Eu avisei

Hoje começa em São Paulo a Net Mundial e aconteceu o que eu previa, o Marco Civil da Internet foi aprovado em tempo recorde no Senado. Lembram desse post AQUI sobre o Marco Civil da Internet? (Se não leu, aproveita para entender o que vai acontecer com a Rede) Nossos senadores, em um ato de extrema eficiência (indicador de sarcasmo) fizeram com que o Projeto de Lei 2126/2011 passasse por duas comissões e pelo plenário ainda ontem. Sim, tudo aconteceu em um dia, caros leitores.

Depois de passar dois anos na Câmara e ser aprovado somente depois de muitas alterações, o marco civil foi para o senado e foi aprovado em menos de um mês. Não vou dizer que foi em menos de um dia porque o teatro de hoje foi parte de uma combinação maior feita nos bastidores. O interesse do governo é apresentar o Marco Civil, que é considerado vanguardista até pelo criador da internet, como uma resposta as denúncias de espionagem pelos EUA no ano passado. E essa apresentação tem que ser feita hoje, porque na Net Mundial o assunto é a governança na internet e, por isso, o Brasil quer liderar o debate do assunto no mundo.

A pressa do governo foi tão grande que os senadores não puderam apresentar alterações ao texto enviado pela Câmara, pois qualquer modificação faria com que o texto voltasse a Câmara para nova apreciação. Por causa dessa manobra, agora o texto passou para as mãos da Presidente e, provavelmente, será sancionado ainda essa semana.

Como eu havia dito no post sobre o Marco Civil, comemos mosca e o governo aprovou o Marco Civil já com a corda no pescoço por causa da Net Mundial. Ou será que essa corda foi criada pelo governo? Qual é o problema de dizer que um projeto sobre determinado tema está em processo de aprovação no Congresso? Não é para isso que serve a democracia? Me intriga a pressa do governo e também a facilidade com que foi retirado do texto a parte dos datacenters. Se você clicar no link do post anterior vai poder ver a íntegra do texto do projeto e perceberá que ele se assemelha a um grande conto de fadas.

Parece que tudo que está ali é para o seu bem, mas no fundo ele traz algumas modificações importantes quanto a Neutralidade da Internet , pois as operadoras não poderão ofertar serviços com velocidades diferenciadas aos seus clientes e também com relação aos registros de conexão. Além da polícia e do Ministério Público, qualquer figurão administrativo poderá ter acesso ao que você anda acessando e fazendo na internet. As operadoras terão que guardar os registros por um ano e a solicitação de acesso ou guarda por tempo maior pode ser feita diretamente a elas, mas para que os dados sejam entregues os solicitantes precisarão de autorização judicial.

O modelo apresentado é até razoável, mas conhecendo o funcionamento das coisas no nosso país não consigo confiar na exequibilidade dele. A probabilidade de rolar propina para que se consiga ter acesso a esses dados de forma descontrolada e a margem da justiça é grande. Sem contar que dependendo do juiz pode ser que se consiga a autorização mesmo que não exista motivo para a quebra de sigilo. Sem contar que depois de ter esses dados não necessariamente a polícia será comunicada e aí poderemos ter um grande jogo de troca de favores, como já vimos em muitos outros casos.

Espero que eu esteja muito errada, mas é isso que eu penso. E a verdade é que eu gostaria que os nossos governantes se interessassem em participar de debates que coloquem em prática ações voltadas para problemas que são estruturais no nosso país. Por que não ir atrás de soluções integradas para melhorar o atendimento de saúde? Por que não procurar maneiras de melhorar a qualidade do nosso ensino público? O que a regulamentação da internet vai trazer de benefício palpável para a população? Vale lembrar que boa parte dela continua sem acesso a rede mundial então não consigo entender porque tanta preocupação já que essas medidas não vão modificar em nada a segurança dos dados do governo. Eles vão continuar sendo facilmente acessados pelos EUA caso eles tenham interesse. O que pode mudar essa vulnerabilidade não é um marco civil é uma política de segurança da informação nos sites e e-mails dos orgãos governamentais que nada tem a ver com a regulamentação da neutralidade da internet, por exemplo.

Parece que há algo muito estranho nessa necessidade louca de se criar um marco civil, mas vamos ver o que vai acontecer daqui para frente. Talvez só daqui a alguns anos a gente consiga sentir as consequências dessa nova lei, mas por via das dúvidas estou salvando meus textos fora da rede. Nunca se sabe quando a internet pode dar um bug e apagar tudo.

Por Ana Paula Ramos

Corrida presidencial: Eduardo e Marina

Esse ano estou acompanhando melhor as movimentações políticas para a eleição. Antes, a impressão que eu tinha era a de que as eleições só começavam depois da Copa, mas agora eu vi que o bicho já está pegando desde o ano passado. E é só ficar atento que você consegue ver plataformas e propostas com tempo e sem o apelo da campanha que deve começar em julho.

Na última segunda, Eduardo Campos (PSB-PE) e Marina Silva lançaram sua pré candidatura a presidência do país. A princípio Eduardo será o presidente e Marina vice, mas a decisão só será confirmada em junho após a Convenção Nacional do PSB. O resultado das pesquisas nos próximos três meses serão decisivos para a manutenção da chapa, pois  Marina aparecia como a única candidata capaz de levar a disputa presidencial com Dilma para o Segundo Turno. A candidata possuía 27% da preferência de votos, enquanto Campos possuía apenas 10% na última pesquisa realizada pelo Data Folha.

Um fator preponderante para a baixa porcentagem de votos dele é o fato de que ele ainda é desconhecido por uma fatia boa da população. Pelo reconhecimento que Eduardo tem no nordeste pode ser que a chapa Marina-Campos ainda dê muita dor de cabeça para a reeleição de Dilma. Tudo vai depender de como as coisas serão conduzidas daqui para frente.

Eu fui ao interior de Pernambuco há quatro anos e tive a oportunidade de ouvir alguns moradores falarem o que achavam da gestão de Eduardo Campos. Até então eu não o conhecia e também sei de amigos que visitaram a capital e conversaram com taxistas que também falam muito bem da gestão dele. Apesar disso, ainda não tinha entendido muito bem como ele pretende lidar com alguns problemas estruturais do nosso país. E enquanto eu estava procurando o vídeo do bate-papo ao vivo Marina e Eduardo fizeram na última segunda, encontrei um vídeo mais antigo em que ele responde perguntas sobre diversos temas, mas para não alongar muito o post vou deixá-lo para outro post que devo publicar ainda essa semana, aguardem!

