito foi liberado.

Se vocês repararem os dois episódios tem o transporte público em comum, mas o que leva as pessoas a esse tipo de comportamento é (e isso é uma impressão minha, se você discorda me diz o que pensa aí nos comentários, pode ser que eu reveja minhas opiniões) o descontentamento gerado por anos e anos de comodismo. Passamos tantos anos vendo tanto descaso com a população que eventos aparentemente pequenos se tornam estopim para demonstrações de insatisfação. Mas o importante é termos em mente que esses episódios, como o da falta de ônibus em várias cidades mesmo com a troca recente da frota (no caso aqui do DF) e vários outros, são consequência da escolha que fazemos a cada quatro anos.

Se a nossa situação chegou a esse ponto foi porque nós deixamos e não nos posicionamos na hora adequada. O nosso descontentamento é com o descaso, é com a falta de ações em prol da sociedade e com a vontade de ganhar dinheiro, mesmo que por meios ilícitos, que muitos políticos tem. Então não adianta querer resultados diferentes tomando as mesmas atitudes e fazendo as mesmas escolhas que te levaram ao problema em questão. A mudança que desejamos não vai acontecer plenamente em quatro anos, mas se não começar de algum jeito nunca chegaremos a ela.

Eu não tenho opção partidária, então procuro nomes, plataformas e históricos que se afinem com aquilo que eu acredito, mas se você tem um partido do coração começa a procurar nomes que ainda não surgiram na mídia e vai divulgando o que eles fizeram. Esqueça os grandes caciques e comece a procurar por comportamentos e pessoas que você se identifique e que tragam a ideia de construir o Brasil que é bom para todos. Mesmo fazendo isso pode ser que ainda haja desapontamentos, mas pelo menos você vai cometer erros novos e não os mesmos erros de 20 anos atrás.

Chega de repetição. Chega de insistir em erros já conhecidos. Chega.

Por Ana Paula Ramos

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