Vamos conversar sobre ponto de vista?

Antes de iniciar o tema do post quero deixar claro que apoiei (apesar de não ter idade para votar em 2002 nem em 2006, sim eu sou ligeiramente baby, beijos) a campanha do Lula e reconheço que ele fez sim muitas coisas boas para o nosso país. Não acho que ele é o anticristo e nem nada que o remeta a extrema esquerda, ao fascismo e esses estereótipos de comedores de criancinha. Acho que, como todos, ele teve acertos e erros durante os oito anos de governo. Alguns erros de consequências a curto prazo e outros de longo prazo, que estamos começando a sentir só agora. Apesar disso (vamos deixar claro que esse é o MEU ponto de vista)  sou extremamente contra sua recandidatura em 2018. São dois fatores bem simples que me fazem levantar o cartão vermelho para ele:

  1. Um dos princípios da democracia é a alternância de poder. Isso não pode dizer muito, mas é ela que garante que determinadas oligarquias não se perpetuem no poder por anos a fio defendendo os próprios interesses esquecendo-se, em algum momento, de pensar no povo que o elegeu e dedicando-se apenas a manutenção do poder. É através dela que podemos escolher pontos de vista de partidos diferentes, afinal cada sigla deveria defender uma ideologia, e de governantes diferentes.
  2. Em segundo lugar precisamos de pontos de vista diferentes. A mudança de governante faz com que tenhamos soluções novas para problemas antigos. O problema de gestão no nosso país está tão arraigado no sistema estatal que nenhum governante conseguirá reformar tudo o que é preciso em um período de oito anos. Principalmente com a oposição (sim, ela existe) de determinadas bancadas do Congresso. O Lula já teve a chance dele, a Dilma e o PT também, pois se considerarmos os três mandatos esse partido já está no poder por 12 anos. Se todos concordam que eles erram no fator qualidade de educação significa que perdemos mais uma geração por conta da falta de soluções para esse problema. Então, porque não dar chance a outros? A alternância e os pontos de vista, caros leitores, servem justamente para buscar acertos e erros diferentes. Temos tantos exemplos de perpetuação de poder em outros países, que não custa nada aprender com eles. Se você não consegue pensar em nada eu lhe pergunto: O que gerou a primavera árabe? Pelo que o povo de lá reivindicava? E considerando fatos mais recentes, por que o povo da Venezuela está indo para as ruas? E, por último, por que nós fomos para as ruas ano passado?

O que me motivou a escrever esse post foi o artigo escrito pelo assessoria do Lula (clique AQUI para acessar o texto completo) em que ele mostra os acertos do PT ao longo desses 12 anos de governo. Vou comentar as partes que eu acho que merecem destaque, porque os números apresentados estão bem encadeados, mas você precisa aprender, caro leitor, que não se faz análise de números isolados. E também é preciso ficar atento as tendências porque são elas que determinam para onde vai o barco. Vamos lá:

“O PIB em dólares cresceu 4,4 vezes e supera US$ 2,2 trilhões. O comércio externo passou de US$ 108 bilhões para US$ 480 bilhões ao ano. O país tornou-se um dos cinco maiores destinos de investimento externo direto.”

Que o PIB cresceu é um fato, mas nossa economia está passando por uma desaceleração visível. Apesar do aumento, o PIB tem crescido cada vez menos (fechamos 2013 com 2,3% e para 2014 os especialistas acreditam que o crescimento será menor que 2%). O índice de confiança  e o crescimento da indústria também têm recuado a cada mês e isso não é privilégio de um ou outro estado. Agora sobre comércio externo precisamos afinar uma coisa, ao usar esse termo o valor apresentado não é o total das exportações e sim a soma de importações e exportações. As exportações fecharam 2013 em US$242,17 bilhões e as importações em US$239,62 bilhões. Isso significa que apesar das notícias sensacionalistas sobre os déficits (para deixar claro tivemos quatro durante o ano clique AQUI e acesse a íntegra do relatório de dezembro do MDIC) na balança comercial fechamos o ano com superávit. O ponto negativo aqui dessa área é que a maior parte das nossas importações é de produtos industrializados e nossas exportações, em sua maioria, são de produtos com baixo valor agregado. Fica aqui mais um alerta para a indústria. Com relação ao investimento direto também temos que ficar atentos, pois apesar dos nossos juros atrativos estamos sofrendo com a fuga de capitais por conta da recuperação norte americana.

“A novidade é que o Brasil deixou de ser um país vulnerável e tornou-se um competidor global. E isso incomoda; contraria interesses.”

O Brasil não deixou de ser vulnerável, nenhum país é invulnerável. Os EUA são o maior exemplo disso e na escalada da vulnerabilidade ainda temos muito a subir. Atenção a esse termo, por favor. Sobre competitividade também temos que ter muito cuidado, pois de acordo com dados do Relatório Global de Competitividade (Clique AQUI), em 2011 ocupávamos a 53º colocação no ranking dos países mais competitivos. Em 2012 chegamos ao 48º lugar, já em 2013 caímos para o 56º. A oscilação não costuma ser boa nesse tipo de ranking, primeiro porque os indicadores são fixos, o que acende mais uma luz vermelha às questões internas e segundo porque não inspira confiança nos investidores internacionais, pois ao avaliar o risco de um negócio, o nível de competitividade do país também é levado em conta. Então, novamente, muito cuidado com dados soltos.

“Recentemente estive com investidores globais no Conselho das Américas, em Nova Iorque, para mostrar como o Brasil se prepara para dar saltos ainda maiores na nova etapa da economia global. Voltei convencido de que eles têm uma visão objetiva do país e do nosso potencial, diferente de versões pessimistas.”

Fico feliz que investidores estrangeiros acreditem nos saltos que podemos dar, mas não sei se essa visão objetiva é tão diferente das pessimistas… Veja as imagens abaixo e responda você mesmo:

A The Economist é uma revista britânica lida e respeitada no mundo inteiro. A imagem da esquerda é uma capa de 2009 em que a revista fala da decolagem do Brasil. A imagem da direita foi capa de setembro do ano passado e a pergunta título questiona se o país estragou tudo. Será mesmo que a nossa imagem lá fora é muito diferente da dos pessimistas?

O texto de Lula nos mostra como o ponto de vista interfere na forma de analisar dados. É fato também que o dono do ponto de vista sempre vai querer puxar brasa para a sua sardinha e a mensagem que fica disso tudo é: conheça os dados propriamente ditos e não apenas os pontos de vistas. A chance de conhecer a verdade é maior quando vamos direto a fonte.

Por Ana Paula Ramos

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