Aí finalmente eu encontrei o vídeo do bate-papo, o debate foi transmitido ao vivo a partir das 18h30 do dia 14/04. Não pude assistir ao vivo, mas vale a pena ver. As perguntas foram enviadas por diversas pessoas pela hashtag #EduardoeMarina desde o início do mês. Houve a participação de alguns convidados também.

A primeira pergunta foi de Wagner Moura e ele quis saber qual a diferença entre a candidatura e o programa de governo dos dois e a dos demais candidatos. Eduardo e Marina responderam que a diferença é se unir em torno de um programa de desenvolvimento sustentável para o país e não na quantidade de cadeiras que terão em cada estado. A ideia é fazer com que não haja candidatura pela candidatura e sim que haja projetos que melhorem a situação do país e sejam executáveis.

Eduardo: A união com Marina é possibilidade de repactuar o Brasil, sair dessa polaridade, animar o Brasil em torno de um projeto sustentável que inclua, que distribua renda, que dê possibilidade do Brasil reduzir a desigualdade regional (…) É a possibilidade de não ficar num debate do presente com o passado, é a possibilidade de debatermos o futuro do Brasil.

Marina: Pela primeira vez em vez de nos unirmos em torno da eleição, do tempo de televisão, da quantidade de prefeitos e deputados, que são importantes também, nós fizemos uma aliança que parte da ideia de programa. Essa é a grande diferença, é uma união que se dá pelos valores, pelos princípios em que acreditamos e, sobretudo, sobre aquilo que nós queremos para o Brasil.

A segunda pergunta foi sobre um problema estrutural do país, a saúde. Um internauta perguntou que plano eles tem para melhorar a saúde e tirá-la do caos em que se encontra. Eles responderam que o problema da saúde vai desde o financiamento a governança dos hospitais. A proposta deles é que o projeto da saúde gire em torno do aumento da contribuição da União no SUS, da humanização do atendimento nos hospitais e também (e essa é a primeira vez que ouço algo assim) trabalhar para que os problemas de saúde sejam evitados fora dos hospitais com saneamento básico e o aumento da prática de atividades físicas, por exemplo.

Eduardo: Muitas vezes quando você chega a um hospital mais do que um comprimido, vale uma palavra, vale um gesto de atenção. Você tá morrendo de medo de um diagnóstico, de uma enfermidade. Você está ali em um momento de grande stress. É preciso cuidarmos de humanizar o nosso SUS, isso só se faz se a gente tiver a prática de fazer todo um processo de capacitação e valorização do trabalhador da área da saúde.

Marina: No nosso governo, a gente quer trabalhar a ideia da prevenção, que é fundamental, ter esse olhar para a saúde curativa, mas também para promoção da saúde. Muitas vezes a gente esquece que é o fato de que é preciso promover a saúde, hábitos saudáveis de alimentação e de exercícios físicos, a evitar determinadas situações que são causadoras de doença. Nós queremos trabalhar o tripé: promoção da saúde, prevenção aos graves problemas de saúde e ao mesmo tempo ter um sistema de saúde que possa dar as pessoas, quando não é possível evitar a doenças, um tratamento adequado.

A terceira e a quarta pergunta foram muito parecidas e giram em torno da melhora da política brasileira e de como eles farão para enfrentar a barreira ruralista no Congresso. Para eles, é necessário que o povo vá as urnas e não vote em branco para que as velhas raposas não se beneficiem de mecanismos como a legenda para se manter no poder.

Eduardo: O primeiro passo é a gente animar a participação da juventude, a participação da sociedade brasileira nessa eleição. Essa eleição é importante e quem vai fazer a mudança é a consciência do cidadão brasileiro. O outro processo é reunir as pessoas em torno do programa podendo mostrar que há um caminho novo, há um jeito diferente de fazer política, de melhorar a política. Toda vez que a gente aproximou o povo da política, a gente melhorou a política.

Marina: Uma coisa muito importante é fazer uma campanha de limpeza da campanha. Nós acabamos de assumir um compromisso de que a nossa campanha vai se orientar pelo programa, vamos fazer o debate, não o embate. Não vamos fazer ataques pessoais tentando desgastar com mentiras, calúnias e difamações os nossos adversários. E nas redes sociais, toda vez que você identificar esse tipo de prática, ajude a denunciar porque essa é uma ferramenta muito preciosa da nossa democracia para a gente fazer o debate e participar da política de forma produtiva, criativa, livre e não da forma como, muitas vezes, se constituem os processos de difamação de desconstrução da imagem. Nós queremos ver a política florescer como algo bom para a sociedade e não como um espaço de descrédito e falta de esperança.

A quinta pergunta foi sobre o papel que Marina desempenhará no próximo governo.

Eduardo: Essa construção como estamos fazendo será feita em um governo que eu e Marina assumiremos juntos. Nós vamos dar conta de um compromisso que assumimos com o povo, por isso estamos fazendo mais do que uma fala, nós estamos abrindo os ouvidos para escutar o coração e o sentimento do povo brasileiro em todos os recantos. Nós temos um roteiro e uma tarefa que é liderar uma equipe que estará dentro do governo e outra que estará fora.

A última pergunta foi sobre política externa (adorei!) e o espectador perguntou se Eduardo manterá relações com o Mercosul caso assuma o governo. Ele defendeu a importância do Mercosul como política de integração regional, mas salientou a importância de se aproveitar o movimento atual de criação de acordos de comércio para desenvolver ainda mais o país.

Eduardo: O Mercosul tem que ser discutido, mas nós precisamos ter tranquilidade para discutir as imperfeições dos mecanismos do blocos, pois é para o Mercosul que a indústria brasileira mais exporta. Nós precisamos que o Mercosul seja compreendido além de uma política de comércio externo, ela precisa ser entendida como uma política de integração regional. O Brasil precisa cuidar e acumular as coisas boas que o Mercosul pode trazer a relação dos nossos países, mas nós não podemos ficar desatentos ao que está acontecendo hoje. Depois da crise de 2008  o mundo inteiro está numa política comercial mais ativa e o Brasil não pode perder espaço na corrida (…) Vamos precisar colocar mais produtos brasileiros de alto valor agregado no mercado.

As propostas são interessantes, vale a pena continuar de olho e ver se esse movimento de mudança vai ganhar corpo quando começar a campanha de fato. No dia 1º de julho começa o horário eleitoral.

Olho na coerência! Nem sempre tempo de propaganda é o que conta.

Por Ana Paula Ramos.

