Algumas impressões e um desabafo

Gosto muito de ler, mas quando estava na escola era bem mais dedicada. Houve um ano que consegui ler um livro por semana e lembro que isso me fez muito bem. Hoje mantive o gosto pela leitura, mas as horas disponíveis para ela são bem menores. Agora estou lendo 1808 de Laurentino Gomes e começo a entender porque a corrupção é uma característica tão arraigada em nosso país. Essa cultura vem de longe, herdamos de nossos colonizadores, os portugueses, e a estada da família real e da corte portuguesa no Brasil entre 1808 e 1821 só intensificaram determinados comportamentos que se tornaram a essência de nosso país, infelizmente.

Hoje me pergunto se conseguiremos mudar essa essência corrupta um dia. Começo a me conformar com o fato de que caso a mudança aconteça não será para a minha geração, mas mesmo assim não me entrego e me apego ainda mais a valores que me foram ensinados em casa. A impressão que tenho as vezes é de que nossos valores estão invertidos, nossas prioridades estão trocadas e precisamos de um pouco menos de egoísmo para prosperarmos como nação.

Quando digo egoísmo me refiro a característica de pensar apenas em si mesmo e tomar decisões pensando apenas no benefício próprio. Se olharmos para os lados (e descobri esses dias pelo Facebook que muitas pessoas tem resistência a isso) veremos que aqueles que usamos como exemplo a ser seguido (EUA e Europa basicamente)  tem história e comportamentos bem diferentes dos nossos. A Europa está lá desde que o mundo é mundo, já os EUA foram colonizados pela Inglaterra e a cultura disseminada ali foi bem diferente da ideia portuguesa. Mas acima de tudo o povo desses lugares sempre lutou pelo bem comum, eu sei que existem interesses de determinados grupos, mas ainda assim o sentimento geral é majoritariamente voltado para o bem comum.

O que vemos no Brasil hoje é uma grande tentativa de crescer em cima dos outros, acho que essa talvez seja uma das traduções do tão conhecido jeitinho brasileiro. Pare para pensar nessa cena: você está em uma fila de carros para entrar em um retorno. A fila é enorme, mas todos estão respeitando a ordem, de repente vem um apressadinho e corta a fila logo depois muitos outros resolvem seguir o (mau) exemplo dele e o trânsito que já não estava bom fica ainda pior. Essa é uma representação simples de que somos tão corruptos quanto os políticos que elegemos, mas lidamos com isso de maneira tão natural que não nos afetamos com esse egoísmo mórbido e tanta falta de senso comum.

Dar um jeitinho de burlar as regras ou de se dar bem em cima de outras pessoas não é uma coisa normal é egoísta e atrapalha o desenvolvimento da nação. Sonegar impostos porque a carga é alta ou mudar seu contra cheque para ganhar casa do governo é perpetuar a corrupção. Não se enganem, a corrupção que assola nosso país não está só nos políticos que nós mesmos elegemos, está em nós. Ela se apresenta a cada esquina em cada golpe ou tentativa de se dar bem. Alguém tem que dar um basta nisso. Eu sei que não vai ser suficiente para mudar a cabeça de todos e sei que também tenho que me policiar para evitar alguns comportamentos egoístas, mas dizendo chega e começando uma mudança pessoal pode ser que as pessoas olhem para quem está tentando se corrigir e se envergonhe da próxima vez que tentar tirar vantagem do outro. A vergonha do próprio ato é o início do reconhecimento de que é necessário mudar. Quanto mais pessoas sentirem essa necessidade mais “bastas” teremos e mais depressa cortaremos o mal da corrupção de nosso sistema.

Menos jeitinho brasileiro e mais ações em prol da nação. Se a mudança não começar por você, vai começar por quem?

Por Ana Paula Ramos

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4 pensamentos sobre “Algumas impressões e um desabafo

  1. Ana Paula concordo com você, inclusive tenho que melhorar em alguns aspectos. Não podemos exigir que os políticos não seja corrupto enquanto tivermos um pensamento egoísta. Já está na hora do povo brasileiro parar de dar o seu “jeitinho” na tentativa de se dar bem em cima dos outros e procurar o bem comum.

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    • Ainda mantenho a esperança. Tenho visto uns movimentos bem interessantes, mas eles ainda são muito descoordenados. Vou fazer a minha parte e esperar que as pessoas entendam que precisam fazer a dela. Pode ser que algum dia haja algum resultado, se não houver pelo menos não me corrompi. Do jeito que as coisas andam acho que isso já é uma grande vitória.

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