Para Entender: Ucrânia

Quem é a Ucrânia?

Se você acompanha o noticiário com certeza já sabe que país é esse e porque ele virou o centro dos noticiários nos últimos dias. Mas se você é do tipo desligado, relaxa! Lê esse post até o fim que eu eu vou te explicar tudo.

A Ucrânia fica bem ali no leste europeu e faz fronteira com a Rússia. No passado ela foi parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e se tornou independente apenas em 1991. Por conta dessa união e da proximidade 17% da população do país é russa e o idioma mais usado no dia a dia pelos cidadãos do país também é o russo.

Ucrânia

Apesar da similaridade com o vizinho o norte e o oeste do país, cujo idioma mais falado é o ucraniano, servem como base para aqueles que se opõem à ingerência russa devido a dependência econômica da Ucrânia.

Como tudo começou?

Em novembro de 2013 o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, desistiu de assinar um acordo de livre-comércio e associação política com a União Europeia (UE). O motivo da desistência foi simples, o presidente havia decidido que queria manter relações comerciais mais com a Rússia e o acordo com a UE impediria essa aproximação. O problema todo começou quando o presidente assumiu que sua decisão foi, na verdade, fruto de pressão russa.

Segundo Yanukovich, os russos ameaçaram cortar o fornecimento de gás e tomar medidas protecionistas contra acesso dos produtos ucranianos ao seu mercado. O posicionamento russo foi duramente criticado pela UE e milhares de ucranianos favoráveis à adesão ao bloco foram para as ruas de Kiev (a capital) exigir que o presidente voltasse atrás.

O presidente ucraniano disse que não voltaria atrás por considerar que a economia do país não tinha força para cumprir as exigências do bloco, mas fez a promessa de criar “uma sociedade de padrões europeus”.  Após essa declaração os protestos ficaram maiores e mais violentos. Alguns grupos da oposição passaram a exigir a renúncia do presidente e do primeiro-ministro e decidiram criar um quartel general da resistência nacional. Além disso os manifestantes organizaram greves por todo o país.

No fim de janeiro ocorreram as primeiras mortes: 5 manifestantes morreram, centenas ficaram feridos e dezenas foram presos. As negociações entre governo e oposição não deram certo e os manifestantes invadiram sedes do governo no oeste do país. No dia 28/01 o primeiro-ministro Mykola Azarov apresentou sua renúncia, mas a crise continuou.

Últimos Acontecimentos

Em fevereiro as manifestações atingiram o ápice de violência. Dezenas de pessoas foram mortas, incluindo policiais e de acordo com informações, ambos usaram armas de fogo. Por conta disso, governo e oposição assinaram um acordo que prevê eleições antecipadas e a volta da Constituição de 2004, que diminui os poderes de Yanukovich.

No dia seguinte, o presidente deixou Kiev. Sua ausência fez com que os deputados do Parlamento o destituíssem por abandono do cargo. As eleições presidenciais foram marcadas para 25 de maio e a líder oposicionista, Yulia Tymoshenko, foi libertada da prisão. O presidente recém eleito do Parlamento e líder da oposição, Oleksander Turchynov, assumiu o governo do país temporariamente.

Yanukovich teve sua prisão decretada sob a acusação de assassinato de civis. De seu paradeiro desconhecido ele afirmou ser vítima de golpe de Estado, mas dia depois foi encontrado na Rússia. De lá, acusou os mediadores ocidentais de traição e se recusou a reconhecer a legitimidade do governo interino. Em 27 de fevereiro, o Parlamento aprovou um governo de coalizão que comandará o país até as eleições de maio. O pró-europeu Arseniy Yatsenyuk foi nomeado primeiro-ministro interino.

E quem se opõe ao governo de Yanukovich?

Vitali Klitschko – Líder do movimeto Udar (soco). Quer concorrer às eleições de maio com o lema: “um país moderno com padrões europeus”.

Arseniy Yatsenyuk – Líder do segundo maior partido ucraniano e aliado de Yulia Tymoshenko.

Yulia Tymoshenko – Principal rival política de Yanukovich, foi presa em 2011 acusada de abuso de poder. Foi solta no mesmo dia da deposição do presidente e será candidata nas eleições de maio.

Oleh Tyahnybok – Líder do grupo ultranacionalista Svoboda (liberdade).

Todos são favoráveis a assinatura do acordo. O centro e o oeste do país também são pró-Europa, entretanto a região da Crimeia é pró-Rússia e a tensão aumentou desde que Yanukovich foi destituído.

Crimeia

Por conta da destituição do presidente, as manifestações pró-Rússia se intensificaram na região e as tensões separatistas aumentaram também. Por conta disso o presidente Russo, Vladimir Putin, pediu ao Parlamento autorização para enviar tropas para acalmar a situação na Crimeia. O pedido foi aprovado no último sábado e a Ucrânia convocou todas as reservas militares para reagir a um possível ataque russo.