Sobre o feriado

Caros leitores,

Desculpem a ausência! É feriado e o ritmo das postagens caíram a zero, mas estou preparando alguns textos bem legais para essa semana.
A partir de terça eles entram no ar e vocês poderão se manter atualizados sobre o mundo da política.
Aproveita que o nosso arquivo está bem recheado e dá uma olhada no que já rolou por aqui.
Leitura boa e que ajuda a formar opinião é o que não falta.

Até terça!
Por Ana Paula Ramos

E os deputados não cansam de nos surpreender

O deputado federal Beto Mansur (PRB-SP) foi condenado a pagar indenização de $200 mil por dano moral coletivo. O motivo da punição se deu pela constatação de trabalho escravo e trabalho infantil em uma fazenda do deputado em Bonópolis, Goiás. A decisão foi tomada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e a turma de ministros decidiu enviar a decisão ao Ministério Público Eleitoral para que sejam adotadas providências para tornar o deputado inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

Beto Mansur

Em sua defesa, o deputado disse o seguinte através de nota a imprensa:

Eu só poderia ficar inelegível se tivesse sido condenado por crime de trabalho escravo, coisa que não aconteceu. E neste quesito, eu que respondia processo na Justiça Federal de Goiás, junto com outras pessoas da fazenda, já obtive decisão favorável. Diante das provas e das decisões já transitadas em julgado, eu afirmo e reafirmo que não houve trabalho escravo e nem trabalho infantil em minha propriedade.

Ele ainda disse que a falta de regulamentação sobre o que é trabalho escravo no país prejudica enormemente os produtores rurais e deixa os empresários a mercê das interpretações da fiscalização do Ministério do Trabalho. A interpretação dos fiscais foi a de que havia trabalhadores alojados em barracões com cobertura de plástico preto e palha, sobre chão batido, sem proteção lateral e em péssimas condições de higiene. Não havia instalações sanitárias nem fornecimento de água potável no local. Além disso, os trabalhadores deviam comprar artigos pessoais em um estabelecimento dentro da fazenda e o valor era descontado do salário deles ao final do mês. Por fim, foram encontrados trabalhadores com menos de 14 anos e a maioria das pessoas que trabalhavam na fazenda do deputado não possuíam carteira assinada.

As interpretações são bastante graves e para haver condenação as provas apresentadas foram suficientes para comprovar a ocorrência do fato. Eu fico surpresa com a capacidade das pessoas em tentar jogar a culpa de sua omissão ou ação em outras pessoas. E me surpreendo ainda mais com a facilidade com que essas mesmas pessoas tem de tentar escapar de punições que já são conhecidas por todos.

Só sei que esses deputados me surpreendem cada vez mais pela capacidade de estarem em uma casa que cria leis para o bem do cidadão, pelo menos em teoria, mas ao mesmo tempo cometem crimes como se eles estivessem acima da lei. Eles não são representantes do povo? Então eles são parte do povo. O fato de estar sentado em uma cadeira votando o que vai virar lei e investigando o governo em CPIs não os torna melhor que ninguém. Tá na hora das nossas excelências descerem do pedestal e começarem a servir melhor a causa do povo. Não só a sua própria.

Na verdade, já passou da hora. Uma pessoa que se elege e só se preocupa com o próprio umbigo não merece a chance de ser representante legítimo de todos novamente.

Por Ana Paula Ramos

Quem não deve não teme

O vice presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), foi denunciado por envolvimento com o doleiro (Dicionário: Pessoa que faz conversão de moedas no Brasil sem autorização legal ou que, tendo autorização para determinadas modalidades, atuam além dos limites permitidos. São assim chamados por ser o dólar a moeda mais transacionada) Alberto Youssef, que foi preso em março pela Operação Lava a Jato da polícia federal ao movimentar cerca de $10 bilhões por meio de lavagem de dinheiro.

O deputado manifestou apoio aos mensaleiros em visita do ministro Joaquim Barbosa a Câmara em fevereiro

A denúncia veio da imprensa, veículos como Folha de S. Paulo e Veja trouxeram a tona mensagens trocadas entre o deputado e o doleiro referentes ao empréstimo de um avião para uma viagem de férias com a família em João Pessoa. A suspeita que recai em cima de Vargas é a de que ele foi um dos contatos políticos do depoimento de Leonardo Meirelles a PF no caso do Labogen.

Em sua defesa o vice presidente da Câmara disse que apenas orientou o acusado a respeito de encaminhamentos burocráticos no Ministério da Saúde como faz com todos que o procuram com projetos viáveis de interesse público. Segundo ele, também não participou, não agendou, não soube previamente e nem acompanhou nenhuma reunião no ministério sobre o Labogen ou assuntos relacionados a ela.

O Labogen é um laboratório que conseguiu financiamento de $31 milhões do Ministério da Saúde por meio de contatos políticos ligados a Alberto Youssef, de acordo com depoimento de Leonardo Meirelles, um dos sócios da empresa. Em dezembro do ano passado o laboratório assinou um acordo com o Ministério da Saúde para produzir um medicamento. O acordo previa pagamento do valor total do financiamento em cinco anos e tinha como objetivo a redução de preços de produtos estratégicos para a saúde (o medicamento negociado foi o viagra, que também é utilizado para tratamento de hipertensão pulmonar). Depois das prisões, o Ministério da Saúde cancelou o financiamento e afirmou que não havia ocorrido nenhum repasse financeiro ao laboratório, pois isso só aconteceria após a entrega do produto.

A polícia ainda não encontrou nenhuma ligação de André Vargas com o caso, mas o empréstimo do avião causou grande desconforto ao deputado, que está licenciado do cargo desde o dia 7 por 60 dias. Veja a nota de esclarecimento divulgada pela assessoria do deputado justificando seu licenciamento:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O deputado André Vargas solicitou nesta tarde à Mesa da Câmara uma licença de 60 dias, sem remuneração, a contar da data de hoje.
Com a licença, ele pretende, antes de tudo, preservar a instituição da qual faz parte, a Câmara dos Deputados, enquanto prepara sua defesa diante do massacre midiático que está sofrendo, fruto de vazamento ilegal de informações.
Importante ressaltar que André Vargas não é alvo de nenhuma investigação e não foi comunicado oficialmente acerca dos temas tratados pela imprensa.
A licença não interrompe prazos nem suspende quaisquer procedimentos que possam ser instaurados pela Câmara dos Deputados. O deputado segue à disposição dos órgãos competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.
O deputado reafirma seu compromisso com sua história política e sua luta em defesa do povo paranaense e do Brasil, sempre.

