Eleições pelo mundo

Como todos sabem, 2014 é ano eleitoral no Brasil, mas não são só os brasileiros que vão ás urnas esse ano. A população dos Estados Unidos, da União Europeia, da Índia, do Afeganistão, do Iraque, da Colômbia, da África do Sul, da Indonésia e do Uruguai também vão ter a oportunidade de eleger seus representantes.

Para os Estados Unidos, 2014 é ano de eleição legislativa. A divisão entre democratas e republicanos na Câmara quase levou o país à recessão ano passado (clique AQUI) e a queda de braço ainda está só começando. O presidente Obama, que está no meio do mandato, ainda vai ter que exercitar muito a paciência e ter jogo de cintura para conseguir aprovar alguma coisa. O resultado das eleições desse ano serão decisivos para os próximos dois anos do presidente eleito, pois se o Congresso for dominado por republicanos a chance de fazer grandes reformas será nula. Além disso, as eleições servirão para sabermos se a estratégia de radicalismo republicana foi acertada (porque, claramente, ela tem cunho eleitoreiro) ou um grande tiro no pé. Os americanos vão às urnas em novembro.

Na União Europeia (UE) também haverá eleição e a população dos 27 países-membros deverão ir às urnas escolher os novos integrantes do Parlamento Europeu. Por conta da crise essa eleição também será decisiva. A insatisfação da população com o aumento do desemprego e da desigualdade social é crescente e a tendência é que candidatos extremistas, de esquerda ou direita, ganhem espaço no parlamento. Dependendo da escolha nas urnas o parlamento poderá ficar mais instável o que se refletirá na escolha do Presidente da Comissão Europeia. Aparentemente isso não significa nada, mas alguns governos nacionais (como o da Alemanha), exigem que a escolha feita pelo parlamento seja aprovada por eles antes de ser validada. Por esse motivo, um parlamento mais radical fará com que a UE entre em pé de guerra. Os europeus irão ás urnas entre 22 e 25 de maio.

Na Índia cerca de 788 milhões de eleitores vão às urnas para eleger o primeiro ministro e os representantes do Lok Sabha (a câmara baixa do parlamento). O atual primeiro ministro, Manmohan Singh, está no poder desde 2004 e informou que não concorrerá pelo seu partido esse ano. O cenário indiano é dominado basicamente por dois partidos – o Partido do Congresso (UPA – United Progressive Alliance) e o Partido Bharatiya Janata (BJP) – o primeiro é o partido da coalizão do governo e o segundo é o principal partido de oposição. A decisão dos indianos nas urnas é importante porque desde que a UPA assumiu o poder houve expressiva previsibilidade e estabilidade nas políticas externas indianas, inclusive nas ações relacionadas ao BRICS. O discurso do BJP é bem mais nacionalista e não há como dar certeza de que a previsibilidade será mantida (Clique AQUI e veja a análise da USP). No ano passado entrou em cena o Partido Aam Adami (PAA) que, a partir de um movimento anticorrupção, ganhou cadeiras em Nova Déli. Pode ser que ele consiga ganhar espaço em âmbito nacional e conquistar cadeiras no Lok Sabha. As eleições indianas acontecerão entre abril e maio.

Ainda temos que ficar atentos ao desenrolar das eleições presidenciais no Afeganistão. O futuro do país está cada vez mais incerto e o próximo presidente terá que enfrentar o crescimento da força das tropas Taleban e a retirada das tropas internacionais do país. Outra preocupação é com o próprio sistema eleitoral, pois a tentativa de reforma feita em 2009 não acabou com os problemas de fraude, corrupção e falta de segurança para os votantes. Apenas 11 nomes, de uma lista de 27 pré-candidatos, foram aprovados. Entre eles está o irmão do atual presidente (Hamid Karzai), que não poderá concorrer ao terceiro mandato. A população afegã irá às urnas em abril.

No Iraque as eleições já começam com uma surpresa: O Supremo Tribunal Federal do país derrubou a lei que limitava o primeiro-ministro a uma única reeleição. Nouri al-Maliki está bastante animado com a possibilidade de um terceiro mandato, apesar de não ter maioria nas províncias. O próximo governante terá que enfrentar o aumento da violência e terá que lidar ainda com a crescente instabilidade no país. A eleições parlamentares acontecerão em abril.

Na Colômbia a população irá às urnas duas vezes. Primeiro para eleger os representantes do Congresso e, dois meses depois, para eleger seu presidente. O país passa por uma polarização política entre os que são contrários e os que são favoráveis à assinatura do acordo de paz com os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Esse movimento poderá ser intensificado com as votações, pois o ex-presidente Álvaro Uribe se candidatará ao senado para fazer oposição à assinatura do acordo defendida pelo atual presidente e candidato a reeleição Juan Manuel Santos. Uribe, por sua vez, apoia a candidatura do ex-ministro da Fazenda Óscar Iván Zuluaga, que aparece com poucas chances de vitória. As eleições parlamentares acontecerão agora em março e as presidenciais em maio.

Pela primeira vez após a morte de Mandela a África do Sul vai às urnas eleger um novo Parlamento e um novo presidente. Com a morte de seu maior expoente, o Congresso Nacional Africano – CNA (sim, é o nome do partido), poderá perder força nessas eleições. Jacob Zuma, o atual presidente, voltará a defender a bandeira do partido. Ainda assim terá que lutar contra a imagem controversa que os eleitores têm dele após se envolver em escândalos de corrupção e por conta do aumento da desigualdade social. O CNA enfrentará a oposição da Aliança Democrática liderada pela ex-prefeita da Cidade do Cabo, Helen Zille. Outros partidos como o Liberdade Econômica, o Agang e o África do Sul em Primeiro Lugar podem servir como elemento surpresa e acabar com a hegemonia do partido de Mandela. As eleições da África do Sul chamam a atenção pelo fato de o país ser uma das poucas democracias existentes no continente africano. As eleições acontecerão entre abril e junho.

Com a quarta maior população do mundo a Indonésia terá que eleger um novo presidente esse ano. A atual presidente, Susilo Yudhoyono, não poderá se reeleger pelo Partido Democrático, que não tem um nome forte para competir com o “Obama de Jacarta” do Partido Democrata. O apelido dado a Joko Widodo, governador de Jacarta, demonstra a preferência que o candidato poderá ter nas urnas. Apesar disso sua candidatura ainda não é dada como certa e pode haver alguma surpresa nas eleições. O próximo presidente terá que enfrentar o crescimento lento (as exportações da Indonésia são baseadas em commodities, assim como o Brasil) e a corrupção massiva. Os indonésios irão às urnas em julho.

No Uruguai José Mujica não poderá se reeleger, mas seu partido, a Frente Ampla (FA), ainda conta com a preferência dos eleitores, segundo pesquisas. O partido de Mujica poderá apresentar como sucessores a senadora Constanza Moreira ou Tabaré Vázquez, que antecedeu Mujica em 2005. Apesar disso, a oposição ainda pode se beneficiar pelo desgaste que dez anos de poder causaram a FA e retomar o poder com a força dos indecisos, que representam 15%  do eleitorado. A eleições uruguaias acontecerão em outubro.

Ufa, esse passeio pelo mundo foi longo, mas essas são algumas das eleições que você deve ficar de olho em 2014. Algumas delas podem afetar seriamente a estabilidade política ou econômica do mundo. Em outubro também vamos eleger nossos representantes e lembre-se de uma coisa:

OP

Por Ana Paula Ramos

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