Aula de política

Ainda não estamos em campanha, ela só começa no dia 1 de julho, e ainda não fiz um texto sobre os presidenciáveis, mas aguardem que ele já está nos planos. Hoje vou atropelar um pouco a ordem das coisas porque estou encantada com a propaganda que vi ontem da coligação PSB-Rede. Se você não teve a oportunidade de ver, gaste dez minutinhos aqui, mas preste bem atenção na conversa desses dois e guarde bem os nomes Marina Sillva e Eduardo Campos pode ser que eles ainda nos proporcionem muitas surpresas em 2014.

Como de praxe, vou destacar os pontos que mais me chamaram a atenção. O primeiro deles é a parte em que eles dizem porque se uniram:

O que nos une? é o desejo do Brasil voltar a melhorar. O que nos une é o desejo de unir as boas pessoas em torno de boas ideias para fazer muita coisa boa pelo povo brasileiro. O povo brasileiro já sabe o que quer. Quer mudar. Ainda não sabe é que nós estamos juntos para ajudar nessa mudança.

Um pouco antes disso ele fala que quando a Marina se aliou ao PSB a primeira coisa que ela disse é que ela não estava atrás de candidaturas e nem de partidos para se filiar. Voltando um pouco no tempo você consegue ver que isso condiz com o posicionamento dela em várias ocasiões, quando ela estava no PT se viu obrigada a sair dele por não se adaptar mais aos rumos que seus dirigentes davam ao partido. Depois ela entrou no PV que tinha uma proposta parecida com a que ela levanta de sustentabilidade, mas no momento em que o partido aceitou cargos no governo em troca de apoio político ela se desligou do partido. Foi pelo PV que ela foi candidata a presidência nas últimas eleições. Ela conseguiu quase 20 milhões de votos e aqui em Brasília ela chegou a ganhar da Dilma, inclusive.

A trajetória do Eduardo Campos é bem menos conhecida, pouco se sabe sobre ele além de que ele é governador de Pernambuco. Por isso vou explicar, rapidamente, quem ele é para você se situar. Eduardo é neto de Miguel Arraes, que governou Pernambuco por três vezes e foi exilado no exterior por 15 anos por conta do golpe de 1964. Ele se filiou ao PSB em 1990 e não mudou de partido desde então, hoje ele é presidente nacional do partido. Já foi deputado estadual uma vez e federal por três vezes, foi chefe de gabinete do avô e se formou em economia. Foi ministro da ciência e tecnologia no governo de Lula e resolveu concorrer ao governo de Pernambuco em 2006. Em 2010 buscou a reeleição e foi eleito com 82% dos votos. Já ganhou vários prêmios pela gestão de Pernambuco e já foi escolhido como uma das 100 pessoas mais influentes do país segundo a revista Época.

O que mais me chamou atenção nessa conversa foi a proposta de mudança que eles trazem no discurso. Sabemos que mudar tudo é bem difícil, mas só de ter alguém com uma fala diferente, para mim, é um grande avanço. Em nenhum momento eles fizeram aquela propaganda suja com o objetivo único de denegrir a imagem dos adversários. Pouquíssimas vezes o nome da Dilma ou de outros presidentes foram citados e não foi simplesmente para falar mal. Eles reconheceram os benefícios que todos trouxeram para o país e abriram um discurso de que vão manter o que está bom sem deixar que os erros sejam apagados. Dá uma olhada nas frases de efeito que eu peguei durante o vídeo:

Hoje o que a gente percebe é que a gente está numa trajetória de retrocessos. Retrocessos na política econômica e em relação à agenda socioambiental.

Nós chamamos a atenção para isso (os retrocessos) desde o primeiro momento, mas o governo não quis ouvir. Essa coisa de governante que não ouve é muito complicada, porque governante que não ouve dá as costas para o povo.

O Brasil está cansado da repetição, o Brasil está cansado das fórmulas que não dão conta da complexidade dos problemas da saúde, da educação, da segurança, da infraestrutura.

Nós precisamos ter uma postura diferente daqueles que se apresentam como salvadores da pátria, como donos da verdade. A grande novidade é ter a coragem de dizer que nós vamos preservar as conquistas já alcançadas, mas que não vamos ter uma atitude de complacência com os erros e que estamos dispostos a, juntos com a sociedade brasileira, encarar os novos desafios.

Essa ideia de trazer uma postura diferente é excelente. Traz a ideia de sangue novo que nós tanto falamos. Além de levantarem a bandeira da mudança eles também levantam a ideia de diálogo e, em tempos de manifestação, ter alguém que fale abertamente que quer que o povo esteja nas ruas e que vai olhar para ele de baixo para cima é artigo raro. A ideia que tem se disseminado é a de tomar medidas paliativas para tirar o povo das ruas, mas depois tudo volto ao status quo. Mais algumas frases:

Não vai ser o palanque como estão achando, falando de cima para baixo. Vai ser o tablado olhando de baixo para cima para ver o que está acima de nós. O fato de estar juntos por um programa é a grande novidade

Nós queremos o povo animado, reivindicando, sonhando, desejando, participando da política, nós queremos debater o Brasil a todo o custo. Estamos num enorme esforço para debater o Brasil. Com um programa para construir um Brasil melhor para todos os brasileiros.

A ideia é que a gente pode caminhar juntos pelo Brasil que a gente quer construir. Se formos capazes de traduzir para a sociedade brasileira que a união desses dois partidos se dá em cima de uma nova postura, isso já marca uma diferença fundamental.

E é isso que a coligação PSB-Rede está propondo: Mudança de postura e diálogo com os cidadãos. Não posso negar que fiquei bastante empolgada com o formato e com a coerência de tudo o que foi dito, mas ainda tenho minhas reservas. Vou esperar a campanha começar de vez para ver se essa coligação vai manter o discurso ao longo do tempo e se eles vão ter propostas coerentes com o momento que estamos passando.

Meu olho brilhou com a propaganda, mas meu cérebro continua aqui. Para manter o encantamento vão precisar de mais do que uma propaganda bonita para me convencer. E você? O que achou desse primeiro pronunciamento?

Por Ana Paula Ramos

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