Dois dias depois ele renunciou ao cargo de vice presidente da Câmara, pois o Conselho de Ética da Casa decidiu abrir um processo de cassação ao mandato do deputado. Pelo twitter, o deputado afirmou que provaria sua inocência de cabeça erguida, mas parece que ele mudou de ideia e defenderá sua integridade fora da casa, pois ontem, em entrevista a Marcelo Cosme da Globo News, ele decidiu que renunciará ao cargo. O motivo alegado é o de que está sendo julgado pela imprensa e por companheiros sem direito de defesa e sem ao menos ter sido intimado judicialmente.

De acordo com a Lei da Ficha Limpa, ao renunciar o deputado ficará inelegível até 2023, pois já havia sido protocolada investigação que poderia levar a cassação do mandato dele. Resta saber se ele é tão inocente quanto pinta, mas o fato é que as mensagens trocadas entre ele e Youssef sobre um contrato com o Ministério da Saúde existiram.

Eu só acho que quem não deve não teme e pressão por pressão, o Marco Feliciano sofreu pressão de Deus e o mundo para renunciar a presidência da CDH e nem por isso cedeu (não estou concordando com as declarações dele, que fique bem claro).

Por Ana Paula Ramos

Assaltar sem olhar a quem

Na manhã de hoje a casa do presidente do DEM-DF, Roberto Fraga, foi assaltada por bandidos que renderam a esposa dele e levaram joias, a coleção de relógios e uma escopeta calibre 12 que estava no quarto em que o ex deputado dormia. Ao que tudo indica os três assaltantes eram maiores de idade e aproveitaram o momento em que a esposa de Fraga chegava do mercado para entrar na casa.

O ex deputado era secretário de transporte quando o escândalo de Júlio Urnau, secretário adjunto, estourou no DFTrans. Agora ele sentiu na pele o que milhares de pessoas sofrem diariamente no Distrito Federal. Será que alguma ação virá da parte dele ou o  ocorrido servirá apenas como mecanismo para alfinetar ainda mais o governador?

Fraga

Para quem não se lembra, em fevereiro passamos pela operação tartaruga da polícia militar e o DF chegou a registrar 12 mortes em 48 horas e foi parar no noticiário nacional. A polícia voltou a trabalhar, o governo nomeou concursados e agora os índices estão menores, mas na quinta feira os funcionários do centro de saúde nº1 de Samambaia cruzaram os braços por falta de segurança no local, que sofre constantemente com furto a carros e assalto a mão armada contra funcionários e frequentadores do posto. O estopim para que a paralisação ocorresse foi o assalto a um ex funcionário do posto no dia anterior. O idoso reagiu ao assalto e acabou levando um tiro no queixo (Clique AQUI para ver a notícia).

A escalada de violência aparentemente está sob controle, mas muitas pessoas continuam tendo medo ao sair nas ruas. A política de segurança do DF está falida a muito tempo e os bandidos estão cada vez mais ousados. Não por assaltar um ex-deputado, porque ele é morador da cidade como todos nós, mas porque os crimes estão mais frequentes e acontecem inclusive a luz do dia. Se fizermos um tour pelas comerciais da Asa Sul ou pelos comércios das demais cidades a reclamação dos comerciantes será a mesma e dificilmente você encontrará algum estabelecimento que ainda não foi assaltado.

A ausência de resposta do governo (e não se enganem, não é apenas deste governo) faz com que os marginais se sintam mais a vontade para agir e a população fique cada vez mais refém da insegurança e do medo. Que medidas estamos esperando? Que medidas estão sendo tomadas? Para a população a impressão que fica é a de que muito pouco está sendo feito e que as ações são todas paliativas e não atingem a raiz do problema. Se é que sabemos, de fato, a raiz dele.

Até quando vamos ter que nos esconder?

Por Ana Paula Ramos

Mensalão do DEM, a saga continua

Hoje, a denúncia feita pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) sobre o Mensalão do DEM foi aceita na 7ª vara Criminal de Brasília. O que isso significa? Que todos os envolvidos serão julgados pelos crimes que cometeram no episódio. Vocês lembram quem estava no meio da confusão? Uma dica:Arruda

Ele mesmo, o Arruda (PR-DF). Se vocês lembrarem foi justamente por causa do escândalo do mensalão que ele renunciou em 2009. Caso ele seja condenado se tornará inelegível. E se estiver investido em algum cargo eletivo terá que renunciar.

Cuidado com quem vai escolher para votar nessas eleições. É bom ficar de olho no pacote que você vai estar comprando junto com o cara que fez muito pela sua cidade, mas tem o caráter meio duvidoso.

Por Ana Paula Ramos

Gim, o TCU e o Senado

Vocês devem ter visto que um dos nomes cotados para assumir um cargo de ministro do Tribunal de Contas da União era o do Senador Gim Argelo (PTB-DF). Se você não o conhece ainda clica AQUI para ver o perfil dele no Senado (ele assumiu em julho de 2007 e era suplente de Joaquim Roriz) e AQUI para ver o site dele.

Ele divulgou em seu site a seguinte nota de desistência:

A sociedade brasileira, e, especialmente a do Distrito Federal, vem testemunhando meu trabalho no Senado em favor do DF e no sentido de fortalecer a Casa e ajudar na harmonia interna e entre os poderes.

No momento em que a honrosa indicação do meu nome para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União é usada como instrumento de disputa política em ano eleitoral, entendo que devo abrir mão desta honraria.

Agradeço ao Governo e às lideranças que me indicaram.

Com fé renovada em Deus e com o mesmo desprendimento demonstrado ao longo dos meus vinte anos de vida pública, reafirmo meu compromisso com o povo do Distrito Federal, com a sociedade brasileira, com o Senado da República, com o Partido Trabalhista Brasileiro.

Gim

Senador da República

Seu nome foi rejeitado por servidores e pelos ministros do TCU, o presidente da instituição (João Augusto Ribeiro Nardes) chegou a dizer que não o empossaria, pois ele não cumpre os requisitos para o cargo descritos na Constituição:

Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. 96.

§ 1º – Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos:

I – mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;

II – idoneidade moral e reputação ilibada;

III – notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública;

IV – mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados no inciso anterior.

§ 2º – Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos:

I – um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antigüidade e merecimento;

II – dois terços pelo Congresso Nacional.

Alguns senadores também se opuseram a candidatura de Gim e, por isso, o pedido de urgência para a votação de seu nome foi derrubado, o que significa que ele teria que passar pelas comissões do Congresso antes de chegar ao plenário. Depois disso e de uma conversa com Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador optou por desistir da candidatura.