Os manifestantes conseguiram aprovar um referendo para debater a autonomia da região e elegeram Sergei Aksynov como premiê. O novo governante não foi reconhecido pelo governo de Kiev, mas afirmou que deseja assumir o controle militar da península. Segundo o governo central ucraniano, mais de 16 mil soldados russos já foram enviados à Crimeia. Para Kiev, a atitude russa é considerada uma declaração de guerra. Para resolver a situação, o Ocidente tem pressionado a Rússia por uma saída diplomática:

  1. Obama pediu a Putin o recuo das tropas na Crimeia, ameaçou a Rússia com sanções e suspendeu transações comerciais e um acordo de cooperação militar.
  2. O G7 condenou a ação e cancelou uma reunião com a Rússia.

A situação continua longe de ser resolvida e ainda não sei consegui entender como a briga conseguiu se concentrar apenas em Kiev e na Crimeia. Também estou intrigada com o interesse russo em toda a situação e principalmente na Crimeia. Em uma pesquisa rápida descobri que a região é rica em petróleo e gás e logo entendi o súbito interesse dos russos.

Depois de tudo se acalmar na capital, a Crimeia se levantou contra tudo e todos. Também não consegui entender o motivo desse levante tardio e isolado, após a deposição do presidente pró-Rússia. Tem uns pontos meio obscuros nessa história e eles são fundamentais para resolver a situação. Os países do leste europeu são considerados mais frágeis economicamente e quase todos dependem economicamente da Rússia. A tentativa da UE de tirar esses países da órbita russa é compreensível, mas até onde eles vão conseguir cumprir as metas impostas pelo bloco?

Em um momento tão delicado para o bloco europeu alguém deveria selecionar com mais cuidado os países que vão aderir ao acordo europeu. A instabilidade econômica ainda é grande no continente e ninguém precisa de uma tensão política para piorar as coisas.

Devemos, de novo, aprender com a Grécia.

Por Ana Paula Ramos

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4 pensamentos sobre “Para Entender: Ucrânia

  1. Pingback: O que mudou na Crimeia? | Observatório de Política

  2. Pingback: Para Entender: Venezuela | Observatório de Política

  3. Apenas completando sua história e seu raciocínio:
    Os Ucranianos, de modo geral, não gostam do Império Russo -sim, eles também são um império. Prova disso foi o episódio onde os manifestantes derrubaram estátuas de Lenin e de soldados soviéticos (episódio erroneamente confundido por algumas pessoas aqui no Brasil como culto ao Nazismo). Os estragos e assassinatos que Moscou fez no país durante a época da URSS foram muito intensos. A relação entre eles tem certa semelhança com aquelas entre EUA e América Latina, ou Brasil e Paraguai. Mas o povo da Crimea é diferente: muitos deles realmente são russos e desejam se anexar ao outro país (apesar de que esse motivo “humanitário” apenas é duvidoso, e como você afirmou, a região é rica em alguns recursos, e a Rússia sabe muito bem).
    Um dos motivos que deram a vitória eleitoral ao ex-presidente Viktor Yanukovich foram promessas de aproximação com a União Europeia, promessas de trabalhos e reformas para se ligar cada vez mais ao bloco. Mas o presidente desistiu no último momento, provocando a faísca dos protestos.
    Apesar do “clima” de Guerra Fria ter se esvaído da cabeça dos povos, Rússia e EUA ainda continuam grandes inimigos. Os dois são extremamente fortes, e seus interesses no cenário internacional estão sempre em conflito.
    Acredita-se que essa desistência inesperada e repentina tenha sido fruto de pressão por parte do Kremlin, o que tem grandes chances de ser verdade. Além de Yanukovich mudar de ideia no último segundo, e enterrar promessas e trabalhos já realizados, a Rússia, como eu já disse, é sim um Império, e como em todo Império o Estado gosta de poder e influência.
    A União Europeia é ocidental, e bastante aliada aos EUA. Americanos e Europeus compõem o chamado Ocidente, grupo que sempre provocou raiva nos russos. Ou seja, traduzindo para termos mais inteligíveis aos latinos, deixar a Ucrânia se juntar a eles através da União Europeia provocaria no Kremlin algo próximo ao que provocou na Casa Branca a aliança de Cuba e a URSS (mas sem as questões nucleares, é claro).

    Curtido por 1 pessoa

    • Olá, Tony!
      Muito boa sua contribuição. É sempre bom saber um pouco mais sobre o tema que escrevemos.
      Fique a vontade para voltar ao blog e contribuir cada vez mais nos posts.
      Bem-vindo ao OP!

      Curtir

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