O grande problema da rejeição de Jorge Afonso Argello (vulgo: Gim) é a quantidade de processos que correm contra ele na justiça. Só no STF são seis:

  1. Inquérito 2724 – Crimes contra o patrimônio, apropriação indébita, crimes de lavagem de dinheiro, peculato, corrupção passiva (Clique AQUI e acesse a íntegra do inquérito);
  2. Inquérito 3059 – Crimes da Lei de Licitações (a íntegra AQUI);
  3. Inquérito 3570 – Crimes eleitorais (veja o AQUI);
  4. Inquérito 3592 – Peculato (AQUI);
  5. Inquérito 3723 – Peculato e corrupção ativa (AQUI);
  6. Inquérito 3746 – Lavagem de dinheiro (AQUI).

Ele diz que é inocente em todos os processos, mas os processos não deixam de ser uma sombra sua reputação e sua idoneidade moral. Agora o congresso vai ter que procurar outro nome para indicar e Renan Calheiros, presidente do Senado, pediu as bancadas que se atenham a nomes que preencham todas as condições necessárias para o cargo. O PMDB possui a maior bancada do senado e, por ser o partido do presidente, provavelmente terá maior peso na escolha.

Ontem, antes da renúncia de Gim, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) indicou o nome de Fernando Moutinho Bittencourt, Consultor de Orçamento do Senado. Atualmente, o senador faz parte do bloco que defende indicações técnicas para o orgão, mas no passado já indicou o nome da ex-deputada Ana Arraes, mãe de Eduardo Campos, para ocupar um cargo de ministra no tribunal. A princípio o nome de Bittencourt é a única indicação do senado, mas o PMDB faz questão de indicar outro, o que significa que essa novela ainda não terminou.

Por Ana Paula Ramos

Novo pré candidato ao governo do DF

Luiz Pitiman é o pré candidato oficial ao governo do DF pelo PSDB. O partido lançou uma nota oficial ontem indicando o nome do atual deputado federal:

O PSDB, adotando indicação da Comissão Especial criada em 13 de março de 2014, resolveu designar o deputado federal Luiz Pitiman como pré-candidato ao governo do Distrito Federal.

A Comissão autoriza, ainda, que o deputado promova os entendimentos com os demais partidos interessados na composição de alianças para disputa da eleição de governador, em outubro deste ano.

Senador Cássio Cunha Lima (PB), deputados federais Carlos Sampaio (SP), Nilson Leitão (MT), Bruno Araújo (PE), pela Executiva Nacional e pelo  presidente da Executiva Distrital, Eduardo Jorge.

O nome de Pitiman está longe de ser consenso dentro do partido, por isso o lançamento da candidatura demorou um pouco mais para sair. A juventude, a ala feminina e alguns nomes da cúpula do PSDB-DF resistiam a candidatura de Pitiman por acreditarem, entre outras coisas, que as chances de vitória dele são  mínimas comparadas as de Izalci, por exemplo.

Além de Pitiman, o DF já tem como pré candidatos José Roberto Arruda (PR), Agnelo Queiroz (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB). O nome que todos esperam é o de Reguffe (PDT), mas ao que tudo indica ele não concorrerá e apoiará a candidatura de Rollemberg. Ainda não há definição se Reguffe concorrerá ao senado ou se poderá ser vice na chapa do PSB.

Parece que Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, está fazendo pressão para que a candidatura de Agnelo seja apoiada seguindo a diretriz nacional do partido, que apoiará a reeleição de Dilma. Reguffe e Cristovam, no entanto, se recusam a apoiar o atual governador novamente, pois romperam com ele na última eleição. De acordo com Reguffe, se essa aliança acontecer no DF ele não concorrerá a nenhum cargo eletivo.

No fim das contas quem sai ganhando é Arruda, que já lançou a pré candidatura oficialmente e, aparentemente (ou infelizmente), é o único que conseguirá fazer frente a Agnelo. A falta de definição dos outros partidos ainda pode nos custar muito caro. Vamos aguardar as próximas movimentações.

Por Ana Paula Ramos

Algo não está indo bem

Quando fazemos algumas escolhas na vida conseguimos perceber, ao longo do caminho, alguns indícios de que nossa escolha foi acertada ou não. Ao longo do tempo elegemos pessoas acreditando nas propostas que elas faziam pela melhoria da nossa sociedade. Conforme o tempo foi passando vimos que algumas promessas sairam do papel, muitas foram concluídas (mesmo que superfaturadas), outras viraram grandes elefantes brancos como muitas pontes que ligam nada a lugar algum. E aquelas que não saíam do papel tinham basicamente a finalidade eleitoreira, aquela de puxar votos e depois cair no esquecimento.

Essa dinâmica se repetiu por muitos anos porque nós permitimos que isso acontecesse ao eleger políticos que cumprem suas promessas, mas embolsam parte do orçamento superfaturado. Depois de vermos o que estava acontecendo passamos a reclamar, bradamos aos quatro ventos que fulano é corrupto, cicrano lava dinheiro, beltrano é estelionatário e os políticos incorporaram nossa reclamação e passaram a apontar nomes de pessoas com condutas duvidosas. Entretanto, se você reparar esse tipo de coisa só acontece em dois momentos: quando estamos em eleição e o candidato quer manchar a reputação do seu oponente ou quando os interesses de determinado político são afetados e ele precisa colocar mais gente na roda para tirar o dele da reta.

Mesmo assim, continuamos colocando pessoas de reputação duvidosa no poder e que, reconhecidamente, agem apenas em benefício próprio. Até que ano passado, mais precisamente em junho, parece que a população chegou ao limite e tivemos aquelas manifestações gigantescas pelo Brasil inteiro. Depois os ânimos se acalmaram, mas voltaram a esquentar durante a Copa das Confederações para se tranquilizar novamente até o início desse ano.

Um povo ir as ruas para reclamar seus direitos é normal, passou da hora disso acontecer no Brasil. Mas quando você percebe que o povo que está nas ruas não sabe ao certo como cobrar e que os políticos que podem atender aos pedidos aparentemente não sabem como lidar com os movimentos sociais, uma luz amarela se acende e você passa a pensar que algo anda indo, de fato, muito mal.

Hoje, aqui no DF, tivemos uma manifestação em frente a uma estação de metrô que fica em uma avenida de grande circulação de carros no centro da Ceilândia. Para quem não sabe, nosso metrô está em greve (na verdade a greve acabou agora a tarde e os trens voltam a funcionar normalmente as 5h30 de amanhã) há seis dias e os manifestantes após um princípio de incêndio e uma série de confusões queriam o dinheiro da passagem de volta já que não conseguiriam chegar ao destino pretendido por aquele meio de transporte. O problema é que algumas pessoas começaram a jogar objetos nos trilhos e quebraram coisas dentro da estação. A polícia foi chamada e teve que intervir para conseguir acabar com o quebra quebra. Depois de serem retirados da estação, eles resolveram fechar a avenida em frente ao metrô e a situação ficou ainda mais tensa. No fim de tudo, ninguém recuperou o dinheiro, a polícia usou spray de pimenta para dispersar as pessoas e ainda prendeu alguns manifestantes. Ontem, no entorno, tivemos outra manifestação por causa dos transportes públicos e os manifestantes fecharam a BR 040 que liga várias cidades a Brasília. Depois de muitas horas, a Força Nacional foi chamada e o trânsito foi liberado.

Se vocês repararem os dois episódios tem o transporte público em comum, mas o que leva as pessoas a esse tipo de comportamento é (e isso é uma impressão minha, se você discorda me diz o que pensa aí nos comentários, pode ser que eu reveja minhas opiniões) o descontentamento gerado por anos e anos de comodismo. Passamos tantos anos vendo tanto descaso com a população que eventos aparentemente pequenos se tornam estopim para demonstrações de insatisfação. Mas o importante é termos em mente que esses episódios, como o da falta de ônibus em várias cidades mesmo com a troca recente da frota (no caso aqui do DF) e vários outros, são consequência da escolha que fazemos a cada quatro anos.

Se a nossa situação chegou a esse ponto foi porque nós deixamos e não nos posicionamos na hora adequada. O nosso descontentamento é com o descaso, é com a falta de ações em prol da sociedade e com a vontade de ganhar dinheiro, mesmo que por meios ilícitos, que muitos políticos tem. Então não adianta querer resultados diferentes tomando as mesmas atitudes e fazendo as mesmas escolhas que te levaram ao problema em questão. A mudança que desejamos não vai acontecer plenamente em quatro anos, mas se não começar de algum jeito nunca chegaremos a ela.

Eu não tenho opção partidária, então procuro nomes, plataformas e históricos que se afinem com aquilo que eu acredito, mas se você tem um partido do coração começa a procurar nomes que ainda não surgiram na mídia e vai divulgando o que eles fizeram. Esqueça os grandes caciques e comece a procurar por comportamentos e pessoas que você se identifique e que tragam a ideia de construir o Brasil que é bom para todos. Mesmo fazendo isso pode ser que ainda haja desapontamentos, mas pelo menos você vai cometer erros novos e não os mesmos erros de 20 anos atrás.

Chega de repetição. Chega de insistir em erros já conhecidos. Chega.

Por Ana Paula Ramos

Para Entender: Petrobras-Pasadena

Quase todos os dias os jornais noticiam alguma coisa sobre o compra da refinaria Pasadena pela Petrobras. Se você não acompanhou a história desde o começo e está meio perdido lê esse post que você vai entender o que aconteceu e porque o nome da Dilma está envolvido na história.

Antecedentes

Em 2005 a empresa belga Astra Oil comprou a refinaria de Pasadena, no Texas, por US$ 42,5 milhões. Um ano depois a Petrobrás optou por comprar 50% (façam as contas) da refinaria. O negócio foi fechado por US$ 360 milhões, que era a soma de US$ 190 milhões pelos papeis e US$ 170 milhões pelo petróleo que já estava na refinaria.

Em 2008 houve um desentendimento entre as duas empresas e, por decisão judicial, a Petrobras foi obrigada a comprar a parte da Astra Oil na refinaria. O valor cobrado foi US$ 820,5 milhões, se você somar essa quantia ao valor que já havia sido pago antes, a empresa brasileira desembolsou US$ 1,18 bilhão para comprar Pasadena. Se você prestar bem atenção vai ver que o valor total é 27 vezes maior que o preço pago na aquisição inicial feita pela empresa belga em 2005.

A investigação

A decisão judicial que definiu que a Petrobrás deveria comprar a parte da empresa belga foi proferida em 2012. Em novembro do mesmo ano o deputado Maurício Quintella (PR-AL) pediu à Comissão de Minas e Energia da Câmara que acionasse o Tribunal de Contas da União para apurar a compra da refinaria. Por esse motivo, em 2013, o TCU passou a investigar possíveis irregularidades no processo de compra.

O processo ainda está na área técnica do TCU, no Rio. A expectativa é de que ainda em abril o relatório chegue aos ministros para que eles redijam o voto o mais breve possível. Ainda há a possibilidade de que os integrantes do Conselho de Administração e da Diretoria à época sejam convocados para depor. Em paralelo, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara começou a investigar o caso e convocou Guido Mantega, a Graça Foster e ex-diretores da Petrobras para prestar esclarecimentos a Casa.

Em resumo, o que está sendo investigado pelo TCU é a possibilidade de ter havido superfaturamento e evasão de divisas. A Câmara está aproveitando o momento para fazer uma queda de braço básica com a presidente, porque se houvesse seriedade nos fatos essa CPI teria sido aberta em 2012 quando o deputado sugeriu a investigação da estatal pelo TCU.

Pasadena

Cláusulas contratuais

Todo o problema da transação gira em torno de duas cláusulas do contrato. A cláusula Put Option e a cláusula Marlim. A primeira determinava que em caso de desacordo entre os sócio a outra parte seria obrigada a adquirir o restante das ações, por isso a Petrobras foi obrigada a comprar a parte da empresa belga. Já a cláusula Marlim garantia à Astra Oil um lucro de 6,9% ao ano.

O problema em torno dessas cláusulas é simples, por conta delas, a compra da refinaria não seria muito lucrativa para a Petrobrás e, provavelmente não deveria ser feita. Acontece que os conselheiros à época afirmam que não sabiam da existência das cláusulas, pois foram vítimas de um relatório falho elaborado por Nestor Cerveró, ex diretor da área internacional da Petrobras.

E as presidentes?

As vésperas da eleição, Dilma não quer ver seu nome envolvido em escândalos, mas ela era presidente do Conselho Administrativo em 2006 e votou a favor da compra do primeiro bloco de ações da refinaria. Segundo ela, seu voto só foi favorável por conta o parecer feito por Nestor. Mais tarde, os conselheiros descobriram que ele havia omitido as duas cláusulas e que a Petrobras acabaria tendo um prejuízo ainda maior do que o inicial.

Graça Foster não ocupava nenhum cargo no conselho e guardou silêncio desde que o escândalo estourou, mas recentemente optou por abrir investigações internas para apurar o caso. Ela disse que não sabia das cláusulas e nem da existência do Conselho de Proprietários que poderia tomar decisões sobre a refinaria. Esse conselho entraria em ação caso não houvesse entendimento no conselho de diretores e era composto por um integrante de cada empresa. O representante brasileiro era Paulo Roberto da Costa, ex diretor de refino da Petrobras.

Em suma, o caso está sendo investigado, Dilma não quer que sua imagem seja manchada a meses da eleição, Graça Foster é uma presidente bastante desinformada, pois desembolsou o dinheiro pedido pela justiça sem nem saber o motivo de uma perda tão grande. A Câmara está aproveitando o momento para ser papagaio de pirata e desgastar um pouquinho mais a imagem de Dilma, já que o racha partidário agora é claro. E Paulo Roberto da Costa por enquanto parece ser o maior 171 de todo o caso a menos que ainda haja fatos desconhecidos e tenha alguma coisa a ser revelada.

Resta saber se isso vai servir para punir alguém já que o dinheiro gasto não vai voltar aos cofres da Petrobras.

Por Ana Paula Ramos

Dados que revelam o caráter de um país

O que tem causado o maior bafáfá no Brasil essa semana tirando nosso foco de fatos políticos importantes (aprendam a não ser monotemáticos, a distração é uma tática comumente utilizada por aqueles que desejam conseguir algo como, por exemplo, diminuir a atenção do público sobre o leilão da usina dois irmãos, o escândalo da Petrobrás e o cartel do metrô de São Paulo. Fiquem espertos. Políticos e mídia são mestres em utilizar esse tipo de tática) é a pesquisa divulgada pelo IPEA (uma agência do governo, lembrem-se) sobre a tolerância social a violência contra as mulheres e um estudo sobre o estupro. Para ver as pesquisa completa é só clicar AQUI e se você clicar AQUI poderá ver o estudo que analisa a ocorrência do estupro no Brasil.

Para medir a tolerância social a violência contra a mulher o IPEA pegou 25 frases que todo mundo já ouviu pelo menos uma vez na vida e pediu para algumas pessoas dizerem se concordavam ou não com as assertivas. Na amostra responderam ao questionário 3.810 pessoas (homens e mulheres) residentes em municípios metropolitanos e não metropolitanos de todas as regiões do país. Do total, 56,7% moram nas regiões sul e sudeste e 29,1% em áreas metropolitanas.

Peguei nove das vinte cinco frases e transformei em gráficos para que vocês entendam um pouco do que essa pesquisa mostra, e sei que boa parte dos leitores não concordarão comigo, mas não é surpresa para ninguém. O nosso Brasil miscigenado é extremamente machista e preconceituoso. Como o próprio IPEA diz em um dos estudos, nossa sociedade foi criada com uma mente patriarcal e isso tem evoluído ao longo dos anos, mas mesmo com o ganho de espaço que as mulheres tiveram e com alguns exemplos de tolerância aos homossexuais que tivemos a maioria de nós ainda é machista e intolerante.

Roupas curtas - Gráfico

Comportamento mulheres - Gráfico

O que mais repercutiu na mídia foi a questão do estupro porque, sem dúvidas, é um absurdo. De acordo com os resultados parece que se um estuprador chegar ao tribunal e falar: “Poxa, meretíssimo, ela tava de roupa curta e se esfregando em mim aí eu queria ir para os finalmentes com ela, mas ela disse não, aí eu fui lá e estuprei ela, afinal ela tava pedindo”. Oi? Uma vez aprendi que a linha que separa uma relação sexual do estupro é o não da mulher ou do homem, afinal eles também são vítimas de estupro. Se a pessoa não está a fim não há conversa, a relação sexual tem que ser consensual independente da forma como a pessoa está agindo ou das roupas que está vestindo. O que determina se a relação tem que acontecer é a vontade das pessoas.

Homens mandando - Gráfico

Toda mulher quer casar - Gráfico

Realização feminina -Gráfico

Mas o machismo não está presente apenas na questão do estupro, está também no fato de que 63,8% dos entrevistados concordam que “Os homens devem ser a cabeça do lar“. Gente, no mundo em que vivemos esse pensamento é tão retrógrado que me dá náuseas. Se homens e mulheres trabalham e resolvem se casar a cabeça dos dois tem que trabalhar cooperativamente para que soluções sejam encontradas. Homens não são melhores que mulheres para serem os donos do lar. Um casamento tem o companheirismo como base então as decisões precisam ser conversadas. Nem homem, nem mulher. Um lar que tem um casal deve ser governado pelos dois, ok? Sem feminismo e com senso. Se o lar só tem o homem, nada mais justo que ele dê as ordens, se o lar só tem a mulher, ela também é a senhora do destino. Agora afirmar que os homens são os responsáveis pelas decisões da casa sempre não é muito sustentável. Casal que toma decisão junto permanece unido. Não tem porque culpar o outro depois já que você também contribuiu na tomada de decisão. É simples, é só usar a cabeça e não tem nada a ver com quem ganha mais ou com quem trabalha ou não. É uma questão de senso comum. Se a decisão afeta o casal, o casal decide.

Ainda sobre machismo, é incrível a generalização existente na seguinte frase “Toda mulher sonha em se casar“. E o mais engraçado é que 78,7% dos respondentes concordaram. Gente, compor família é legal e tal, mas eu conheço algumas mulheres que não querem se casar e são muito bem resolvidas com isso. Então muito cuidado com generalizações, existem outras formas de se constituir famílias além do casamento. E hoje os exemplos de mulheres (e homens) que não querem se casar e/ou ter filhos é crescente então abram a mente de vocês para o novo e aceitem as pessoas como elas são.

Direitos iguais - Gráfico

Casamento homo - GráficoAmor entre homens - GráficoHomens se beijando - Gráfico

Com relação ao homossexualismo (sei que agora estou entrando em um assunto ainda mais delicado) a população se mostra ainda mais intolerante. Na verdade, além da intolerância a gente vê uma certa confusão na cabeça das pessoas, olha só: 50,1% concordou que “Casais de pessoas do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos dos outros casais“, ao mesmo tempo, 51,7% acha que “Casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido“. Gente, como é isso? O percentual é praticamente o mesmo, mas como eles vão ter os mesmo direitos dos outros casais se o casamento deve ser proibido? Não consegui entender… Outra questão intrigante é que apesar de casais heterossexuais se beijarem em público, 59,2% afirma que  “Incomoda ver dois homens, ou duas mulheres, se beijando na boca em público“. Mas na outra questão eles não disseram que os casais homo e heterossexuais deveriam ter os mesmos direitos? De que direitos estamos falando então?

Esse resultado confuso mostra como muitas pessoas tem um discurso de que não são preconceituosas com homossexuais, que aceitam bem a opção das pessoas, mas não acham que o relacionamento seja normal ou que seria uma alegria ter homossexuais na família, principalmente se for filho ou filha. Vamos conversar uma coisa de uma vez por todas, se você não acha legal ter um filho homossexual você tem alguma coisa contra e não, você não acha normal. Para de tentar se enganar que vai ser bem mais simples e ninguém vai te crucificar por isso. Só não seja incoerente ao dizer que os homossexuais devem ter o mesmo direito dos outros casais, mas não podem se beijar em público, nem se casar e muito menos ser sangue do seu sangue.

Quando você se aceita como é e se conhece fica mais fácil defender os seus pontos de vista, não tenha medo de defender suas ideias, mas lembre-se que o outro lado também pode fazer a mesma coisa. Eu sou a favor da igualdade de direitos entre casais homo e hétero, acho normal demonstrações de carinho em público (um alerta para os agarramentos exagerados, eles são vulgares para heterossexuais, pq não seriam para os homos?) e se tiver um filho ou filha homossexual vou achar super normal. Isso é o que eu penso, nada contra quem não pensa assim, mas tenha coragem de assumir suas próprias bandeiras e entenda a natureza delas. Fazer discurso de que apoia o homossexualismo desde que fora das suas vistas e da sua casa é que não faz o menor sentido.

Por Ana Paula Ramos.

Esperança de novos ventos na Fazenda

A reforma ministerial terminou na última terça feira (01/04) com a posse de Ricardo Berzoini (PT-SP) na Secretaria de Relações Institucionais e o remanejamento de Ideli Salvatti (PT-SC) para a Secretaria de Direitos Humanos, pasta de Maria do Rosário, que deixou cargo para concorrer as eleições. Entretanto o que tem chamado a atenção é a declaração de Guido Mantega, ministro da Fazenda há oito anos, que afirma que não assumirá a pasta novamente caso a presidente Dilma seja reeleita.

Os nomes cogitados para substituí-lo caso o PT saia vitorioso são:

  1. Alexandre Tombini
  2. Nelson Barbosa
  3. Arno Augustin

De acordo com as conversas de corredor Tombini é o nome que agradaria a investidores estrangeiros e a maior parte da ala econômica do país, mas Nelson Barbosa também aparece bem cotado por seus ideais desenvolvimentistas e por ter sido um contraponto no ministério quando era braço direito de Mantega. Já Arno Augustin não tem muito público e alguns dizem que ele seria a pior escolha.

Que o nosso ministério precisa de mudanças é fato, a nossa economia chegou a um ponto em que são necessárias novas reformas para que haja crescimento. Caso elas continuem sem acontecer a indústria continuará diminuindo a produção e os resultados do PIB serão cada vez piores. A economia é feita de picos e vales. Em 2011 passamos a caminhar para o vale e se as reformas não vierem a recuperação também não virá.

Espero muito que o próximo ou próxima presidente saiba escolher bem o ministro da Fazenda, porque as ações dele determinarão o ritmo de crescimento ou decaimento do país nos próximos anos.

Por Ana Paula Ramos

Algumas impressões e um desabafo

Gosto muito de ler, mas quando estava na escola era bem mais dedicada. Houve um ano que consegui ler um livro por semana e lembro que isso me fez muito bem. Hoje mantive o gosto pela leitura, mas as horas disponíveis para ela são bem menores. Agora estou lendo 1808 de Laurentino Gomes e começo a entender porque a corrupção é uma característica tão arraigada em nosso país. Essa cultura vem de longe, herdamos de nossos colonizadores, os portugueses, e a estada da família real e da corte portuguesa no Brasil entre 1808 e 1821 só intensificaram determinados comportamentos que se tornaram a essência de nosso país, infelizmente.

Hoje me pergunto se conseguiremos mudar essa essência corrupta um dia. Começo a me conformar com o fato de que caso a mudança aconteça não será para a minha geração, mas mesmo assim não me entrego e me apego ainda mais a valores que me foram ensinados em casa. A impressão que tenho as vezes é de que nossos valores estão invertidos, nossas prioridades estão trocadas e precisamos de um pouco menos de egoísmo para prosperarmos como nação.

Quando digo egoísmo me refiro a característica de pensar apenas em si mesmo e tomar decisões pensando apenas no benefício próprio. Se olharmos para os lados (e descobri esses dias pelo Facebook que muitas pessoas tem resistência a isso) veremos que aqueles que usamos como exemplo a ser seguido (EUA e Europa basicamente)  tem história e comportamentos bem diferentes dos nossos. A Europa está lá desde que o mundo é mundo, já os EUA foram colonizados pela Inglaterra e a cultura disseminada ali foi bem diferente da ideia portuguesa. Mas acima de tudo o povo desses lugares sempre lutou pelo bem comum, eu sei que existem interesses de determinados grupos, mas ainda assim o sentimento geral é majoritariamente voltado para o bem comum.

O que vemos no Brasil hoje é uma grande tentativa de crescer em cima dos outros, acho que essa talvez seja uma das traduções do tão conhecido jeitinho brasileiro. Pare para pensar nessa cena: você está em uma fila de carros para entrar em um retorno. A fila é enorme, mas todos estão respeitando a ordem, de repente vem um apressadinho e corta a fila logo depois muitos outros resolvem seguir o (mau) exemplo dele e o trânsito que já não estava bom fica ainda pior. Essa é uma representação simples de que somos tão corruptos quanto os políticos que elegemos, mas lidamos com isso de maneira tão natural que não nos afetamos com esse egoísmo mórbido e tanta falta de senso comum.

Dar um jeitinho de burlar as regras ou de se dar bem em cima de outras pessoas não é uma coisa normal é egoísta e atrapalha o desenvolvimento da nação. Sonegar impostos porque a carga é alta ou mudar seu contra cheque para ganhar casa do governo é perpetuar a corrupção. Não se enganem, a corrupção que assola nosso país não está só nos políticos que nós mesmos elegemos, está em nós. Ela se apresenta a cada esquina em cada golpe ou tentativa de se dar bem. Alguém tem que dar um basta nisso. Eu sei que não vai ser suficiente para mudar a cabeça de todos e sei que também tenho que me policiar para evitar alguns comportamentos egoístas, mas dizendo chega e começando uma mudança pessoal pode ser que as pessoas olhem para quem está tentando se corrigir e se envergonhe da próxima vez que tentar tirar vantagem do outro. A vergonha do próprio ato é o início do reconhecimento de que é necessário mudar. Quanto mais pessoas sentirem essa necessidade mais “bastas” teremos e mais depressa cortaremos o mal da corrupção de nosso sistema.

Menos jeitinho brasileiro e mais ações em prol da nação. Se a mudança não começar por você, vai começar por quem?

Por Ana Paula Ramos